O texto do provedor do Público de ontem aborda uma questão que considero muito importante. É, do meu ponto de vista, uma espécie de batalha perdida, mas penso que faz sentido, também no jornalismo radiofónico, distinguir a análise do comentário.
Na rádio portuguesa, pura e simplesmente, é tudo opinião. Ou tudo comentário.
Mas a análise é um género autónomo e diferente - a análise tem como objectivo contextualizar informações, mesmo que estas não sejam propriamente novidade, relacionando-as com outras, explicando-as, enquadrando-as! Mas sem que o analista emita juízos de valor sobre a realidade ("está bem ou está mal").
Para a instituição deste género jornalístico é necessária a sua identificação como tal, graficamente no caso do jornal, no lançamento do editor da rádio. E foi isso, aparentemente, que falhou no caso do Público (jornal que foi o primeiro a suscitar esta questão em Portugal, falhando ainda na sua identificação gráfica).
A separação entre comentário e análise permitiria uma clarificação mais honesta da opinião junto do ouvinte e permitiria, principalmente, informar melhor o ouvinte: existindo o hábito de analisar os factos, este receberia mais e - principalmente - melhor informação.