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maio 25, 2006

O passo em frente de LPMartins

No Público de ontem, Luis Paixão Martins fez publicar um artigo de opinião em que dá mais um contributo para a discussão - LPM aceita algum tipo de regulação, fala na necessidade de criar um novo código de conduta para as empresas de conselho em comunicação e promete, com um código de conduta interno, ser mais (*) transparente na relação com os seus clientes:

«O episódio Carrilho leva-me, no entanto, a rever a posição. Pode dar-se o caso de, mesmo com o completo desconhecimento dos jornalistas e media "envolvidos" e contra o mais elementar bom senso, existam empresas de conselho em comunicação que tendam a apresentar, no âmbito da assessoria mediática, propostas com objectivos. Podem fazê-lo em documentos formais e podem, mais facilmente, fazê-lo em contactos informais. Urge pôr cobro a tais práticas.Pode ainda dar-se o caso de haver empresas que facturem os seus serviços em função dos resultados mediáticos obtidos. É uma prática que, além de repugnante, pode induzir os clientes em erro, no erro de presumirem que aquilo que pagam não se destina a pagar os serviços da empresa, mas a pagar jornalistas. É para evitar este tipo de confusão que discordo de - e não utilizo - a expressão "agências de comunicação", porque associo o conceito de "agência" a uma intermediação retribuída por comissão (como é a retribuição das agências de meios). As empresas de conselho em comunicação devem ser retribuídas por honorários previamente estabelecidos (e estáveis ao longo do tempo) e que se destinam a compensá-las dos recursos humanos envolvidos. A apresentação de propostas com objectivos, além de irrealista, é um expediente que prejudica a imagem destas empresas, que não ajuda os potenciais clientes a compreender o funcionamento dos media e que revela, da parte dos seus autores, uma concepção pouco séria e nada rigorosa do relacionamento com os jornalistas. O mesmo se pode dizer de outras práticas como a retribuição em função dos resultados mediáticos obtidos»

Algumas questões:
- já existe um código de conduta na APECOM - se não for cumprido, não há crise; este novo, a existir, será diferente? Em quê?
- defenderá LPM a existência de sanções para os não cumpridores?
- isso implica integrarem esta actividade profissional no âmbito da ERC, por exemplo, ou será auto-regulação?


(*) Se escrever «ser mais transparente» estarei dizer que não é suficientemente, entendendo-se como uma crítica? Se acrescentar «ainda» «mais transparente», estarei a demonstrar adesão às qualidades da empresa, entendendo-se como um elogio?

maio 22, 2006

(ACT x 3) As velhas e recorrentes pressões que suavizam a coisa

Act a 30/5: «para Ribeiro Cristóvão esta referência é "claramente" intimidatória para o trabalho dos jornalistas. O responsável da Renascença vai mais longe e realça que esteve em Saltilho no "pós-1976 onde as relações sempre foram muito difíceis, mas a FPF nunca se arrogou ao direito de cassar * as acreditações". Também Miguel Barroso, subdirector de informação da RTP estranha esta nota, que pontua de "ilegal" por violar "uma série de leis, nomeadamente a Constituição e o acesso às fontes".» (DN de hoje)
*Tonar nulo ou sem efeito; anular; fazer cessar, proibindo (Dicionário da Academia das Ciências, vol1, 727)

Act a 26/5: «Hoje fiquei a saber que o treinador da selecção nacional deu uma entrevista ao seu assessor de imprensa privado para distribuir umas tiradas aos jornalistas. Nem os mais criativos assessores do governo se lembraram de um método tão eficaz para quem se julga a cima do escrutínio jornalístico. Já Imaginaram José Sócrates a dar uma entrevista a Luís Bernardo para depois a distribuir pelas redacções?». Assim?

Act a 25/5: Ouvi esta tarde o assessor de imprensa da Selecção Nacional (o ex-futuro-jornalista Afonso Melo), em directo, na conferência de imprensa, dizer que determinada pergunta, feita por um jornalista a Nuno Gomes, não é admissível (tinha a ver com uma questão marginal ao futebol, mas ligada ao estágio - os filmes piratas que terá levado para Évora). Que Nuno Gomes dissesse que não queria responder, tudo bem; que não os deixem, sequer, responder, não é aceitável. Ninguém protestou...


«A Assessoria de Imprensa da Selecção Nacional - Clube Portugal, como responsável pela emissão das acreditações para o estágio a realizar em Évora, reserva-se o direito de retirar a acreditação a qualquer membro da Comunicação Social que não respeite o espírito de cooperação e saudável relacionamento de trabalho que presidiu à elaboração desta regulamentação»

(dica Contrafactos)

maio 12, 2006

Rangel volta a atacar!

