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abril 05, 2006

(ACT) Os provedores têm de se adaptar aos novos tempos

Já não é a primeira vez que escrevo sobre o assunto e provavelmente não será a última - o modelo seguido pelos diversos provedores dos jornais generalistas está ultrapassado.

O modelo em vigor data de um momento em que não havia internet nem se falava de multimédia - hoje não faz sentido o provedor basear o seu trabalho apenas numa página impressa semanal, onde deposita as suas opiniões. Uma semana depois volta à sua missa dominical.

Este caso - sobretudo por mérito dos comentários - mostra que a página impressa deve ser apenas o ponto de partida, sobretudo quando o texto de referência está ultrapassado. A partir do momento em que existe um suporte on line, seria de esperar que houvesse algum tipo de actualização, que o provedor fosse um agente mais interventivo.
Lá chegará o dia, acredito.

ACT a 5/4/06: neste contexto faz sentido falar do lançamento do livro do penúltimo provedor dos leitores do JN, Fernando Martins, amanhã na FNAC do NorteShopping. Chama-se «A Geração da Ética» e - porque já o comprei há algumas semanas - junta muitas das suas crónicas no Jornal de Notícias. Recomendo vivamente. Já agora, via Indústrias Culturais, soube também da saída do livro de crónicas da provedora do DN Estrela Serrano - talvez o mais combativo (destemido?) dos provedores, até hoje em Portugal.

março 23, 2006

(ACT) Sobre o provedor dos ouvintes da RDP

Algumas notas prévias:
- sou um ferveroso adepto do alargamento à rádio da função de provedor, neste caso dos ouvintes; mais, tenho pena que a rádio onde trabalho não tenha feito essa opção até hoje;
- saúdo vivamente a decisão do governo (e, por extensão, da administração da RDP/RTP) de criar provedores para o serviço público e, agora, a formalização desses convites;

Mas devo dizer que fiquei surpreendido com a escolha de José Nuno Martins. Esperei 24 horas para escrever este texto, porque ele será provavelmente mal interpretado. Muito mais porque - já percebi - há uma unanimidade aplaudindo a escolha. Espero que José Nuno Martins me mostre que estou enganado quando digo que preferia alguém com um perfil diferente: alguém do jornalismo, com os olhos abertos para a programação, ou alguém das ciências da comunicação, com capacidade para problematizar (como penso que acontecerá com Paquete de Oliveira, na RTP).

Ao (primeiro) provedor pede-se que não seja um agente passivo relativamente à oferta radiofónica da RDP (ou seja, que não se limite a receber e a despachar as queixas dos ouvintes), mas alguém que tenha capacidade de provocar, de procurar, de questionar, até porque essas queixas serão provavelmente raras.

Será José Nuno Martins capaz disso? Espero sinceramente que sim, porque uma avaliação sobre os méritos e a continuidade da iniciativa não deixarão de ter em conta a forma como decorreu a primeira experiência!

ACT a 30/3/06: Não tem de ser jornalista, como é evidente. Eu preferia alguém com um perfil diferente do da programação. Só isso. Mas já agora sugiro este complemento.

março 21, 2006

Redacção do DN esvazia função do Provedor?

José Carlos Abrantes conta, no seu texto de ontem no DN (que estranhamente não está on line no DN) que remeteu um determinado e-mail de um leitor ao jornal mas não obteve resposta. O leitor foi persistente e insistiu e o provedor dos leitores voltou a remeter o assunto para o jornal, «pois a minha resposta teria mais interesse se fundamentada nas razões dos jornalistas, que regularmente consulto (...)». Só que mais uma vez não obteve resposta. E conclui que «A ausência de resposta deixa-me dúvidas desnecessárias sobre a clareza dos critérios editoriais neste caso».

