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abril 24, 2006

Quando a informação se confunde (mesmo) com a publicidade

Muito interessante - pela temática e pela abordagem - o artigo de José Carlos Abrantes na página do Provedor dos Leitores do Dn de hoje.
Um leitor considera este artigo como publicidade, o editor explica que «a interpretação do leitor, apesar de compreensível, não é correcta. É compreensível porque este tipo de secções (tal como a Boa Vida, de que também sou responsável) procura dar indicações claras ao leitor sobre lugares concretos como restaurantes, hotéis, lojas, etc. Ou recomenda vinhos, alimentos, passeios. Com telefones, moradas, preços e tudo o que ajudar o leitor a, no caso de o desejar, seguir a sugestão. Por isso, está numa zona de 'fronteira' deontológica, onde vale sobretudo a credibilidade de quem escreve e do próprio jornal» e José Carlos Abrantes conclui que, com a leitura do artigo, «Os leitores entram numa narrativa que deixa a ideia de que, se há paraíso, deve ser semelhante ao espaço a que se refere a notícia. "Extensos jardins de Inverno", "cascatas", "lagos", "floresta", "reserva ecológica" e até "viveiros de aves exóticas", dão ao local uma imagem idílica. Mas é para que bolsas? O atendimento é melhor que noutros locais do mesmo tipo? Os acessos são fáceis? Que públicos vão sentir-se bem neste espaço? Disso nada sabemos».

PS - vale a pena ler o texto em causa como exemplo de um artigo que, numa zona de risco, caiu realmente para o outro lado. Uma nota de imprensa da própria quinta não seria, certamente, tão elogiosa. Não ficava nada mal a Duarte Calvão, perante um caso tão gritante, ter feito o mea culpa...

março 31, 2006

CORR: Uma visão arrasadora das relações públicas do jornalismo (?)

«(...) os jornais tentam ter o monopólio da intermediação entre o leitor e a fonte; por isso, apresentam todas as suas notícias de modo a que o leitor perceba sem margem para dúvidas quem é o seu autor: artigos assinados; as "cartas ao Director"; a publicidade, que em geral se distingue por si própria; a "publicidade redigida", imitando os artigos de jornais e por isso assinalada; (...) Aquela exibição assegura ao jornal o seu monopólio da intermediação da informação escrita entre o leitor e as fontes. Os jornais só cedem o seu monopólio às agências de comunicação escondida. É um mistério sem ser um milagre que a imprensa se preste a publicar estas notícias a rogo, deixando que outros vendam às ocultas o seu espaço e prestígio, pois, sendo séria, ela própria lança dúvidas sobre a sua seriedade. Fá-lo-á porque estas notícias são uma publicidade de segunda? Porque são a condição implícita na publicidade de primeira? Porque uma ínfima minoria de jornalistas tem uma agenda oculta? Mesmo que este esquema seja um serviço público desconhecido, há um problema: o esquema é escondido ao leitor. O leitor lê uma notícia a rogo, julga ler o jornal dos jornalistas e, sem o saber, lê a publicidade oculta de um instituto público ou de uma empresa privada»
Luís Salgado de Matos no Público de 27/3/06

março 06, 2006

É importante que alguém o diga claramente

«A relação entre o jornalismo e a publicidade é talvez a questão mais importante que se coloca aos órgãos de informação contemporâneos»

março 01, 2006

(ACTx2) Uma notícia (no mínimo) a merecer atenção

O Diário de Notícias publica hoje, na página 23, uma notícia com este título: "Recifes artificiais para salvar mar da Calheta".
Não está em causa o interesse da notícia, mas há duas coisas no mínimo estranhas:
- é publicada uma foto dos recifes artificiais (disponível na ligação on line) que é pura publicidade à empresa promotora (sob a capa do famoso «direitos reservados»); aliás, a publicidade à empresa é absolutamente despropositada e gratuíta, numa foto tirada debaixo de água;
- Último parágrafo da referida notícia: «Enquadrada na política de inovação constante do Grupo Mota-Engil, a CPTP apresenta-se como "uma moderna e versátil frota de equipamentos sem paralelo em Portugal", que desde 1930 marca presença em obras portuárias de referência» (sublinhado meu).

Distracção?
Talvez valesse a pena a atenção do provedor.

ACT a 3/3/06: acabo de tomar conhecimento de que o assunto será tratado pelo provedor dos leitores do DN e que quer o editor quer a jornalista prestam esclarecimentos.

ACT a 6/3/06: É a crónica de hoje de José Carlos Abrantes. Que subscrevo na íntegra (para a encontrar on line tive de ir à interessante página pessoal de JCA)

janeiro 18, 2006

ACT: Uma crónica como espaço publicitário

O novo provedor do Público não podia ter começado melhor - e não me refiro à qualidade do texto, à sua metodologia ou às conclusões, mas sim ao tema.
Rui Araújo trata de um dos mais terríveis - porque indefinidos - temas da actualidade no jornalismo contemporâneo: a mistura de conteúdos jornalísticos e publicitários (o assunto já tinha sido comentado na blogosfera, por exemplo aqui).

Os leitores mais fieis sabem que este é um tema recorrente neste blogue: defendo uma separação clara entre mensagens, mas não sou um ortodoxo, porque as receitas não garantem apenas a independência jornalística - garantem a viabilidade dos projectos.

No caso em concreto, o Público garantiu duas crónicas sobre o Lisboa-Dakar propostas por patrocinadores, sendo que uma (a de Carlos Sousa) ainda se podia considerar como de interesse jornalístico (o melhor piloto português), mas a da Margarida Pinto Correia era pura publicidade* - o provedor recomenda ao jornal que isso fique bem claro, em situações futuras!