Vou tentar ler, no fim de semana, o livro de Manuel Maria Carrilho.
Mas fica, desde já, o aperitivo:

«Segundo Emídio Rangel, “há agências de comunicação social com jornalistas avençados das formas mais variadas para o serviço sujo, para silenciar e comprar estratégias comunicacionais, para fabricar heróis, construir imagens positivas ou para destruir a imagem de alguém (...) O mau jornalismo tem vindo a impor-se e a ganhar muitas batalhas ao bom jornalismo. No mundo da política, então, assume proporções alarmantes perante a indiferença do Estado, do Governo, da tutela dos jornalistas”.»

abril 04, 2006

(ACT) Jornalismo na página da Câmara do Porto?

Que a página on line da Câmara do Porto está a ser usada pela autarquia para resolver algumas dificuldades relacionadas com polémicas jornalísticas não é novidade (e até pode ser legítimo); agora que a página esteja a fazer jornalismo (!) já é surpreendente. Sobretudo desta forma:

«Fontes próximas do JN confidenciaram [à CMP] que, ao tentar passar a ideia que o Presidente da CMP gostaria que ele fosse substituído, Pereira pretende apenas condicionar a actual administração do jornal. «Desta forma Leite Pereira está a enviar um recado para dentro, dizendo que se o substituírem, a leitura será de que a administração é fraca e, por isso, cede a terceiros».
A linha editorial de Leite Pereira tem passado por dificuldades, face à quebra de vendas que se tem registado e que, no último ano, ultrapassou os 15%, segundo notícia também publicada na mesma edição do Expresso
».

Fontes anónimas?
Citações anónimas?

Vale tudo?

fevereiro 11, 2006

O contraditório como exercício jornalístico

O exercício jornalístico do contraditório é um valor absoluto. Mas a sua efectivação não é um dogma (ou seja, há mais do que uma forma de o fazer, depende do caso em concreto). Por outras palavras, e para ser muito concreto:
- em relação a este caso, parece-me fazer sentido, naquele contexto, as jornalistas da Lusa terem construído uma notícia só com as escolas sem internet (não tendo de incluir a posição do Ministério nesse mesmo despacho - por uma questão de desenvolvimento lógico e de espaço). A seguir fariam outro com as explicações governamentais. E, no menor curto espaço de tempo, haveria dois despachos para serem comparados e analisados. E fundidos, se alguma redacção o entendesse.

Uma acusação directa a alguém é algo que exige, no mesmo instante de difusão, (pelo menos tentar) ouvir o visado. Mas da mesma forma que o despacho com as declarações de José Sócrates não deixou de ir para a linha sem que fossem consultadas as escolas (e não é por serem centenas, seria da mesma forma se fosse apenas uma), o despacho com as escolas sem internet não precisava da versão do Ministério para ser libertado.

fevereiro 08, 2006

(ACTx2) Algumas coisas sobre o caso recente da Lusa

A seu tempo se conhecerá mais sobre este caso. Mas há algumas coisas que podem (devem?) ser ditas:
- parece claro que a assessora do ministro da Ciência foi longe de mais (há pressões inadmissíveis); o comunicado do Conselho de Redacção não deixa margem para dúvidas;
- ouvir apenas a directora de informação no Parlamento não contribui para o apuramento da verdade (o PSD fez, com este requerimento, a figura de idiota útil, que o PS parece agradecer); pelo menos, o Conselho de Redacção deveria ser chamado; mas muito mais importante seria ouvir a assessora de imprensa do ministro;
- uma fonte anónima não pode corrigir uma primeira notícia, a partir de uma fonte identificada; além de parecer suspeito, é uma incorrecção técnico-deontológica; ACT a 11/2: só agora vi o comentário que uma jornalista da Lusa deixou no Jornalismo e Comunicação sobre o assunto: "Não dizia o nome da fonte que lhe permitira fazer as correcções técnicas, mas dizia de onde era (do MCTES). Como não se tratava de matéria de opinião, concordo com a opção tomada". Não é a minha opinião, mas registo.

E agora aguardo.
ACT a 10/2: o PSD quer ouvir também o CR. É bem visto. Falta a assessora...

fevereiro 06, 2006

ACT O que se passou na Lusa no final da semana passada?

Leio no Público de sábado:
"Jornalistas que investigaram as declarações de Sócrates sobre a instalação de banda larga em milhares de escolas terão sido acusadas de excesso de voluntarismo"

(pelos vistos houve seis notícias da Lusa em 48 horas. Encontrei , , a , a e a ; a 3ª desapareceu?)