Uma vez que aconteceu duas vezes no mesmo caso, e nem sequer é caso virgem no DN, acho que se justifica perguntar: a possibilidade de não responder não esvazia por completo a acção do provedor? Foi coincidência? O que pensa (fazer) a Direcção do jornal? E o que pensa fazer José Carlos Abrantes, para elevar o paradigma de diálogo entre jornal e os leitores, como penso que é sua obrigação?

fevereiro 03, 2006

(actx2) Sobre o blogue do provedor do Público

Com os conteúdos do jornal Público fechados aos não assinantes, o novo provedor do jornal confrontou-se com um problema: se os seus escritos não pudessem ser lidos por todos... os leitores, qual o sentido da sua função?
O jornal poderia, eventualmente, ter criado uma excepção para os textos do provedor, mantendo-os abertos, mas Rui Araújo percebeu que um blogue resolveria o problema, com a vantagem dos comentários, neste caso moderados (com uma desvantagem: os textos muito longos têm uma visualização bastante mais difícil, mesmo penosa).
Mas, por aquilo que se percebeu, o blogue é apenas o depósito dos textos publicados no Público. É pena. Com esta medida, Rui Araújo poderia ter imposto um novo paradigma na interactividade entre provedor e leitores - mais dinâmica, mais ágil, mais interveniente.

PS - o blogue do provedor está alojado num sistema chamado http://blogs.publico.pt/. Quer dizer que vamos ter novidades em breve, com outros blogues? ACT a 6/2: não tinha reparado, e nos comentários está essa indicação, mas na página do Público aparece uma entrada para blogues e ligações, além do Provedor, para Faits-divers (este, pelo menos, parece-me uma coisa amadora), Gadgeto Dilo, Plano Tecnológico, Moblog e Kulto.

ACT a 6/2: Na crónica desta semana, Rui Araújo aborda cinco questões diferentes, da forma mais concisa possível. Num caso, pelo menos justificava-se ouvir os argumentos do editor que alterou o título. Terá tido, provavelmente, uma boa razão...

janeiro 29, 2006

Um abraço, Manuel

Manuel Pinto despede-se hoje dos leitores do JN, concluídos os dois anos não renováveis como provedor.
Manuel Pinto pode estar tranquilo: dignificou a função e valorizou o jornal (terá, mesmo, criado um novo estilo, conciliando jornalismo e ciência).

Da sua última crónica, sugestões que reforço:
"Se este Jornal quiser abrir-se mais - e eu julgo que só teria a ganhar com isso - precisa de tomar medidas, algumas delas bem simples como seja dar mais dignidade e, porventura espaço, à secção de cartas do leitor; publicar com mais destaque os endereços vários para os quais os leitores possam contactar os departamentos do Jornal, incluindo o do próprio provedor; e, sobretudo, instituir com regularidade um espaço de informações sobre as iniciativas, opções e critérios relacionados com a vida do próprio jornal".

Um abraço, Manuel, deste teu leitor fiel.

janeiro 09, 2006

Sobre o provedor do Público

A propósito da criação do blogue do provedor dos leitores do Público (já está na lista), recupero um tema que Manuel Pinto comentou no próprio dia em que foi publicado: a acutilância do último texto de Rui Araújo.
É apenas a sua segunda crónica, e não é possível perceber com clareza um estilo, mas a confirmar-se esta (notável) franqueza, teremos entre os três provedores diários três estilos bem claros:
- Rui Araújo na linha de Estrela Serrano (o chamado "sem-papas-na-língua");
- José Carlos Abrantes mais pedagógico, mais comentador, mais reflexivo;
- Manuel Pinto entre os dois, tentando conciliar as duas tendências;
(se algum dia exercesse esta função, estaria mais perto da primeira opção...)


PS - Os responsáveis editoriais da Cofina lembram, sempre que podem, que o Record tem um provedor dos leitores (e, é verdade, foi o primeiro jornal a criar essa figura de intermediação). Acontece que ao contrário do que fazia David Borges há alguns anos, Rui Cartaxana fala sobre futebol, numa espécie de consultório semanal.

dezembro 13, 2005

Ainda a tempo

Em 13 de Novembro escrevi aqui um texto em que dava conta da minha perplexidade perante um curioso artigo do DN relativo a um jovem jogador de futebol de que ninguém ouvira falar mas estaria envolvido num hipotético negócio.

O provedor dos leitores pediu-me, alguns dias depois, um complemento às minhas dúvidas, que enviei. E na edição de 5 de Dezembro José Carlos Abrantes pronunciou-se.

