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janeiro 04, 2005

Concordo!

"A maioria dos comentadores dos vários telediários ajuda-nos muito pouco a perceber melhor o que é que se está a passar, optando pelo caminho mais fácil de nos atirar para cima com as suas ideias e convicções. Vertem umas declarações mais ou menos inteligentes, com mais ou menos preconceitos políticos, para nos dizerem apenas o que pensam sobre os assuntos (...). E não estou a falar de comentários de políticos, cujo papel é em princípio defender e explicar apenas as posições dos seus partidos e não tanto ajudar a objectivar as situações".
Pedro d'Anunciação, Expresso, 18 de Dezembro 04

novembro 08, 2004

A Visão

Os jornalistas que escrevem sobre automóveis são um caso à parte! Lembram-se daquela polémica com Emídio Rangel?
Pois na página 161 pode ler-se: “Tamanho não é problema? Com o Modus, a Renault confirma que os automóveis não se medem aos palmos. Com aparência jovem, o monovolume citadino da marca francesa tem apenas 3,8 metros de comprimento (como um Clio), mas é um elogio à arte da funcionalidade. A possibilidade do banco traseiro deslizar, maximizando o espaço para pessoas ou bagagem, os múltiplos locais para arrumar objectos e a abertura independente da tampa da bagageira (...) são alguns detalhes deste Modus cuja versatilidade se adapta a todos os modos de vida (...).
Não tem um único defeito? Uma coisa assim pequenina que seja um pouco negativa? Quero dois...

outubro 19, 2004

A metamorfose de A Capital

Na capa da edição desta terça-feira:"A Capital assume, para com os seus leitores, uma linha editorial que defende a derrota de George W. Bush nas próximas eleições americanas"
Mas Luís Osório - que diz que os meios de comunicação social têm que defender causas justas - já deixou claro que esta situação não se repetirá em eleições portugueses.
Não será apenas uma aposta de marketing (aparentemente bem conseguida)?

PS - Não é, penso, uma situação original; lembro-me de ver num comício de Mário Soares em 1985: "O Diário Popular apoia Mário Soares".

setembro 30, 2004

Uma opinião anónima é cobardia

Lê-se:
"Essa equipa era constituída por Abílio Morgado, PSD, e Mariana Cascais, escolhida pelo CDS e, quando ainda estavam no poder, foram noticiadas as más relações entre os três. Uma vez que o ex-ministro diz que não podia fazer nada pois a destituição de Abílio Morgado não dependia de si, o que um dirigente do CDS ontem perguntava era o seguinte: se Justino "secou" Mariana Cascais de competências, retirando-lhe tutelas, por que é que não faz o mesmo com Abílio Morgado?"
E isto?
"O PÚBLICO só reproduz opiniões que forem atribuíveis a fontes claramente identificadas".

fevereiro 23, 2004

Na opinião, separar o comentário da análise

O texto do provedor do Público de ontem aborda uma questão que considero muito importante. É, do meu ponto de vista, uma espécie de batalha perdida, mas penso que faz sentido, também no jornalismo radiofónico, distinguir a análise do comentário.
Na rádio portuguesa, pura e simplesmente, é tudo opinião. Ou tudo comentário.
Mas a análise é um género autónomo e diferente - a análise tem como objectivo contextualizar informações, mesmo que estas não sejam propriamente novidade, relacionando-as com outras, explicando-as, enquadrando-as! Mas sem que o analista emita juízos de valor sobre a realidade ("está bem ou está mal").
Para a instituição deste género jornalístico é necessária a sua identificação como tal, graficamente no caso do jornal, no lançamento do editor da rádio. E foi isso, aparentemente, que falhou no caso do Público (jornal que foi o primeiro a suscitar esta questão em Portugal, falhando ainda na sua identificação gráfica).
A separação entre comentário e análise permitiria uma clarificação mais honesta da opinião junto do ouvinte e permitiria, principalmente, informar melhor o ouvinte: existindo o hábito de analisar os factos, este receberia mais e - principalmente - melhor informação.

outubro 05, 2003

Uma das grandes fragilidades do jornalismo radiofónico é a falta de "elasticidade" do próprio formato rádio, nomeadamente quando comparado com um jornal ou um revista (onde há notícias de primeira e última página, a preto e branco e a cores, notícias de meia ou quarto de página, caixilhos, filetes, breves, títulos, legendas, destaques, entradas, etc).
A rádio não tem, pronto.
Mas depois de ler o Expresso deste fim de semana e a forma como o jornal enquadra aquilo que é um puro exercício de reportagem investigativa disfarçando-a de "opinião" fico satisfeito por a rádio não permitir estas veleidades.
Partindo do pressuposto que tudo aquilo que lá vem é verdade, estaremos perante uma excelente investigação jornalística. Mas opinião?!!!!
Ah, é porque se trata de uma intervenção de um jornalista free lancer e assim o Expresso lava as mãos, se as coisas correrem mal: "não, aquilo não era um artigo nosso, era a opinião do jornalista, que nem pertence ao Expresso".
Na rádio isto nunca aconteceria...