O que é preocupante (muito, mesmo) é isto:
- "A iniciativa de verificar se as escolas estavam de facto equipadas com banda larga foi, ao que o PÚBLICO apurou, severamente criticada pela directora de informação da Lusa. Nesse mesmo dia, Deolinda Almeida terá acusado as três jornalistas que investigaram as declarações de Sócrates de excesso de voluntarismo e terá expulsado as profissionais da redacção"

Apenas o Público desenvolveu, no sábado, o assunto. E estão muitas perguntas no ar. Mas um jornalista que escrutina o poder nunca pode ser considerado voluntarista. Mas expulsar da redacção? Na Lusa? Alguém pode explicar?

ACT a 8/2: "Conselho de Redacção da Lusa denuncia “cedência” a pressões do Governo" («o CR da Lusa classifica o trabalho levado a cabo pelas três jornalistas como "um bom exercício de jornalismo e um exemplo de investigação jornalística"»)
Da própria LUSA: "A direcção de Informação da AGência Lusa vai pedir pareceres aos Conselho Deontológico e à Alta Autoridade sobre o tratamento noticioso da Agência (...)"

janeiro 06, 2006

Sampaio no Diário Económico

A Presidência da República desmentiu esta manhã uma notícia do Diário Económico. Em dez anos, a Casa Civil de Jorge Sampaio desmentiu algumas notícias. Mas não é normal. Anormal mesmo é desmentir uma declaração do próprio Presidente, citada entre aspas!
A Presidência diz que a declaração "é completamente falsa" o que, a ser verdade, remeteria para o domínio da fraude jornalística. Para aumentar a densidade da história, a peça no DE é assinada pelo próprio director, Martim Avillez Figueiredo, e pelo director-adjunto, António Costa.

O que é que se passou? O jornal, que reafirma a sua informação, dá uma explicação: "Perante a importância da declaração, e pelo facto de estar a falar com a porta-voz do Presidente da República, o director do Diário Económico perguntou, por duas vezes, se a frase era mesmo para ser citada.
A porta-voz do Presidente da República disse que sim, e inclusivamente modificou algumas palavras da declaração inicial
."

Parece-me uma versão muito credível, que - a confirmar-se - deixa entender algum problema de articulação na Presidência. Mas o caso também remete para um pormenor: o hábito que os jornalistas têm - e eu faria o mesmo - de atribuir ao protagonista declarações feitas por assessores ou portavozes. É certo que eles, em teoria estão lá para isso, mas talvez não fosse pior acrescentar no texto "através do assessor ou do portavoz".

janeiro 02, 2006

Punhos... de renda!

"Como se não bastassem as dificuldades de uma candidatura independente, Manuel Alegre tem outra dor de cabeça. Os jornalistas que o acompanham andam às avessas com António Florêncio, o assessor de imprensa da candidatura. Depois de ele ter sugerido «ir lá para fora» resolver um problema com o repórter da TSF, Alegre viu-se forçado a telefonar a outros jornalistas que tiveram problemas com Florêncio, a pedir desculpas em nome do assessor (...)" (na revista Sábado desta semana).

novembro 14, 2005

Sócrates controla!

Eis uma estratégia de comunicação perfeita:
Sócrates e o governo explicaram, durante uma semana, em "on" ou "off", que o aumento do ordenado mínimo não poderia ser muito mais do que 2,3%, o que motivou críticas dos sindicatos.
Nos últimos dias os jornalistas dividiram-se entre os que falavam claramente entre os 2,3 por cento e os que iam um pouco mais longe, 2,5%.
Hoje Sócrates chegou à reunião da concertação e anunciou 3%.
Surpreendeu tudo e todos e conseguiu, até, uma coisa insólita, o aplauso de algumas confederações patronais!
Dá ideia que a polémica morreu à nascença e o assunto, amanhã, já não será notícia.
(O que fez Sócrates? Manteve a expectativa muito baixa, resistiu a qualquer tentação de dar um sinal sobre o que ia fazer, foi disciplinado, e quando chegou o momento deu a estocada - nem mesmo os sindicalistas estariam à espera de um aumento de 3 por cento)

(obrigado Pedro)

novembro 02, 2005

Rui Rio e a comunicação social

Rui Rio apresentou, na segunda-feira, um conjunto de medidas insólitas, que merecem alguns comentários:
- se por um lado surpreendem pelo ineditismo e aspecto fracturante, por outro mais não são do que o corolário de uma estratégia que tem vindo a ser seguida pelo actual presidente da Câmara;
- algumas das regras - estou certo - vão ser revistas e resultam de uma decisão mais emocional (as entrevistas por escrito, por exemplo);
- os mais prejudicados são, claramente, os municípes. Mas será que estes sentem isso? Já os órgãos de comunicação social e os jornalistas sobreviverão a esta espécie de blackout (haverá, obviamente, mais fontes anónimas na Câmara do Porto);
- apesar do que acabei de escrever, admito que estou curioso para ver como vai acabar esta cruzada de Rui Rio contra o quarto poder. Mas esse combate deve ser feito dentro das regras democráticas, as mesmas que Rio invoca. Nesse sentido, as acusações feitas ontem pela direcção do JN são graves (o texto não está na rede, mas diz que o autarca pressionou para que a Direcção do jornal fosse alterada).