Algumas notas:
- o jornalista em causa teve um comportamento reprovável: primeiro assobiou para o ar e depois, quando confrontado pelo provedor, remeteu-se ao silêncio;
- isto abre precedentes graves: ao recusarem-se a responder, põem em causa o trabalho dos provedores;
- poderia JCA ter levado o caso ao editor do desporto do DN?
- o jornalista do DN terá certamente um largo futuro pela frente; desde que esteja disponível para aprender com os erros...

outubro 03, 2005

Provedores contra o azul

Os dois provedores em exercício abordam o azul das primeiras páginas nas suas crónicas desta semana.
Ambos se mostram críticos.
Manuel Pinto: «Já havia o "jornalismo amarelo" para designar a exploração sensacionalista das notícias. Há que contrariar esta tendência para o "jornalismo azul", que subordina as mesmas notícias aos interesses dos anunciantes».
José Carlos Abrantes: "as políticas editoriais não podem ser feitas sob o desígnio dos poderes da economia, nem da política, nem das modas, nem dos poderes corporativos de uns e de outros. São os critérios editoriais que definem os jornais, dando-lhes uma identidade apreciada pelos leitores, que escolhem um destes, entre a oferta do mercado".
A grande diferença é que Manuel Pinto fez o trabalho de casa (de provedor) e ouviu - apesar do pouco destaque, ligeiramente menor do que o dado ao comunicado do Sindicato dos Jornalistas - o director do JN. Já o provedor do DN ouviu, na sua crónica, um ex-presidente da Organization of Ombudsmen News...

PS - Há uma ideia de Manuel Pinto com a qual concordo: "Este provedor entende que, mesmo perante processos de uma dimensão quase transcendente, há um recurso de que as Redacções podem deitar mão e que, neste caso, não foi feito: é explicar aos leitores a situação criada, as opções ponderadas e os porquês e condicionantes da solução final" (sublinhado meu).

abril 11, 2005

Provedor do DN explica-se

no DN de hoje, em resposta às observações pertinentes de Rogério Santos.
O texto principal do provedor do DN está na rede, mas o seu "bloco-notas" não. E é lá que ele se explica: como está previsto no estatuto do provedor, faz "a crítica do funcionamento e do discurso do media".
Mas faltam, digo eu, "as crónicas de resposta a interpelações dos leitores com a desejável resposta dos jornalistas ou outros responsáveis" ou, mesmo, "as análises do jornal".

janeiro 14, 2005

E por que não na rádio?

A Antena 1, por ser (teoricamente) uma rádio de serviço público, e a TSF, por ser uma rádio de notícias, poderiam ter um provedor.
Isto em complemento ao que disse Mário Mesquita, na terça-feira: "Pegando na sugestão de um dos comentadores da sessão, Carla Rodrigues Cardoso, para que a figura do provedor fosse alargada à televisão e à rádio, Mário Mesquita, ex-provedor do "DN", que se encontrava entre a audiência, sugeriu que esta fosse introduzida no canal 2, ideia que agradou a todos os oradores."

PS - "Provedores de Imprensa Defendem Cargo Idêntico para a Televisão" é o título; no texto: "A ideia de alargar a experiência dos provedores do leitor, na imprensa, à rádio e à televisão foi acolhida com agrado pelos provedores do PÚBLICO, "Diário de Notícias" e "Jornal de Notícias", que na terça-feira ao fim da tarde fizeram um balanço da sua actividade, por ocasião da apresentação em Lisboa do livro "Em Nome do Leitor - As colunas do provedor do PÚBLICO", de Joaquim Fidalgo, na Universidade Lusófona".

janeiro 09, 2005

Triste!