Penso que Rui Araújo concorda com esta ideia: quanto mais publicidade melhor (sobretudo quando há pouca...), mas que ela não se travestize de jornalismo!

* Não foi apenas no Público que isto aconteceu: para que fique claro, a minha observação é geral; no Público o assunto foi discutido.

ACT a 23/1/06: "Em concreto, o senhor da Precision acha a coisa mais natural do mundo que uma empresa que não é de jornalismo possa não apenas fazer pretenso jornalismo (visto tratar-se de uma forma capciosa de fazer publicidade), mas também impor como jornalismo aquilo que faz. A carta do tal senhor - e os termos do contrato que terá feito com o Público - vêm dar razão ao que escreveu há oito dias Rui Araújo. Mas a questão não acaba aqui. No texto do administrador da Precision afirma-se, embora sem concretizar, haver no Público reportagens que terão servido para "rentabilizar investimentos". Um assunto que merecia a pena ser esclarecido".

novembro 30, 2005

Publicidade e jornalismo: há quem se preocupe *

Eis uma boa notícia, para quem tem vindo a insistir na necessidade de separar conteúdos publicitários e mensagem jornalística (é o meu caso...):
«Maria Fernandes lembra que um dos seus argumentos foi o facto de a rubrica Centro Comercial não dizer que se trata de publicidade. "Há outras revistas que o fazem. É o caso da Grande Reportagem, que curiosamente tem uma rubrica com o mesmo nome, mas que é identificada como publicidade", diz
Por causa deste caso e da intervenção do Sindicato dos Jornalistas "A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) advertiu a 23 de Novembro a “TV Guia” para “a necessidade de respeitar o normativo ético-legal a que está obrigada em matéria de rigor informativo” no que respeita à distinção rigorosa entre actividade noticiosa e actividade publicitária.
O processo partiu de uma queixa da Direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ), que solicitou a intervenção da AACS no sentido de se pronunciar sobre em que medida a elaboração de textos promocionais por jornalistas pode constituir manipulação do público e comprometer a imparcialidade destes perante o público
."

* mas nem todos. Há quem ache que assim está bem? ("A deliberação foi aprovada por maioria, com votos a favor de Maria de Lurdes Monteiro (relatora), Armando Torres Paulo, Sebastião Lima Rego, José Garibaldi, José Manuel Mendes, abstenção de Jorge Pegado Liz com declaração de voto e contra de João Amaral e Carlos Veiga Pereira."

novembro 26, 2005

Não há nada como a franqueza!

“Muitas vezes é preferível dar a esse anúncio a forma de uma notícia do que a de um comunicado, marcadamente publicitário (…). Pode-se dizer que esta [a publicidade redigida] não é mais do que um anúncio publicitário disfarçado de notícia, a fim de ter melhor aceitação por parte do público. (...) A notícia redigida confunde-se melhor com as notícias do próprio jornal”.
LAMPREIA, J. Martins, A Assessoria de Imprensa nas Relações Públicas, Europa América, Lisboa, 1999, 2ª edição, pág. 107/108
(sublinhados meus)

novembro 14, 2005

Mais: Quando a publicidade se confunde com o jornalismo

A propósito do texto com aquele título (este...), mais três notas:
- a edição de ontem do Público, domingo, contemplava mais uma página sobre a regata, com o respectivo anúncio da Volvo acopolado. E mais sete páginas na Pública!
- Na Pública é dito que a jornalista viaja (para Vigo) a convite da Volvo (nas duas reportagens do jornal isso nunca é referido);
- Isto significa que a Volvo paga as despesas relacionadas com a presença da jornalista e ainda patrocina a reportagem (o lucro do jornal)?;
Esta conclusão esclarece um mistério: o Público há muito que acompanha, com enorme destaque, as grandes regatas de vela, sem que isso se reflicta em interesse por parte dos leitores. Como é que sei? Não há mais nenhum órgão de comunicação social português a fazer isso (ir a Vigo é baratinho...), não há nenhum barco ou tripulante português envolvido e não conheço nenhum leitor do Público a quem o assunto interesse. Basta-me isso.

novembro 07, 2005

Quando a publicidade se confunde com o jornalismo

Na página 45 do Público de ontem:
"Volvo Ocean Race estreia frota VO 70 em águas galegas"
Depois, ao longo de uma página, a jornalista enviada a Vigo (onde a prova começou) descreve as incidências da competição de veleiros.
No final da página, um "rodapé" publicitário da Volvo, com referência à "Volto Ocean Race, 2005-2006".

Lembram-se das primeiras páginas azuis? Nesse caso defendi que havia uma separação de mensagens. Já tenho dúvidas neste caso: o anúncio publicitário não é um prolongamento do texto jornalístico? Caso contrário estava noutra página...
Qual é a vantagem para o leitor nessa coincidência? Só o anunciante ganha! E se isso acontece estamos a confundir mensagens...
Um jornalista tem a mesma independência para escrever quando há um patrocínio que, provavelmente, condiciona a existência da própria reportagem?
Não tenho respostas, mas tenho muitas dúvidas!