Nem por acaso: Os jornalistas são a segunda profissão mais valorizada em Portugal, diz o DN de hoje.

outubro 14, 2005

Uma estratégia de comunicação insólita

Cavaco Silva ainda não é candidato à Presidência da República. Mas já tem mandatários, colaboradores directos a trabalhar consigo e até uma agência de comunicação contratada.
Antigamente, quando isto era a brincar, primeiro o candidato apresentava-se e depois criava a sua infra-estrutura de apoio.
Agora, o anúncio formal da candidatura é a última coisa a surgir.
(LPM não está habituado a perder. Mas desta vez parece que vai ser mais fácil...)

julho 14, 2005

O meu colesterol é 230, interessa?

Primeiro contaram-me mas, perante a minha incredulidade, fizeram-me chegar o texto, para que não ficassem dúvidas!

O ministro da Saúde iniciou esta semana aquilo que o seu assessor de imprensa chama de “briefing” quinzenal com jornalistas.
Até é de elogiar a disponibilidade do ministro.
Mas o pior vem a seguir:
- as declarações do ministro podem ser registadas, “desde que não façam uso de registo áudio ou vídeo” e divulgadas (a não ser que algum tipo de confidencialidade seja pedido expressamente);
- o assessor do ministro quer um “grupo de jornalistas fixo” e pede para ser avisado “com razoável antecedência” quando houver alterações;
- o assessor pede que lhe sejam indicados: os números de telefone fixo e telemóvel dos jornalistas destacados (dois por órgão), o endereço de e-mail e – o melhor vem agora – “os dias de folga quando fixos e os dias de férias”;

Ou isto não é para levar a sério ou então é preocupante: um ministro chama os jornalistas para encontros regulares em que não é possível fazer registo de som ou imagem?! E quer saber os dias de folga e férias dos jornalistas? Prefiro pensar que não o levaram a sério…

PS – (que eu tenha visto) A Lusa e o Público transcreveram declarações do ministro nesse encontro; o DN não.

junho 23, 2005

Uma estória triste mas verdadeira...

Um certo e determinado ministro disse em meados de Maio que iria, no prazo de duas semanas, apresentar medidas urgentes para resolver um grave problema.
As duas semanas passaram e um jornalista (que tinha guardado o recorte do anúncio) ligou para saber novidades.
Resposta do assessor de imprensa (até há pouco jornalista): tão cedo não vai haver nada, seguramente nas próximas semanas não iremos revelar nada;
Admirado, o jovem jornalista falou com o seu editor, que – surpreso – lhe pediu um novo contacto com o mesmo assessor – será mesmo assim?
O segundo contacto fez-se mas a resposta foi a mesma.
O jornalista pegou nesses dados, juntou-os aos que já tinha do passado e começou a ouvir reacções dos chamados “parceiros sociais” (todas negativas).
Duas horas depois, o mesmo assessor – assustado com algo que teria chegado ao conhecimento do ministro – telefonou a dizer que as medidas seriam anunciadas até ao fim deste mês. Mas não podia (não sabia?) uma data. E a notícia acabou por não ser feita.
No dia seguinte o ministro, no final de uma cerimónia, anunciou algumas das medidas e 24 horas depois a informação está em vários jornais, entre os quais o Expresso: neste são anunciadas mais medidas e uma data em concreto.

Notas a retirar desta estória:
- o assessor de imprensa ou mentiu ou foi incompetente (porque reafirmou uma informação sem ter disso confirmação - o que não é nada provável);
- o assessor de imprensa não quis dizer a data para não estragar a notícia do Expresso;
- a mentira terá sido uma forma de desmobilizar o jornalista. E conseguiu-o...