Acabei de ler que Joaquim Furtado decidiu terminar, ao fim de um ano, a sua função como provedor dos leitores do Público - apesar da Direcção do jornal, na mesma página, dizer que gostaria que ele fizesse mais um ano.
Eu também!
Acho que após um início em que tentou encontrar um estilo e um posicionamento, Joaquim Furtado conseguiu, semana após semana, tornar-se leitura obrigatória.
O Público estava melhor com ele; o Público fica mais pobre sem ele - e esse será, se calhar, o maior elogio que se pode fazer à sua tarefa.
De tal maneira, que não será, como promete a Direcção, fácil "encontrar um sucessor à altura no mais curto espaço de tempo". Antes de Joaquim Furtado, o jornal esteve demasiado tempo sem provedor.
Do seu texto de hoje: "(...) devo explicar - por respeito à transparência que procurei nesta coluna - que termino esta colaboração em face de outros compromissos profissionais que prejudicariam o exercício da função. Este facto liga-se às duas primeiras notas do balanço que faço nesta crónica: por um lado, que foi com muito gosto e entusiasmo que aqui escrevi semanalmente; por outro que, a meu ver, o cargo pode exigir uma dedicação profissional total, dependendo de quem o ocupa".

dezembro 27, 2004

Uma desilusão

o trabalho de José Carlos Abrantes como provedor dos leitores do Diário de Notícias.
Mais uma vez - e pela última vez: José Carlos Abrantes ou tem um entendimento completamente diferente daquele é o paradigma dos principais provedores (e que tem sido seguido, por vezes brilhantemente, em Portugal) ou não se sente à vontade nesse papel.
O que tem publicado são artidos de opinião, genericamente sobre o sistema mediático, muitas vezes sobre o jornalismo (hoje e antes).
Não está em causa o interesse dos artigos, mas o DN precisa de um provedor dos leitores!

PS - e não é por falta de assunto, certamente; a carta de Dias Loureiro, publicada na sexta-feira, 24, é um excelente ponto de partida ("qualquer pessoa que leia o artigo em causa [sobre a eventual compra de aviões Canadair] percebe, sem qualquer esforço, que tal título não tem nenhuma correspondência com o texto publicado").

outubro 24, 2004

Aplauso para o provedor do JN

Manuel Pinto escreve hoje um texto que - penso - aponta um caminho novo* ao trabalho dos provedores: o provedor - que é um leitor - leu um artigo no seu jornal e ficou com dúvidas. Vai daí escreveu à jornalista e esta responde-lhe (aliás, com grande sinceridade).
O mérito de Manuel Pinto é que ele não ficou à espera que lhe escrevessem sobre o assunto (o próprio diz que não recebeu qualquer queixa ou reacção sobre o assunto), tomando a iniciativa.
Aplaudo porque - como escrevi aqui em tempos - um texto como este marca a diferença para o provedor passivo!
*Obviamente, não posso garantir que Mário Mesquita, Joaquim Fidalgo ou Estrela Serrano (entre outros) não o tenham feito. Mas, por certo, é novo na série actual dos três novos provedores...

CORRECÇÃO: Uma leitura mais atenta de vários textos, nomeadamente de Joaquim Furtado no Público, mostram que meti água relativamente à apreciação anterior. O aplauso para Manuel Pinto mantém-se, mas é da mais elementar justiça dizer que a 22 de Fevereiro ("Fontes e géneros), 18 de Julho ("Da pureza da fontes") ou a 19 de setembro ("Palavras e números") foi seguida a mesma metodologia. (ou como se pode estragar um texto pelo acessório...)

outubro 04, 2004

Um sinal preocupante - o provedor do DN

Pela terceira ou quarta semana (consecutiva?), o provedor dos leitores do DN volta a pronunciar-se sobre temas que - não deixando de ser interessantes (genericamente, "a educação para os media") - são deslocados daquilo que devem ser (na minha opinião) as prioridades de um provedor dos leitores - sobretudo em Portugal onde há muito que fazer para aumentar a participação cívica dos leitores.
E acho preocupante porque não há - neste espaço de tempo - atenção às intervenções dos leitores. E se, nestas semanas, os leitores não escreveram ao provedor? Nada? Nesse caso, compete ao provedor estimular discussões de dentro para fora, "provocando", perguntando, ouvindo. E assim contribuir para que mais leitores percebam a importância da função. Depois é mais fácil participarem...
Finalmente, fico preocupado porque, sendo um fervoroso adepto dos provedores, quero que eles se tornem obrigatórios e indispensáveis em cada OCS...
(menos preocupante, mas aborrecido: os textos de José Carlos Abrantes não estão "on line"; nem na página do provedor nem como "opinião")

setembro 27, 2004

Um (primeiro) provedor on line...