PS - a única foto é de um veleiro, em que se pode ler "volvo ocean race". Mas já me parece que isso é natural.

outubro 19, 2005

Jornalismo e publicidade

Nas manhãs da Antena 3 está a passar, pelo menos esta semanam um spot promocional a um novo jogo de computadores, gravado por duas pessoas, sendo que um deles é jornalista da editoria de desporto da RDP.
O spot pode ser entendido como uma brincadeira (a outra voz é Nuno Markl...), mas não tenhamos dúvidas de que há, subjacente, uma forte promoção ao jogo "Pro Evolution Soccer" (de outra forma, o representante do jogo não se disponibilizaria a oferecê-lo aos ouvintes no âmbito de um passatempo).
Sinceramente, a primeira vez que ouvi fiquei um pouco chocado. Mas tentei combater essa reacção com um eventual preconceito. Na verdade, tenho dúvidas se esta não será uma das incompatibilidades que está desajustada face aos novos tempos (que fique claro: por mim há-de manter-se sempre na lei, mas reconheço que pode haver outras dinâmicas).
Este spot da Antena 3 será uma provocação, um desafio? Ou uma inconsciência?
Nelson Silva alerta chama a atenção para o facto de isto acontecer, ainda por cima, numa das rádios do serviço público, sem publicidade portanto.

outubro 03, 2005

Provedores contra o azul

Os dois provedores em exercício abordam o azul das primeiras páginas nas suas crónicas desta semana.
Ambos se mostram críticos.
Manuel Pinto: «Já havia o "jornalismo amarelo" para designar a exploração sensacionalista das notícias. Há que contrariar esta tendência para o "jornalismo azul", que subordina as mesmas notícias aos interesses dos anunciantes».
José Carlos Abrantes: "as políticas editoriais não podem ser feitas sob o desígnio dos poderes da economia, nem da política, nem das modas, nem dos poderes corporativos de uns e de outros. São os critérios editoriais que definem os jornais, dando-lhes uma identidade apreciada pelos leitores, que escolhem um destes, entre a oferta do mercado".
A grande diferença é que Manuel Pinto fez o trabalho de casa (de provedor) e ouviu - apesar do pouco destaque, ligeiramente menor do que o dado ao comunicado do Sindicato dos Jornalistas - o director do JN. Já o provedor do DN ouviu, na sua crónica, um ex-presidente da Organization of Ombudsmen News...

PS - Há uma ideia de Manuel Pinto com a qual concordo: "Este provedor entende que, mesmo perante processos de uma dimensão quase transcendente, há um recurso de que as Redacções podem deitar mão e que, neste caso, não foi feito: é explicar aos leitores a situação criada, as opções ponderadas e os porquês e condicionantes da solução final" (sublinhado meu).

setembro 30, 2005

Em defesa do azul!

Não trabalhando eu num jornal (sem nenhum interesse directo ou indirecto a defender), acho que estou perfeitamente à vontade para dizer que – como director – teria aceite sem reservas aquela proposta da TMN de pintar o jornal de azul.
Mais, aceitaria idênticas propostas se – como aconteceu – elas deixarem clara uma separação entre “conteúdos jornalísticos e mensagem publicitária” (para usar a expressão do Sindicato dos Jornalistas). Aceito que se pense o contrário, que os jornais se venderam, mas não acho que isso retire credibilidade aos jornais.

Muito mais grave, na minha opinião – e sobre isso nunca ouvi o Sindicato – é a prática infelizmente comum de confundir marketing promocional dos jornais e “sinergias de grupo” com notícias – veja-se a última página do Público de hoje, em contraste flagrante com o que diz o novo livro de Estilo *.
Muito mais grave é publicar reportagens ou entrevistas pagas, dissimuladas de jornalismo ou dar uma dimensão jornalísticas a actividades do próprio jornal (auto-promoções) ou do grupo em que se insere.

Estes três exemplos – claríssimos – demonstram promiscuidade entre conteúdos jornalísticos e mensagem publicitária. Isto, sim, é enganar os leitores. Contra isto me bato há anos. Mas sobre isto não tenho lido nada.

PS1 – O Sindicato sabe que há vários jornais com a corda… nas mãos do accionista. O Sindicato não pode rejeitar este tipo de receitas e lamentar, depois, os despedimentos;
PS2 – A menos que, em cada um dos oito jornais, apenas a direcção aprove “o azul”, este é mais um caso que demonstra um divórcio entre o Sindicato e os seus associados. Isto merece ser melhor discutido!

* O conteúdo promovido, um disco original a propósito do Dia Mundial da Música, que o Público distribui gratuitamente, pode ser notícia. Mas na secção de cultura. Não na última página. Quando é que um disco, original, volta a ser notícia na última página do Público?

setembro 28, 2005

(2 x act) Publicidade ou jornalismo? Jornalismo

Hoje, na redacção, as opiniões dividiram-se: foi correcto ter explicado aos ouvintes, no noticiário das oito da manhã, que os principais diários portugueses estavam vestidos de azul? É que isso é uma manobra de marketing da TMN, que tem a partir de hoje um novo design, uma nova imagem, um novo slogan.

Eu não tenho dúvidas! É notícia. Da próxima vez, se houver uma próxima vez, que alguma empresa pinte as primeiras páginas de tantos jornais (incluindo desportivos, como agora) isso já não será notícia, mas - aqui - temos claramente os critérios da originalidade e da novidade a pesar.

A TMN ganhou com essa notícia? Ainda bem para ela! Mas todos os ouvintes/leitores que esta manhã virem a mancha azul nos quiosques, e souberem explicar aos seus amigos/colegas a razão, vão sentir que também ganharam em ouvir a TSF (não ouvi com atenção a Renascença nem a A1 nem vi a televisão para poder dizer se também noticiaram, mas o princípio é o mesmo).

act: No Atrium uma questão interessante. As edições online passam ao lado da maré azul...

act: O habitualmente quedo e mudo Sindicato dos Jornalistas acaba de divulgar um comunicado com o título "Não há limites às pressões da publicidade?", em que considera "chocante a submissão dos órgãos de comunicação ao recurso publicitário utilizado" por pôr em causa o "princípio da clara separação entre publicidade e informação". Claramente, não concordo. Mas é bom falarmos destas coisas.

setembro 23, 2005

(ACT)Eu não compro...

