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abril 10, 2006

Por um jornalismo mais rigoroso

Nas eleições presidenciais o assunto foi polémico, agora com o acto eleitoral no Sporting voltou a acontecer o mesmo (e vai repetir-se com o insólito congresso do CDS): basta alguém dizer que é candidato e a partir daí os jornalistas passam tratá-lo como tal. Muitas vezes essas proto-candidaturas nem se confirmam, mas os jornalistas não querem saber disso para nada.

Alguém só é candidato quando cumpre os requisitos exigidos para tal. Antes é pré-candidato, por exemplo.

Num jornalismo tão carneirista, aplaudo o rigor desta formulação: «A deputada Helena Lopes da Costa, pré-candidata à liderança da distrital de Lisboa do PSD»

(o rigor perante os factos e os leitores/ouvintes não se ganha apenas nas grandes questões).

fevereiro 25, 2006

Acreditar em tudo o que nos dizem...

Ouve-se (ontem ao fim da tarde):
"Carlos Silvino foi alvo de ameaças de morte"

Os jornalistas são um povo muito crente - gente de boa fé e ingenuidade q.b., não se importam (até gostam?) de passar para a sua boca aquilo que outros dizem, sem a preocupação de atribuírem o quê a quem!

Quando muito: "Carlos Silvino diz que foi alvo de ameaças de morte" (ou "Carlos Silvino diz que foi ameaçado de morte"). Mas como nenhum jornalista estava na sala do tribunal quando isto foi dito, até seria mais correcto pormenorizar que "O advogado José Maria Martins diz que Carlos Silvino foi ameaçado de morte".

Não sei se é verdade nem me interessa (porque não o posso verificar/contrastar). Limito-me, como jornalista, a atribuir a informação à fonte.

fevereiro 07, 2005

Duas coisas sensatas

que se podem ler hoje no Jornal de Negócios (provavelmente o melhor jornal português do momento), ditas por José Alberto Carvalho, durante uma acção de formação da RTP:
1) "O pivô diz a mesma coisa que o «off». O «off» diz a mesma coisa que o vivo. E o pivô de saída volta a dizer o mesmo".
(na rádio acontece muitas vezes o mesmo, com o editor a lançar a peça, o repórter a repetir o lead do editor e - para cúmulo - o som a não acrescentar nada de novo. No final, o editor recupera, no seu rodapé, o «essencial», que é o seu próprio lead! Redundância? Desespero!)
2) "Somos o único país da Europa onde as conferências de imprensa são reportagens. Nas outras culturas, são apenas pontapés de saída para pesquisar histórias" (...). Até o «Finantial Times» ou a revista «The Economist» conseguem falar de política sem falar dos políticos".