Por que é que esta estória vale a pena? Porque mostra (mais uma vez - é um dos temas recorrentes desta página) como a dialéctica jornalística é profundamente instável/precária (o que gera muita incompreensão nos receptores). Se a notícia tivesse sido emitida (no caso da rádio) na hora seguinte à primeira informação, seria a seguir desmentida? Mesmo confirmada duas vezes com a mesma fonte oficial?

abril 28, 2005

(act) Uma entrevista notável

O director-geral da empresa de comunicação Weber Shandwick/DE, António Peres, dá hoje uma entrevista notável ao Jornal de Negócios. E classifico-a de notável pelo desassombro das suas afirmações (e não é tanto por estar de acordo com tudo o que diz; estou mesmo!):
- publicação obrigatória das contas das empresas de comunicação;
- necessidade de um estatuto sócio-profissional para os técnicos desta área;
- falta de uma associação representativa ("o número de agências que a APECOM representa já não tem nada a ver com aquilo que a associação representa");
- falta de uma entidade reguladora;
- consultoras de comunicação não devem ser proprietárias de meios de comunicação;
- vantagens em regulamentar o lóbi;
Terá consequências?

ACTUALIZAÇÃO a 29/4: Obviamente teria consequências! Um leitor fiel chamou-me a atenção para uma afirmação no sítio da Weber Shandwick («... is the leading public affairs and government relations specialist in Portugal»). E se se fala em transparência, não deveria haver uma lista dos clientes governamentais portugueses?

janeiro 30, 2005

Coisas de spin...

Tenho (e não chegam só para mim...) recebido emails de assessores de imprensa de ministros a convocar os jornalistas para actividades de campanha.
Se é certo que os ministros arranjam tempo para também fazer campanha eleitoral, já é mais duvidoso que os assessores (os mesmos assessores) o possam fazer. Estão a ser pagos pelo erário público e não são candidatos! Ou será que suspenderam funções nos respectivos gabinetes?

dezembro 13, 2004

Um pormenor

É - insisto - um pormenor, mas não deixa de merecer uma notinha: o Jornal de Negócios publica hoje uma "breve" sobre a condecoração que o presidente da Polónia atribuiu ao presidente do BCP/Millennium. Com uma foto do momento da condecoração.
Essa foto não tem qualquer indicação sobre a origem, mas há instantes acabei de receber no meu email a mesma foto, enviada pelo próprio BCP.
- o BCP fez muito bem em promover a imagem do seu presidente;
- e é legítima a antecipação dada a esse jornal em concreto (pelo menos);
- mas o jornal deveria ter revelado a origem da foto. Vários, nestas circunstâncias, usam um expediente chamado "Direitos Reservados" mas o respeito pelo leitor implicaria qualquer coisa como "foto cedida pelo Millennium/BCP".

Um caso muito concreto

de jornalista-assessor-jornalista é contado por José Mário Costa no portal do Clube de Jornalistas.
Não sendo possível proibir o vai-e-vem, ao menos que seja definido um período temporal de incompatibilidade no regresso ao jornalismo (que impeça o exercício da profissão em absoluto ou, pelo menos, limite a abordagem a outras matérias diferentes daquelas que antes eram tratadas como assessor).
O PS irá manter uma proposta nesse sentido, agora que chegou a altura de apresentar programas eleitorais?

O Sindicato dos Jornalistas poderia fazer a proposta e enviá-la aos diferentes partidos...

ACTUALIZAÇÃO: a caso teve desenvolvimentos. O Contrafactos sistematizou-os.

dezembro 06, 2004

Uma ameaça ao jornalismo

Trata-se de um novo fenómeno, mas inspirado em práticas e ambições antigas: existem cada vez mais entidades que fornecem aos jornalistas já não os clássicos "press releases" mas "produto final" noticioso! É o caso dos excertos de entrevistas enviados às redacções.
Aproveitando o desenvolvimento tecnológico, os assessores das instituições fazem chegar por correio electrónico entrevistas que eles próprios fazem. É perverso, não?
Aproveitando algum comodismo e muita falta de meios nas redacções, sobretudo da comunicação social local, as instituições em causa conseguem autênticos tempos de antena, com sons higienicamente seguros (promocionais ou simplesmente neutros).
Veja-se a "sala de imprensa" do "site" do Sporting de Braga...
Também é muito interessante a proposta da Central de Informação, designada por "Repórter Virtual"...

(PS - penso que esta será uma preocupação para um novo conselho deontológico do Sindicato dos Jornalistas; denunciar já é meio caminho andado...)

dezembro 01, 2004

Subsídios para a polémica das agências de comunicação

Em finais de Maio do ano passado, o ex-ministro da Saúde Correia de Campos contou, durante um debate que decorreu na Escola Nacional de Saúde Pública (Lisboa) este caso. Reproduzo-o da forma como o fixei:
Como ministro apanhou uma chamada "crise das meningites" e viu-se pressionado pela opinião pública a autorizar um plano de vacinação que permitiu a um laboratório vender 10 milhões de euros de vacinas em 15 dias.
Correia de Campos disse nesse debate que, mesmo nessa altura, achava o plano desnecessário. Mas autorizou. Porquê?
O ex-ministro falou na existência de uma cabala, envolvendo o referido laboratório (que não citou), uma empresa de relações públicas (que não nomeou) e delegados de informação médica, transformados em informadores. Mal sabiam de mais um caso, avisavam o laboratório, que avisava a empresa de RP, que avisava os jornalistas. Ainda antes do ministro saber...
Quando Correia de Campos aparecia em público, os repórteres confrontavam-no com "mais um caso sr. ministro. Que pensa fazer?".
O ministro cedeu e autorizou o plano.
Elucidativo?