Lembram-se da resposta que Nuno Santos, director de programas da RTP, deu sobre o facto do documentário sobre Mourinho ter o mesmo nome da campanha do BPI?
"Não, não foi. Muitas vezes, as questões são diferentes do que parecem. Por isso, rejeito o julgamento sumário de tantos guardiões da ética."

Pois o Público divulga a resposta dada pelo mesmo Nuno Santos na AACS:
«Nuno Santos reconhece que se tratou de "uma opção geradora de equívocos", em que deveria ter existido "uma maior ponderação". Mas assegura que não houve na decisão "qualquer intuito" de fazer "publicidade oculta ou subliminar", nem "qualquer cedência de natureza ética".

Ainda esta: "A decisão de dar ao programa o título Ganhe como Eu, disse, "decorreu do facto de se tratar de uma expressão com utilização em certos meios" e deu como exemplo o recurso de meios de comunicação social e figuras de "meios políticos e outros" a expressões usadas na publicidade, caso de "Eles falam, falam... falam..." ou "É que é já a seguir...".»

Resta acrescentar o título da peça do Público: "RTP pode ter que pagar coima por programa sobre Mourinho".

PS - é para mim evidente que houve uma colagem à campanha do BPI [ACT: embora admita que não tenha tido uma contrapartida financeira, que seria grave; apenas uma colagem mais ou menos ingénua]. Ficava melhor a Nuno Santos assumir isso e prometer que, aprendida a lição, uma coisa dessas não voltaria a acontecer na televisão pública.

setembro 05, 2005

Nuno e os guardiões da ética

Lembram-se disto?
Pois, Nuno Santos responde hoje a esta pergunta:
"Recentemente, a RTP exibiu um documentário sobre José Mourinho, cujo título remetia para uma campanha publicitária protagonizada pelo treinador e que era patrocinado pelo anunciante. Foi o patrocinador que escolheu o título?"
A resposta é esta:
"Não, não foi. Muitas vezes, as questões são diferentes do que parecem. Por isso, rejeito o julgamento sumário de tantos guardiões da ética."
O director de programas da RTP remete as suas explicações para a Alta Autoridade para a Comunicação Social. Espera-se que seja o mais depressa possível.

agosto 29, 2005

(act) Publicidade na Sábado?

O que dizer da capa desta semana da revista Sábado?
A propósito de um trabalho desenvolvido sobre "os brinquedos dos adultos" e, em concreto, do lançamento da nova consola portátil da Sony, a PSP (Play Station Portátil), a revista contratou dois modelos (que aparecem também na foto de abertura do trabalho, no interior) e fotografou-os pretensamente a jogar a PSP. Nas duas fotos, de página inteira, é claramente visível o aparelho da Sony (no caso, dois).

Primeiro: acredito que tenha sido uma opção meramente editorial (caso contrário, seria muito grave), mas igualmente discutível. É certo que se o gancho de actualidade que suporta o trabalho é a nova PSP, esta justificaria o destaque.
Mas há várias questões a ter em conta:
- o trabalho não é sobre a "play station portátil" mas sobre "a febre dos brinquedos digitais" (os "gadgets");
- há, no resultado final das fotos, uma colagem - na minha opinião excessiva - ao produto;
- haveria sempre outra forma de fazer, menos ostensiva, mais sugestiva (e, podendo parecer um pormenor, é aqui que a fronteira aparece);
- embora o trabalho me pareça muito equilibrado e com qualidade, as fotos dão claramente um sinal publicitário. Injusto?

PS - não sou leitor semanal da Sábado, mas penso que não é prática corrente esta colagem publicitária. Ou estou enganado?

Act a 1/9: que diferença na BBC

Uma denúncia (ou duas...)

O Público até é dos jornais que apresenta melhores suplementos (os dos relógios, por exemplo), mas a revista que acompanha a edição de hoje precisa de ser denunciada: podia ser informação comercial mas não, é política autárquica pura. A pouco mais de um mês das eleições ("Poder local 2005").
O que é que lá temos?
Textos assinados pelos presidentes de câmara ("muitos projectos transformaram e estão a transformar o rosto e o pulsar do Concelho [de Aveiro]"), press releases publicados acritica e laudatoriamente (Famalicão, "um concelho em desenvolvimento", "tudo isto foi possível neste mandato"), fotografias dos presidentes e vereadores no poder.
Nada disto é inocente: a empresa (exterior ao Público) sabe que este é o momento certo para fazer a revista - os recandidatos querem promover-se.
Mas também é evidente que uma revista panfletária como esta desequilibra o jogo democrático, porque só tem acesso ao espaço quem está no poder.
Isto, no Público, não pode acontecer! O jornal precisa de receitas-extra, mas estas são de curto-prazo, o jornal - como património de credibilidade - só tem a perder!
(como se não bastasse, acho estranho que em 120 páginas haja apenas sete de publicidade paga...)