Uma das melhores publicações on line de Portugal, o "Setúbal na Rede" vai criar, a partir de 1 de Outubro, o lugar de provedor dos leitores.
Aplausos!
Transcrevo da mensagem que enviaram:
«O "Setúbal na Rede", primeiro jornal digital do país, torna-se agora também no primeiro jornal regional e no primeiro jornal electrónico a ter Provedor do Leitor.
Com início de actividade no próximo dia 1 de Outubro, o Provedor do Leitor vai ser mais um elemento de aproximação entre o "Setúbal na Rede" e a comunidade a que se dirige, servindo essencialmente como fiscalizador da actividade do portal, tornando a postura dos seus profissionais mais exigente e mais adequada aos interesses dos que o lêem.
Além disso, o "Setúbal na Rede" é ainda pioneiro pelo facto de instituir um Provedor do Leitor rotativo entre os elementos que compõem o seu Conselho de Opinião, um conjunto de personalidades de prestígio e méritos reconhecidos.
»

setembro 13, 2004

Uma crítica aos provedores

Quer José Carlos Abrantes quer Manuel Pinto ocupam-se, nas respectivas páginas desta semana, de assuntos que se afastam da função mais essencial do provedor dos leitores.
Com duas consequências mais negativas: desabituar os leitores de lerem os seus textos e afastarem-se de temas que são o seu núcleo central de preocupações.
Os assuntos que abordam - curiosamente com alguma semelhança e dos quais não consegui fazer a ligação ("Usar o jornal na escola" no JN e "Formar jornalistas" no DN) - teriam todo o cabimento noutros espaços de opinião, que certamente as respectivas direcções não lhes recusariam.
No caso do DN a opção de José Carlos Abrantes merece uma nota mais crítica por ignorar um tema com alguma importância e que certamente terá causado perplexidade aos leitores.
A crónica da semana passada era a primeira depois das férias, por isso fiquei à espera, mas agora já é difícil voltar ao assunto. Ou não?

julho 25, 2004

Uma pergunta...

Não é a primeira vez e hoje volta acontecer (na edição impressa): a secção do provedor dos leitores do Público tem meia página de publicidade. Porquê?
Os assuntos tratados hoje são patéticos e poderiam/deveriam ser analisados num caixilho. Mas se ao provedor resta meia página...
O que me intriga é o aparecimento de publicidade nesta página.
Partindo do pressuposto que não foi o próprio Joaquim Furtado a solicitá-lo, e admitindo que não há anunciantes a escolher essa página em concreto, restam poucas opções...
A verdade é que um espaço disponível tão residual só pode servir como limitação ao trabalho do próprio provedor. Mas o próprio,até hoje, não se queixou...

junho 07, 2004

Uma Pública desilusão!

O provedor dos leitores do Público ignorou, no texto de ontem, qualquer referência ao caso que tem marcado de que aqui já falei, perdendo uma oportunidade para mostrar que "é dos leitores" e não da direcção do jornal.
Curioso como muitos provedores se lamentam que nem sempre os temas suscitados pelos seus leitores são estimulantes, pela monotonia das queixas.
Mas quando surge um caso com a importância deste, o provedor perde uma oportunidade de informar os leitores e de corrigir um anacronismo completamente tolo: todos os outros jornais já noticiaram o caso... menos o Público.
Ninguém é profeta...
Além do mais, o tema que ontem aborda é profundamente inóquo!
O que mais me entristece, como leitor de todos os dias do Público, é perceber que prevalece uma ideia sinistra: não se diz nada porque a malta acaba por esquecer. Mas isto vindo de jornalistas...
Como o silêncio também é uma forma de comunicar, estou esclarecido.
Assunto encerrado.

maio 05, 2004

Um provedor dos ouvintes

O novo provedor dos leitores do Diário de Notícias dá uma entrevista a este jornal em que estabelece as suas prioridades e revela expectativas para a função que vai começar a desempenhar.
Retiro esta citação:
" Acho que a televisão pública faria bem em ter um provedor. Em França, a France 2 tem dois provedores, um para a programação e outro para a televisão. Organizei um encontro com ambos, na Arrábida, onde também participou um provedor de uma televisão do Canadá, que funciona como uma almofada para conflitos jurídicos. Ter um ouvido, ter alguém que escute o que os espectadores que pegam do telefone para fazer uma crítica ou apoiar alguma coisa, é positivo para o serviço público, embora isso seja uma escolha da própria televisão."
E a rádio pública?