O que eu acho

1) Ao contrário do que disse Salvador da Cunha (APECOM/Bairro Alto), no debate do Clube de Jornalistas, a actividade de consultoria não é escrutinada; alguma vez foi?
2) Deveria existir uma inscrição obrigatória, um estatuto do consultor ou assessor (ou dos dois...)e uma forma de avaliar deontologicamente essa actividade;
3) O conselho em comunicação/as relações públicas/a assessoria é uma actividade muito importante, demasiado importante para ficar apenas nas mãos dos consultores, relações públicas ou assessores!

novembro 23, 2004

Eu vou ver...

As agências de comunicação ameaçam a liberdade de imprensa?
no Clube de Jornalistas
Dois destaques:
«Filipe Santos Costa: (…) O mau jornalismo é que é um perigo para a liberdade de imprensa (…) quando os jornalistas se deixam seduzir pelas estratégias de sedução das agências (…) que são muitas, (…) benesses, almoços, jantares e ideia de proximidade com o poder (…). Há agências que têm como clientes potenciais anunciantes e podem ser veículo de pressão (…). Fazem planos integrados onde estão incluídos planos de publicidade (…). Há notícias que custam anúncios”.»

«Eduardo Dâmaso: (…) Há coisas que não podem continuar como até aqui (…) as viagens organizadas em função de nada (…) excursões à neve na época da neve (…) estou a falar de directores (…) excursões ao Brasil e a Nova York (…) é totalmente inaceitável (…) jornalismo é contacto…distância; distância…contacto (…)”

novembro 18, 2004

O tal período de nojo...

A Alta Autoridade é mais uma entidade a alertar para os riscos do jornalista-assessor-jornalista. Perante o silêncio do Sindicato de Jornalistas que deixou de tratar este tema com a premência que se exige (no longínquo Congresso de 98 foi um dos temas abordados).
Aliás, agora que se preparam eleições para os órgãos sociais, penso que é fundamental pensar numa nova forma do Sindicato (e do Conselho Deontológico) actuar: em vez de ser (apenas) um apaga-fogos, que aparece em cima dos incêndios e depois desaparece, devia encontrar formas de promover discussões colectivas, elegendo temas que precisam de ser reformados. O do período de nojo (ou alguma ideia melhor...) é um deles.

PS - Sobre as conclusões de ontem da AACS já muito foi escrito, na comunicação social e na blogosfera (sugiro este) e não tenho nada a acrescentar. Junto apenas um lamento: esta foi a sua intervenção mais notória da última década, mas a declaração não está disponível on line! Afinal já está!

novembro 05, 2004

Ainda as empresas de comunicação...

Há vários empresários da chamada "indústria das relações públicas" que defendem a desregulamentação da actividade e que, portanto, aplaudem a situação que se vive em Portugal.
A actividade destas empresas (que fazem conselho em comunicação, assessoria mediática, planeamento estratégico, etc) é marginal à lei. Não é "fora da lei" porque não há qualquer lei que as enquadre. Marginal, apenas...
Por isso, também, não estão vinculados a qualquer código deontológico, a não ser voluntariamente.
Como escrutinar a actividade destas empresas?
Numa altura em que se fala tanto no poder dos jornalistas (talvez a actividade profissional mais esmiuçada e regulamentada em Portugal), é bom lembrar que faria sentido enquadrar legalmente o que fazem os profissionais de relações públicas - que até nas designações divergem.
E se há quem defenda a actual desregulamentação, outros lutam há anos pelo reconhecimento oficial da Profissão.
(cfr "Lima acusa agências de comunicação");
Actualização: "A APECOM (Associação Portuguesa das Empresas de Consultoria em Comunicação e Relações Públicas) repudiou, em comunicado, o facto de Fernando Lima, ex-director do Diário de Notícias, ter afirmado na Alta Autoridade para a Comunicação Social que foi «vítima de uma luta de agências de comunicação que tentam influenciar a informação do poder para obter vantagens». (...) Assim, a APECOM pede-lhe que concretize publicamente as suas afirmações, sendo essa a «posição responsável que dele se espera»