PS - já que falo no Público de hoje, como é possível aceitar textos de opinião do actual portavoz do CDS a elogiar, de alto a baixo, Ribeiro e Castro (pág. 6, "Os desafios de Ribeiro e Castro")? Está tudo louco? Ou são os disparates do Verão?

agosto 22, 2005

Aposta e ganha (2)

Não foi há muito tempo que o presidente da Liga ameaçou os jornalistas (e os seus órgãos de comunicação social?) se estes não dissessem "Superliga Galp Energia". O patrocínio foi-se (e a Galp só conseguiu que isso acontecesse com contratos paralelos de publicidade, nomeadamente nos jornais) e chegou a "betandwin.com".
É certo que esta polémica sobre a legalidade do patrocínio é a melhor publicidade que a empresa (austríaca?) podia conseguir. Imaginando que o patrocínio é suspenso e que acabam por não pagar nada à Liga, já conseguiram um forte impacto publicitário na opinião pública portuguesa (televisões, rádios e jornais falar da "betandwin.com". Vale bem o milhão de euros por um ano inteiro.
Mas, polémica à parte, conseguirá a empresa de apostas que os jornalistas digam/escrevam "Liga betandwin.com"? Acho duvidoso. E acho que eles também sabem disso.
Por um lado, há uma rejeição inata dos jornalistas a questões publicitárias, por outro - e é o meu ponto de vista - custa-me ser marioneta. Agora chama-se isto, amanhã aquilo? Tenho de chamar aquilo que alguém quer se chame?
Sei que as equipas de ciclismo mudam de nome todos os anos e as de basquetebol também. E que os nomes devem ser respeitados. Mas há aqui qualquer coisa que...

PS - como será com o novo nome do estádio do Benfica?

agosto 16, 2005

Inadmíssível!

Mudar o nome de um programa para o associar directamente a uma campanha publicitária - neste caso do BPI, com Mourinho - é inadmissível. Sobretudo no serviço público (sendo que a questão legal e ética coloca-se a privados e públicos).
Como é que se justifica uma decisão dessas, Nuno Santos?

agosto 08, 2005

O Expresso sai vencedor

Agora que a notícia do alegado envolvimento de empresas e empresários portugueses no "mensalão" está em toda a comunicação social, é justo dizer que:
1) a generalidade da comunicação social portuguesa teve medo de mexer no assunto, sobretudo os diários económicos (temendo represálias publicitárias?) e deixando o Expresso dar a notícia que mais nenhum queria...
2) o Expresso sai vencedor desta polémica. Até pode ser que nada do que tem sido dito, a partir do Brasil, venha a ser confirmado, mas que havia inegável interesse jornalístico não tenho dúvidas. O Expresso não deixou cair a informação, mesmo quando pressionado para o fazer, e a notícia está agora em todo o lado.

Esta valeu por aquelas semanas todas a carregar o saco plástico!

julho 15, 2005

A notícia que ninguém quis dar!

Qual foi o assunto jornalístico da semana? O corte de relações entre o GES e a Impresa/Expresso.
Mas subjacente a essa polémica está a notícia do alegado envolvimento do GES no caso do "mensalão" brasileiro. Uma notícia com inegável interesse jornalístico mas que a generalidade da comunicação social portuguesa ignorou. Jornais generalistas e de economia, diários e semanários, todos noticiaram o corte de relações, mas sobre o caso nem uma linha de investigação, de aprofundamento, recorrendo por exemplo aos seus correspondentes.

Acabaram por reservar o exclusivo para o Expresso*, mas não foi por filantropia. Acho que foi por medo!

* com o pormenor delicioso de vários jornais terem noticiado que Nicolau Santos fora enviado ao Brasil para desenvolver o assunto! Aguardemos para ler amanhã a notícia que (mais) ninguém quis dar.

julho 12, 2005

(2 Act) O caso GES/Impresa e a liberdade de expressão

Não escrever, enquanto a questão não estiver (mais) clarificada parece uma decisão sensata; Não escrever sobre um caso tão importante para o jornalismo português é quase uma cobardia.
Pendurado por estas duas forças, aqui ficam algumas notas (sem prioridades):
- O Grupo Espírito Santo tinha anunciado um corte na publicidade por discordar do artigo do editor de economia do Expresso Jorge Fiel a 24 de Abril do ano passado; afinal manteve a publicidade (act a 14/7: "A administração do Expresso decidiu prescindir da publicidade que as empresas do grupo Espírito Santo (GES) ainda mantinham no jornal", do Público de hoje);
- As empresas fazem publicidade porque precisam, porque pensam que será bom para a sua facturação/imagem; se deixam de fazer saem, teoricamente, prejudicadas; um corte na publicidade é sempre uma forma de pressão;
- Mas da maneira que o GES põe as coisas, é mais do que um corte na publicidade (cortar "todas as operações e relações comerciais");
- A denúncia do GES de que a Impresa o forçou a aumentar os investimentos publicitários nos órgãos do grupo é uma realidade nova (para mim). Isso existe? Se o caso chegar a tribunal, como está prometido, poderá saber-se mais.
- Conheço muito bem Jorge Fiel (de quem sou discípulo) e tenho um grande respeito por Nicolau Santos. Não acredito que qualquer um deles tenha alinhado numa estratégia dessas;
- Posso estar a ver mal, mas este caso é um elogio à liberdade de expressão em Portugal. Só existe porque ela funciona. O Expresso não deixa de publicar o que acha que deve fazer*; o GES reage da forma que entende ser melhor para os seus interesses.
- ACT a 14/7: O Expresso mandou ao Brasil, para investigar a história, Nicolau Santos (dizem o Público e o JNegócios):
- Por falar em Jornal de Negócios: hoje são duas páginas; no Diário Económico nem uma linha. ALguma coisa não está bem.

* A notícia do Expresso ("BES envolvido no mensalão") está bem defendida. Era notícia. E será inatacável em tribunal, penso. Act a 14/7 - Paulo Padrão, director de comunicação, no Público de hoje: "no caso do assunto noticiado pelo Expresso, tive oportunidade de enviar à jornalista que nos contactou uma notícia publicada no Brasil (no jornal Estado de São Paulo) em que o IRB (entidade com que supostamente o GES teria relações) desmentia oficialmente qualquer relação com o GES. Foi solicitado ao Expresso que essa informação fosse incorporada na notícia para total esclarecimento dos leitores, o que não veio a acontecer".

