Main

maio 22, 2006

(ACT x 3) As velhas e recorrentes pressões que suavizam a coisa

Act a 30/5: «para Ribeiro Cristóvão esta referência é "claramente" intimidatória para o trabalho dos jornalistas. O responsável da Renascença vai mais longe e realça que esteve em Saltilho no "pós-1976 onde as relações sempre foram muito difíceis, mas a FPF nunca se arrogou ao direito de cassar * as acreditações". Também Miguel Barroso, subdirector de informação da RTP estranha esta nota, que pontua de "ilegal" por violar "uma série de leis, nomeadamente a Constituição e o acesso às fontes".» (DN de hoje)
*Tonar nulo ou sem efeito; anular; fazer cessar, proibindo (Dicionário da Academia das Ciências, vol1, 727)

Act a 26/5: «Hoje fiquei a saber que o treinador da selecção nacional deu uma entrevista ao seu assessor de imprensa privado para distribuir umas tiradas aos jornalistas. Nem os mais criativos assessores do governo se lembraram de um método tão eficaz para quem se julga a cima do escrutínio jornalístico. Já Imaginaram José Sócrates a dar uma entrevista a Luís Bernardo para depois a distribuir pelas redacções?». Assim?

Act a 25/5: Ouvi esta tarde o assessor de imprensa da Selecção Nacional (o ex-futuro-jornalista Afonso Melo), em directo, na conferência de imprensa, dizer que determinada pergunta, feita por um jornalista a Nuno Gomes, não é admissível (tinha a ver com uma questão marginal ao futebol, mas ligada ao estágio - os filmes piratas que terá levado para Évora). Que Nuno Gomes dissesse que não queria responder, tudo bem; que não os deixem, sequer, responder, não é aceitável. Ninguém protestou...


«A Assessoria de Imprensa da Selecção Nacional - Clube Portugal, como responsável pela emissão das acreditações para o estágio a realizar em Évora, reserva-se o direito de retirar a acreditação a qualquer membro da Comunicação Social que não respeite o espírito de cooperação e saudável relacionamento de trabalho que presidiu à elaboração desta regulamentação»

(dica Contrafactos)

abril 27, 2006

Jornalismo tipo casino (no Brasil...)

O Dalai Lama está ao Brasil.
Eis as regras para a conferência de imprensa que decorreu ontem (45 minutos):
- A seleção das perguntas será feita por meio de sorteio, da seguinte maneira: Cada jornalista interessado poderá formular uma pergunta para o Dalai Lama e deverá trazê-la por escrito – devidamente identificada com o nome do profissional e o veículo de imprensa que ele representa – entregando-a para a assessoria de imprensa, no momento da retirada de sua credencial para adentrar o auditório.
- Serão colocadas três urnas na entrada do auditório, onde ficará a assessoria de imprensa. Por conta dos temas abordados na visita do Dalai Lama, sugerimos que as perguntas se enquadrem em um dos três assuntos a seguir:Espiritualidade e Ciência; Política e o Futuro; Economia e Ética Secular.
- As perguntas serão depositadas nas respectivas urnas. A urna que estiver com um maior número de perguntas, terá prioridade, ou seja, terá um número maior de questões sorteadas.
- Após o sorteio, o tradutor pedirá ao autor da pergunta que se identifique para que Dalai Lama saiba quem a fez.

outubro 03, 2003

Neste texto pretendo introduzir um tipo de pressão não previsto nesse ponto, pelo menos directamente, tomando como base uma citação do último livro do professor José Rebelo, chamado "O discurso do jornal":
"Em fontes deste tipo [de grande impacto público], generaliza-se a prática da acreditação. A empresa, a administração, a instância económica, social ou política, confere crédito a um jornalista, reconhecendo-lhe capacidade para tratar das informações relativas a actividades por si desenvolvidas. Mas se o jornalista, ao ser acreditado, passa a beneficiar de uma relação privilegiada com a instituição acreditante, converte-se, por outro lado, em refém dessa mesma instituição. De acreditado pode passar a personna non grata. É corrente, então, a instituição que acredita exercer pressões sobre a empresa jornalística, no sentido de esta se fazer representar por outro jornalista."
É aquilo a que o autor chama de acreditação, em que a fonte tem um papel determinante na escolha dos jornalistas, premiando-os ou, em alternativa, criando uma situação "susceptível de produzir efeitos menos transparentes: possibilidade da fonte filtrar o que deve e o que não deve ser objecto de notícia ou de se eximir a ocupar o lugar da enunciação, transferindo para o dito jornalista, ou para o jornal, a responsabilidade do dito" (pág 30 e 31, Editorial Notícias, 2002).
Nos Estados Unidos chamam-se a estes repórteres "lobby reporteres" e são, sem dúvida, situações a merecer atenção.