O vai e vem (assessores e jornalistas)

Espero que o PS formalize a proposta
e não se fique pelo "pondera também introduzir no Estatuto dos Jornalistas uma norma que impeça o trânsito sem limites (períodos de nojo ou "quarentenas") das assessorias de imprensa para as redacções".
(Não resolve o problema - que, aliás, não tem resolução - mas atenua a suspeita de parcialidade no regresso ao jornalismo. A dificuldade está em enquadrar legalmente a situação: 'não pode voltar a exercer o jornalismo durante um determinado período de tempo' ou 'só pode exercer a profissão em áreas de actividade que não tenham qualquer relação directa e indirecta com a função exercida anteriormente na assessoria'?) Lido no Jornal de Negócios, dito por Vital Moreira: "Há regras de quarentena, nojo ou incompatibilidade que deviam ser seguidas pelos jornalistas que saem de assessores".

novembro 04, 2004

Coisas de spin

"Esta direcção cessante tem a convicção que foi vítima de uma luta de agências de comunicação que tentam influenciar a informação do poder para obter vantagens (...) algumas dessas agências estão a assessorar grandes empresas públicas"
Fernando Lima, hoje, na AACS Isto é grave, não?

novembro 03, 2004

Jornalista-Assessor-Jornalista (incompatibilidades para além da lei)

O Público traduz hoje a notícia que o "Jornalismo e Comunicação" divulgou na segunda-feira sobre a decisão do governo holandês de deixar de contratar jornalistas para alguns trabalhos de assessoria mediática ("media training", coordenar reuniões e redigir textos). Duas notas:
- Em alguns países da Europa (a Espanha e, pelos vistos, a Holanda, por exemplo) não existe uma incompatibilidade legal entre assessoria e jornalismo. Cada um pode desempenhar as funções que entende, até em simultâneo.
- Em Portugal (e não só...) o Estatuto do Jornalista define incompatibilidades, nomeadamente com as assessorias de imprensa.
Num caso ou noutro, o problema é mais do que legal. Por isso, o governo holandês anuncia que deixará de contratar jornalistas porque isso "pode aparentemente causar dúvidas no público sobre a independência do jornalismo".
Lá como cá. Com ou sem leis.

setembro 23, 2004

Coisas de spin...

"Santana Lopes necessita de dar uma notícia por dia. Uma novidade que pode ser esquecida no dia seguinte, se correr mal, pois haverá outro coelho para tirar da cartola. Por vezes fá-lo sem medir as consequências (...). Mas que importa isso, se se conseguiu fazer passar uma imagem de firmeza na comunicação social do fim de semana?"
José Manuel Fernandes, editorial de ontem, 22/9/04
PS - há aqui uma crítica ao Expresso?

agosto 19, 2004

Assessores-jornalistas-assessores

(mais...)
"Enquanto denuncia as incompatibilidades de advogados que passam a ministros, participa ela própria [a classe jornalística] numa vil ciranda, em que se é num mês assessor de um gabinete ministerial para, sorrateiramente, regressar no mês seguinte à redacção e produzir uma prosa isentíssima sobre a política que acabou de servir. A promiscuidade não é de hoje. A falta de vergonha é. Sempre houve alguns cuidados, "períodos de nojo". Agora nem o nojo incomoda".
Sérgio Figueiredo, editorial de hoje do "Jornal de Negócios"

agosto 16, 2004

Assessores-jornalistas-assessores

Das duas uma: ou a prática, por continuação, por hábito, por desgaste, se institucionaliza e - daqui a algum tempo (10 anos?) - será perfeitamente normal o vaivém entre jornalismo e assessoria ou é preciso clarificar a situação, "regulamentando" hipotéticas incompatibilidades, nomeadamente na hora do regresso.
Duas referências próximas, que justificam este texto:
- "Onde estão os assessores de Durão Barroso/Maioria regressa às origens" (Jornal de Negócios, de hoje);
- A confusão de Souto Moura, primeiro no comunicado (obrigado LPM...) e hoje em declarações aos jornalistas: a sua portavoz é uma jornalista...