maio 03, 2004

Corrigir falhas ou assumir os erros

Na semana passada deixei ficar um reflexão sobre a "excessiva" honestidade dos jornalistas (ou de alguns jornalistas) quando se trata de assumir pequenas falhas que acontecem, sobretudo, em directo (na rádio).
Esta generosidade já não é tão visível quando se trata de responder perante um erro com alguma gravidade: dir-se-ia que a disponibilidade para assumir é inversamente proporcional à importância da situação.
Vem isto a propósito da última reflexão de Joaquim Furtado, o provedor do leitor do Público.
É um caso muito interessante porque o autor do texto reclamado assume que errou, sem margem para dúvidas, mas só depois do visado escrever ao Provedor (e não, por exemplo, quando foi publicado o direito de resposta - o que inviabilizaria o recurso ao Provedor, percebe-se).

abril 12, 2004

Provedores e linguagem directa

Os leitores mais regulares desta página já sabem que, sempre que possível, deito alguma atenção aos textos dos provedores.
As razões são simples. Pela sua importância como entidade que contribui para a auto-regulação do jornalismo e porque - como tento fazer com alguns destes textos - eles são chamados a reflectir sobre o dia a dia do jornalismo, criando alguma jurisprudência, enquadrando, explicando.
Joaquim Furtado, no Público, faz uma análise muito completa de um dos lugares-comuns mais frequentes no jornalês: a morte por doença prolongada.
Vale a pena consultar.
E subscrevo completamente: a menos que haja uma razão ponderosa (um pedido expresso da família, que tem de ser bem compreendida), a muleta não se aceita!
As razões da morte de alguém devem ser enunciadas, mal estejam confirmadas, ainda que sem detalhe.

janeiro 19, 2004

Um novo provedor

O jornal Record - o primeiro, como o próprio lembra, a ter um provedor dos leitores em Portugal - promete dar novo folego à instituição, depois da última experiência (fracassada, digo eu) com Ruy Seabra.
Rui Cartaxana, indiscutivelmente o mais importante jornalista da história deste periódico, é o novo provedor e promete reforçar a ligação a quem lê.
Por mim aplaudo!
Porque sou um adepto incondicional da instituição e porque sou um leitor diário da imprensa desportiva (especialmente - confesso - do Record).
Como Rui Cartaxana lembra: "O desporto e, em particular, o futebol não convivem facilmente com a isenção, a neutralidade e o rigor com que, racionalmente, se devem analisar as coisas".

janeiro 05, 2004

Provedores

Boas notícias: Joaquim Furtado já começou a trabalhar como provedor do Público e (diz o Público de hoje), Manuel Pinto sucede a Fernando Martins, em idênticas funções no JN, a partir de Fevereiro.
Óptimas notícias, por sinal - o que intriga é que só haja três jornais com provedores (DN, JN, Público, uma vez que o Record apenas parece...).
E se Joaquim Furtado já está em funções, já tem com que se entreter: da edição de ontem uma notícia em tudo contrária ao que diz o livro de estilo do Público:
O antetítulo assusta logo: "A confissão";
depois o título: "Homicida de Maiorca em prisão preventiva"
Primeiras linhas:
"O motorista da Câmara da Figueira da Foz que anteontem à noite matou a esposa e a sogra a tiros de caçadeira (...) onde assumiu a autoria dos crimes. O detido entregou-se no posto da GNR de Maiorca, afirmando ter morto a esposa...".
Ou seja, está julgado e condenado.
E quanto à confissão, cito do próprio livro de estilo:
"A palavra "confissão" só pode ser utilizada se resultar de um depoimento prestado em audiência formal do tribunal pelo réu ou pelo seu defensor; nada do que vem da polícia, da acusação ou recolhido pelo próprio jornalista constitui "confissão". As pessoas na condição de acusados "relatam", "declaram", "contam" ou "explicam". Deve evitar-se expressões como "admitem" ou "reconhecem", assim como "diz-se" ou "sabe-se".