ACT a 15/7: Pacheco Pereira na Sábado de hoje: "Não discuto sequer o conteúdo dos comunicados, sendo no entanto este sobre a retirada de publicidade do GES no grupo Impresa, uma demonstração clara (e um aviso para quem se sinta avisado) da correlação entre a atribuição de publicidade e o «bom comportamento noticioso», que roça a ameaça".

junho 08, 2005

Separar jornalismo da publicidade (mais)

A propósito deste texto, acrescento esta citação do Código de Ética da Associação Portuguesa das Empresas de Publicidade e Comunicação (APAP) (procurar em Notícias):

«3. Os Media
Reconhecemos o papel dos meios de comunicação social enquanto produtores de informação independente e equilibrada dirigida ao consumidor. Aceitamos que com a inserção de publicidade em meios editoriais, ou outros, não estamos a procurar influenciar a independência ou o equilíbrio do conteúdo editorial. Aplica-se, contudo, uma excepção às designadas “publi reportagens” que são apresentadas, de forma clara, ao consumidor como acordos de discurso entre o anunciante e o proprietário do meio
(via Jornalismo Digital)

junho 05, 2005

Separar jornalismo da publicidade

Este é, provavelmente, o 37º (!) texto em que tento denunciar a (evidente) promiscuidade entre jornalismo e publicidade: vê-se cada vez mais jornais e revistas a publicar publicidade com aparência de jornalismo.
Hoje volto a falar de O Comércio do Porto, e já não é a primeira vez. Qual é a novidade?
Hoje no Comércio e na Capital há um mesmo texto, comercial (ambos na página 15 de cada edição), mas se o primeiro dos dois jornais da Prensa Ibérica muda o tipo de letra do título, do destaque e do corpo do texto, a Capital apenas muda o do título (relativamente àquele que é o tipo habitual das páginas informativas).
Ou seja, estou certo que a maior parte dos leitores lerá este "Complexo termal de sonho onde a água é a estrela principal" como se fosse uma notícia. No cabeçalho de uma e de outra nem publicidade (e é!) nem publireportagem (uma formulação híbrida, com alguma honestidade). Apenas "Especial Balneário de Mondariz" (no Comércio) ou "Especial" (na Capital).
Mas a ideia subjacente a estes especiais, travestidos de notícias, não é mesmo enganar os leitores? Apanhar os mais incautos? Já agora, isso não é desonesto?

Penso que o Conselho Deontológico do Sindicato devia analisar e denunciar este tipo de informação. Porque ela descredibiliza o jornalismo, abre precedentes muito graves e adultera a relação de confiança com os leitores. E não há pior do que a conjugação destes três factores!

junho 01, 2005

Uma forma diferente de pressão

O Jornal de Negócios é, hoje, o primeiro jornal - que eu tenha visto - a desenvolver o caso das (alegadas?) pressões da BP, que suspende os anúncios quando há, nessas publicações, notícias sobre a recente explosão numa refinaria do Texas (da própria BP). Um caso que se segue a um outro protagonizado pelo Morgan Stanley.

Carlos Pinto Coelho falou disto segunda-feira na sua crónica semanal em A Capital (dica do Clube de Jornalistas), texto que - também - recomendo. CPC também fala no caso galego.

maio 28, 2005

"Aveiro Digital quer pagar entrevistas a jornais e rádios"

Lembram-se disto?
Pois, hoje o Público pega no assunto e desenvolve-o.
Dois excertos:
«Ainda que pareça não constituir uma ilegalidade, o objecto do concurso lançado pelo Programa Aveiro Digital pode ser entendido como um aliciamento e atentado à independência dos jornalistas. No Artigo 1º do Estatuto do Jornalista, estipula-se que "não constitui actividade jornalística o exercício de funções (...) quando desempenhadas ao serviço de publicações de natureza predominantemente promocional, ou cujo objecto específico consista em divulgar, publicitar ou por qualquer forma dar a conhecer instituições, empresas, produtos ou serviços, segundo critérios de oportunidade comercial ou industrial".»

«Contactada pelo PUBLICO.PT, a presidente da comissão executiva, Lusitana Fonseca, afirma que o objectivo da proposta "não é interferir em termos das respostas às entrevistas" mas antes "criar um contexto que visa divulgar os projectos que estão no terreno". "Nós não queremos influenciar nenhum jornalista, nós respeitamos totalmente a liberdade de imprensa", garante.
Lusitana Fonseca considera que são os próprios jornais e rádios que devem reflectir sobre se a proposta está conforme a lei ou não: "É um pedido de proposta. Se não estiver de acordo com a lei (...), com certeza que não me vão propor coisas ilegais", considera a responsável. "A não ser que agora queira que eu peça um parecer jurídico e andamos a gastar dinheiro do povo", disse ainda

maio 22, 2005

Jornalismo e publicidade

Um leitor deste blogue fez-me chegar uma curiosa proposta da empresa "Aveiro Digital", dirigida a órgãos de comunicação social do distrito, para execução de 20 entrevistas (texto e áudio) às "entidades beneficiárias" do projecto, que darão origem à "emissão de uma série de 10 programas rádio" e a 20 entrevistas na "imprensa regional ou nacional".
Estamos claramente no domínio da publicidade, paga, ao que parece travestida de jornalismo - algo que, genericamente, o Sindicato dos Jornalistas tarda em denunciar.
Qual é o problema, aqui?
Nada é dito nas condições enviadas aos interessados sob a forma como esses conteúdos serão identificados quando estiverem prontos (e se nada for dito em contrário, é jornalismo!), sendo que essa sinalização é fundamental para o leitor/ouvinte saber com o que é que conta - para não ser defraudado.
No fundo, situações como esta, ainda por cima financiadas por dinheiros públicos, só legitimam aquilo que é cada vez mais uma realidade nos jornais locais e regionais: a utilização do jornalismo como fachada para suportar publicidade e/ou propaganda, paga!