PS - ser assessor de imprensa é, talvez, a profissão mais instável, até porque são raros os que têm uma ligação efectiva à estrutura de que dependem: Sara Pina fez aquilo que o seu chefe queria que ela fizesse (caso contrário, não teria trabalhado tantos anos naquele gabinete); quando as coisas correm mal, paga o assessor ("que nem pertence ao meu gabinete"). Actualização a 17/8: deselegante, no mínimo, a forma como Souto Moura se referiu à sua assessora de imprensa! Uma coisa é sacudir a caspa das costas, outra é vir dizer "não fui eu que a nomeei para o cargo, está lá há quatro anos"...

agosto 10, 2004

Mais "spin doctors"

Vasco Pulido Valente no DN de domingo (não está on line): "Era fatal. Pedro Santana Lopes tinha de trazer consigo o reino dos spin doctors".
Só uma nota ao que escreve VPV: o cronista, ao caracterizá-los, diz: «tratam a informação, não propriamente mentindo, mas fazendo com que ela chegue ao público da maneira mais favorável». Sem mentir?! Ainda está para nascer o primeiro spin doctor que não minta...

julho 08, 2004

Assessoria (spin)

"A gestão das notícias por profissionais de comunicação e por agências noticiosas, tanto independentes como ligados a governos ou ministérios. A profissionalização da comunicação pública em geral. Os spin doctors* popularizaram-se no Reino Unido durante a década de 90 e estiveram especialmente associados ao apertado controlo que o novo Partido Trabalhista exerceu relativamente à sua imagem pública, antes do governo Blair, em 1997 (e subsquentemente). As artes negras da manipulação mediática eram usadas não só externamente, para controlar tanto quanto possível o fluxo, e até o estilo, da informação usada pelos jornalistas, mas também internamente, para assegurar que os próprios políticos trabalhistas permaneciam «on message» em todos os momentos.
(...) Nos últimos dias de governação, o governo conservador liderado por John Major foi perseguido pela sordidez e pelo escândalo, o que contribuiu indubitavelmente para a sua derrota nas eleições de 1997. Consequentemente, o «spin» podia operar em ambos os sentidos - como manipulação oficial, para proteger o governo, e como uma vingança dos que não têm voz, para «os manter honestos».
Uma das suas mais peculiares aspirações à fama provinha da afirnação de que o «spin» podia provocar a ocorrência de um acontecimento antes de ele ter acontecido. Parte da arte do «spin» consistia em usar contactos seleccionados e fugas de informação para provocar a cobertura na imprensa e na rádio ou em espectáculos televisivos anyes da publicação de algo arriscado - por exemplo, um relatório crítico ou números pouco precisos sobre a economia
.

* termo que designa o assessor de comunicação na área política (n. da T.)."
Hartley, John, "Comunicação, Estudos Culturais e de Media", Lisboa, Quimera, 2004, pags 27 e 28

julho 07, 2004

Como manipular os jornalistas

Paulo Portas tinha ontem um encontro com o Presidente da República.
Mas detectou desde logo um problema: começaria por volta das sete da tarde e nunca terminaria a tempo dos noticiários das oito da noite; claro que no final haveria declarações, mas isso seria sempre depois das nove (como acabou por acontecer).
O que fez Portas?
Mandou entregar um documento aos jornalistas, à entrada, garantindo que às oito todos falariam daquilo que o PP está nesta altura a dizer ao Presidente! E resultou em cheio.
Aparentemente é simples, mas deve acrescentar-se que é - provavelmente - a primeira vez que isto foi feito.
Poderá dizer-se que foi uma deselegância para com o Presidente, (foi...) mas isso são outras conversas para outros blogues.
Do ponto de vista da eficácia da comunicação (pelo menos no imediato) foi brilhante!
E esse é um dos mandamentos dos "spin doctors": não olhar a meios para alcançar os fins... comunicacionais!
Quanto aos jornalistas, obviamente que fizeram o que tinham a fazer: noticiar esse documento, falando também da metodologia usada. Não podiam ignorar.

março 30, 2004

Mais fontes - assessores

Hoje, no Público, José Vítor Malheiros fala sobre o papel dos assessores de imprensa e de como são - ou não - fontes.
Mas no Expresso de sábado uma notícia sobre uma nova empresa de comunicação vai ainda mais longe nesta luta permanente pelo controlo editorial da informação - entre jornalistas e fontes/protagonistas.
A notícia tem como título "Nasce o Repórter Virtual" e dá conta de uma empresa que se propõe criar um "jornalista virtual" que - cito - "será o substituto do jornalista ausente de um acontecimento. O órgão de comunicação que o desejar receberá, na hora, notícias e imagens do que se está a passar".
Apesar dos responsáveis garantirem que o portal "apenas conterá informação relevante, abstendo-se de incluir matérias promocionais ou propagandísticas", eles próprios reconhecem que a ideia surge porque verificaram que "as empresas jornalísticas estão a cortar nos custos".
Não é perigoso, isto?
Acredito nas boas intenções do Rodrigo e da Elsa, mas esta coisa de incentivar os meios de comunicação a não irem, utilizando material fornecido pelas fontes, é mau. Para os jornalistas, para os próprios meios e para - a médio prazo - as fontes!