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julho 08, 2005

Auto-censura

Já o escrevi mais do que uma vez: em 15 anos de TSF a única limitação que senti foi quando tive de noticiar assuntos que interessam ao accionista/proprietário (e não eram coisas da ou sobre a TSF)...
A generalidade dos empresários de comunicação social defende a liberdade de expressão, acredita nas virtualidades económicas do pluralismo e até está preparado para ouvir queixas dos amigos, quando estes são visados por alguma notícia. Agora nas suas próprias coisas...
Nunca fui censurado, mas já fiz, uma ou outra, vez auto-censura!
Por que é que me lembrei disto? Comprei o número de Junho da revista Marketeer. E logo a abrir pode ler-se uma entrevista do director editorial ao (seu) administrador-delegado.
Que termina com esta pergunta: "Um último desejo?"
Não faria sentido que estas entrevistas fossem feitas por jornalistas exteriores à publicação?

maio 04, 2005

As apostas editorais como critério de notícia

Penso que, dentro da lista de critérios substantivos que fazem o jornalismo (os news values), falta estudar o peso - cada vez maior - das apostas editoriais de cada órgão nos alinhamentos noticiosos
E não me estou a referir ao facto de haver um exclusivo, que pode condicionar esses alinhamentos. Falo, por exemplo, em produtos pagos (provavelmente caros...), como uma sondagem!
A propósito de quê? Da troca que aconteceu ontem entre TSF e DN.
Como é público, ambos mantém uma longa colaboração com a Marktest para um barómetro mensal, que inclui diversas questões de actualidade.
A apresentação é combinada, de modo a que as mesmas respostas saiam à meia noite e na manhã seguinte na rádio e no jornal desse dia.
Só que ontem a TSF divulgou as conclusões sobre os dois referendos mas o DN trouxe as respostas sobre as presidenciais, do mesmo barómetro. Um deles ter-se-á equivocado.
O que fez com que, hoje, a TSF divulgasse as presidenciais e o DN os referendos. Ou seja, ambos com 24 horas de atraso.
Porquê? Provavelmente porque o "produto" é caro e não se pode desperdiçar. Mas, claramente, o interesse, hoje, estava muito reduzido: sem novidade, sem actualidade, restava o quê?

março 14, 2005

Declaração de interesses no Público?

"(...) O facto mais recente e mais evidente de uma situação de contornos não completamente esclarecidos foi uma reunião na semana passada entre os membros eleitos do Conselho de Redacção do "DN" (texto no Público, o principal concorrente do DN) e os dois administradores da Global Notícias, sem a presença do director do jornal, Miguel Coutinho, que por inerência de funções preside ao Conselho de Redacção."

ACTUALIZAÇÃO a 15/3: um leitor atento deste blogue alerta para, na mesma edição, uma outra situação de hipotética necessidade de declaração de interesses: a manchete do jornal é "Venda de alguns medicamentos fora das farmácias não é perigosa". Ora sendo o accionista do Público o proprietário da maior empresa portuguesa de hiper e supermercados, isto exige ou não a tal "declaração de interesses"? Há quem ache que sim!

agosto 17, 2003

A Volta a Portugal em bicicleta que hoje terminou foi mais um exemplo das perversidades dos exclusivos e, principalmente, do estatuto de (neste caso) "televisão oficial".
Tem alguma lógica que para a RTP este tenha sido um acontecimento que ocupou horas e horas diárias e para a concorrência televisiva às vezes nem 1 minuto?
Não estamos a falar de uma mesma coisa?
Os critérios jornalísticos não são - com subtilezas - universalmente aceites?
A própria TSF também esteve mal; como não tinha o estatuto de "rádio oficial" optou por uma cobertura minimalista (quando, em anos anteriores, sendo "rádio oficial" até a helicópteros recorreu...).
Todos estão de acordo que esta foi a melhor volta dos últimos anos. A nível de organização, competição e emoção. Com os portugueses a ganharem tudo.
Pois não foi isso que terão pensado os telespectadores da SIC ou da TVI ou, mesmo, os ouvintes da TSF (ainda bem que não há espectadores ou ouvintes puros).
Admito que a organização precise de disciplinar o acesso às imagens, porque não pode haver três helicópteros nem três motos por cada estação.
Mas a opção vigente, a de dar tudo à estação oficial, é altamente perversa, porque faz com que a concorrência (para não ser obrigada a reconhecer que não tem) desvalorize. Até para quem organiza é mau...
Considero esta questão dos estatutos negociados uma forma de pressão interna, uma vez que cada jornalista, ou cada editor, fica impedido, por acordos anteriores (à sua margem), de apostar na cobertura que melhor entender, no momento que melhor entender.
Um jornal, uma rádio ou uma televisão nunca deveriam ser oficiais de coisa nenhuma. É anti-jornalístico...