Se estes conteúdos aparecessem claramente como publicidade haveria lugar a crítica? Provavelmente não, mas sempre pergunto por que é que a Aveiro Digital, em vez de gastar dinheiro nestes conteúdos, não se preocupa em criar mensagens com valor mediático, que interessem verdadeiramente aos jornalistas - e que delas farão notícia?

maio 03, 2005

A invasão do marketing

Uma história lapidar no Diário Económico de hoje: "A empresa do grupo espanhol Telefónica Móviles investiu 7,5 milhões de euros na comunicação do alargamento do negócio a dez novos países da América Latina e apostou na utilização de estratégias de publicidade pouco usuais.
De entre elas, estão a inserção do novo logótipo da marca nas capas das revistas e nos títulos das notícias de jornais informativos espanhóis, sem que haja uma identificação clara de se tratar de conteúdo publicitário. (...)
Juanjo Berganza, director de comunicação da Movistar, sublinhou ao DE que a utilização destes suportes pressupôs a “aceitação por parte dos órgãos de comunicação social”, acrescentando que “não considera haver qualquer desrespeito pelas normas deontológicas”

Esta última declaração é notável, porque demonstra que se pode fazer tudo, achando que não se está a fazer... nada!


PS - o vice-presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas alerta, nessa mesma notícia do DE, para algo que já tantas vezes aqui tratei: "Avelino Rodrigues alerta para a falta de identificação da publicidade redigida, “que leva o leitor a pensar que está a ler uma notícia quando afinal se trata de promoção”."

março 03, 2005

A invasão do marketing

A página 5 de O Comércio do Porto de hoje apresenta um caso a merecer atenção:
publica como publicidade (?) (paga?), em meia página, uma notícia intitulada "Administrador da Refer visita obras de enterramento da linha férrea em Espinho".
O texto em causa está assinado, mas no final aparece a enigmática expressão "Comunicado de Imprensa". Tirando isso e o tipo de letra usado, é uma notícia igual às outras (nem sequer aparece o habitual "Especial" ou "publireportagem"). Mas, na verdade, não o é!
O que espanta neste caso em concreto é por que é que a Câmara de Espinho pagou (?) por uma notícia que seria notícia de qualquer forma (é-o no JN de hoje, pág. 26)!

fevereiro 22, 2005

A ténue fronteira entre informação e marketing

É obviamente um exercício simbólico, mas veja-se este caso, que mostra - penso eu - a diferença entre jornalismo e marketing, entre o rigor das notícias e a "liberdade" da publicidade.
Na Rádio Renascença, mal acabam os noticiários, há duas frases que se ouvem regularmente e que são puro marketing:
- "As notícias voltam às três ou a qualquer momento"
- "Estas e outras notícias em www.rr.pt"
E são marketing porque é, no primeiro caso, extraordinariamente raro a RR dar notícias "a qualquer momento"; no segundo, uma formulação como aquela diz que todas as notícias estão na página on line (além de outras). Estão mesmo todas? Correcto seria - por absurdo - "algumas destas notícias" ou "quase todas...".
O jornalismo apresenta-se rigoroso aos ouvintes; o marketing/publicidade não tem de ser comprovado.
O mais importante é isto: fará o ouvinte a distinção?

ACTUALIZAÇÃO a 23/2/05: nem por acaso, mais um exemplo da ténue fronteira!
Hoje de manhã, passou uma entrevista que fiz ao estratego da campanha de José Sócrates. Luís Paixão Martins contou algumas coisas bem interessantes, de uma área que é sempre desconhecida e, por isso, atractiva - os bastidores. O facto de ser raro (não digo inédito) ouvir quem tenha coragem de contar algumas dessas coisas e alguma curiosidade à volta da recente campanha vencedora foram os argumentos jornalísticos que justificaram a entrevista. Luís Paixão Martins saiu valorizado e a sua empresa pode beneficiar? Sim, da mesma forma que a Jordan passou a ter muito mais notoriedade depois de ter contratado um piloto português, que as empresas lutam por entrar no índice bolsista PSI20 (por causa da visibilidade/notoriedade) ou que este fim de semana a Guarda vai, provavelmente, receber muito mais turistas, por termos divulgado que tem estado a nevar...
Quem é que disse que nas notícias negativas só uma parte é que ganha?

ACTUALIZAÇÃO a 24/2/05: Já agora... (Francisco José Viegas, hoje no JN)

fevereiro 15, 2005

Uma ideia muito interessante!

O problema não é tão grave na rádio como na televisão, mas é óbvio que os espaços publicitários representam um perigo para a conquista de "share" na rádio - então, se esses ecrãs são prolongados, como acontece, por exemplo na TSF...
Neste contexto merece uma referência a ideia da Rádio Renascença* de "obrigar" os ouvintes a manterem-se ligados durante o tempo do intervalo publicitário. Como? Colocando, imediatamente antes, uma pergunta, cuja resposta aparece imediatamente depois (do género "Trivial Pursuit").
E é interessante porque - já me aconteceu diversas vezes - nos leva a ficar à espera dessa resposta: se não sei, fico a saber; se acho que sei, tenho de confirmar.
É uma ideia que devia ser seguida (e nem sei se é uma criação original da RR), devidamente adaptada ao perfil de cada rádio - neste aspecto, a própria Renascença tem de trabalhar melhor: hoje, por exemplo, antes das 9.30, perguntavam pelo nome de um pintor cubista chamado George Braque (as perguntas poderiam ser mais úteis e próximas da realidade, evitando-se os virtuosos conhecimentos enciclopédicos).

* Não começou agora, mas o critério de novidade não é exlusivo neste blogue...

janeiro 19, 2005

Obrigado "Grande Reportagem"!

A "Grande Reportagem" é, neste momento, a melhor das revistas de notícias. E esta semana voltou a marcar pontos com duas reportagens excelentes: a de Felícia Cabrita (denunciando inequivocamente o que muitos sabiam mas não quiseram assumir ao longo de décadas na diplomacia portuguesa) e, principalmente, a de Jorge Henrique Bastos, com as "contas do Diabo" (a revista prova que o governo regional da Madeira paga semanalmente um valor considerável ao jornal "O Diabo", por conta de uma publicidade que nunca existiu; apenas existe a página de opinião de Alberto João Jardim...).
Depois de ler a "Grande Reportagem", até os mais cépticos se reconciliam com o jornalismo!

Actualização a a 20/1:
"Não fosse o diabo tecê-las, alguém tomou medidas para impedir a distribuição da revista na Madeira. Segundo o jornal "Público", a "Grande Reportagem" deixou de ser distribuída na Madeira com o "Diário de Notícias" funchalense, alegadamente por razões financeiras relacionadas com o porte pago. «Por coincidência», salienta o "Público", «o número com "O Diabo No Jardim" na capa foi o primeiro que não chegou aos leitores madeirenses»."

Actualização a 21/1:
O trabalho de Miguel Carvalho na Visão desta semana também aborda esse jardim de liberdades e democracia que é a Madeira e as consequências no jornalismo!

dezembro 29, 2004

A invasão do marketing (uma denúncia)

7. Há indícios de tentativas de controlo de critérios editoriais pela Administração e da sua subordinação a regras determinadas pela publicidade, sendo proposto a alguns jornalistas a feitura de “publireportagens”.
Comunicado do Sindicato dos Jornalistas, sobre a situação no grupo Impala

novembro 08, 2004

A Visão

Ao contrário, merece elogio a separação das chamadas “publi-reportagens” (textos publicitários paginados como se fossem notícias/reportagens), identificadas claramente como publicidade, por exemplo na pág. 107.

A Visão

A Visão publicou um trabalho de Sebastião Salgado “sobre os últimos recantos da Terra que se apresentam virgens da acção humana”. No canto inferior esquerdo aparece a expressão (e o logótipo) “Com o apoio da PT Comunicações”. Tudo bem, é justo. O que me parece estranho é que no texto introdutório (jornalístico) se diga: “Concluímos nesta edição – sempre com o apoio da PT Comunicações – a publicação...”.
Não havia necessidade...

A Visão

Os jornalistas que escrevem sobre automóveis são um caso à parte! Lembram-se daquela polémica com Emídio Rangel?
Pois na página 161 pode ler-se: “Tamanho não é problema? Com o Modus, a Renault confirma que os automóveis não se medem aos palmos. Com aparência jovem, o monovolume citadino da marca francesa tem apenas 3,8 metros de comprimento (como um Clio), mas é um elogio à arte da funcionalidade. A possibilidade do banco traseiro deslizar, maximizando o espaço para pessoas ou bagagem, os múltiplos locais para arrumar objectos e a abertura independente da tampa da bagageira (...) são alguns detalhes deste Modus cuja versatilidade se adapta a todos os modos de vida (...).
Não tem um único defeito? Uma coisa assim pequenina que seja um pouco negativa? Quero dois...

novembro 03, 2004

Não pode ser ignorado!

"Ser jornalista é hoje recolher notícias que outros embrulham no meio da publicidade e da propaganda. Honrados profissionais vivem hoje essa agonia"

setembro 24, 2004

"A contaminação da linguagem publicitária no jornalismo"

foi um dos temas abordados pelo jornalista e docente universitário Fernando Correia (sem ligações à rádio...) no último programa do "Clube de Jornalistas".
Ele explicou que há cada vez mais paradigmas da publicidade ("emocional", "espectacular", "sedutor") que impregnam a informação.
Fernando Correia também falou na necessidade de um código de ética para os patrões da comunicação social!

PS - a propósito deste programa: nota-se um grande contraste entre a abertura do programa (suportada pelo teleponto) e a parte dos considerandos/perguntas, Carla. Portanto?

setembro 06, 2004

Coisas que fascinam

Lê-se:
"... que apenas se realiza [o jogo de futebol] na próxima segunda-feira e que será transmitido por uma estação televisiva".
Várias notas:
- dizer que que vai ser transmitido por "uma estação televisiva" não é informação; qual? pergunta imediatamente o leitor;
- se é óbvio que será na Sport Tv, então por que é não se escreveu?
- ainda existe receio de citar o nome da concorrência; injustificado;
- "estação televisiva" não é o mesmo que "transmitido pela televisão"? não é assim que falamos?

agosto 04, 2004

A publicidade e o jornalismo

A propósito do texto de ontem, sobre a influência do marketing (e da publicidade) no editorial, uma citação:
"A publicidade não tem credibilidade. É a empresa [quando lança uma nova marca através da publicidade] a ser portavoz da sua própria ansiedade de vender"
Ries, Al e Laura, "A queda da publicidade", Editorial Notícias, Lisboa, 2003, pág 11

julho 28, 2004

Corrupção e suborno

O sítio do Sindicato dos Jornalistas dá conta da adesão da FIJ à Carta de Princípios contra a Corrupção nos Media.
De que fala essa carta (de acordo com a transcrição feita)?
De coisas bem próximas:
- da necessidade de distinguir - CLARAMENTE - publicidade, patrocínio ou promoção (ao cuidado de todos os jornais portugueses, que incluem suplementos pseudo-informativos, mas que não passam de estrat