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julho 04, 2005

(corr) Camaradagem

Todos os dias há centenas (dezenas?) de iniciativas que não merecem cobertura por parte da generalidade da comunicação social.
Quatro razões:
- o assunto é interessante, mas esse OCS não tem repórteres suficientes;
- o assunto não é interessante;
- o (corr: Órgão de Comunicação Social) OCS não soube desse acontecimento porque a informação não lhe chegou (uma falha de comunicação, por exemplo);
- porque é um exclusivo dado a um determinado OCS
;
Só nesta última circunstância (e não são todos os que o fazem) é que uma rádio, uma televisão ou um jornal anuncia aos seus destinatários que só ali é que podem ler, ver ou ouvir determinado conteúdo.
Por isso achei muito deslocado aquilo que ouvi no final da semana passada, a propósito de uma reportagem que a Antena Um fez, acompanhando a visita de um dirigente desportivo a uma delegação desse clube no Norte (que estava na agenda de qualquer OCS e não era, portanto, um exclusivo): "A Antena Um, a única rádio de Portugal a acompanhar a visita de... ".

Se cada rádio, jornal ou televisão dissesse uma coisa destas sempre que os outros não aparecem... Além disso, estamos perante uma reportagem banal (que tinha interesse, obviamente, como muitas outras), que não justifica esse tipo de observações. Mais que não seja, por camaradagem, acho eu!

fevereiro 18, 2005

O exclusivo como factor de notícia

Cada jornal, cada rádio e cada televisão tinham hoje a sua sondagem (algumas em co-produção), que trataram de valorizar até ao limite, como exclusivo (ou seja, aquela mais ninguém tinha...).
Acontece que, com seis sondagens diferentes, fazia todo o sentido (em nome do interesse do receptor) compará-las, sistematizá-las, enquadrá-las. E noticiá-las.
Não foi isso que aconteceu, esta manhã! Preocupados em preservar apenas a sua (e pensando na estratégia empresarial de não a diminuir, com referência a outras), alguns dos órgãos de comunicação social ignoraram as da concorrência. E deixaram os ouvintes à míngua!

janeiro 25, 2005

A atracção pelo...

Os jornalistas sonham com os exclusivos. E como os seus exclusivos raramente o são, nada como afirmá-lo inequivocamente.
Às vezes com alguns exageros bem divertidos!
Na última Visão: "Na primeira entrevista do ano, o sucessor de Santana Lopes em Lisboa mostra...".
Na primeira entrevista do ano? A edição é de 20 de Janeiro...

dezembro 09, 2004

O valor do "exclusivo"

Há palavras no jornalismo que têm um valor muito particular, elementos de um código reservado, a que apenas se recorre em casos especiais.
"Exclusivo" é uma delas.
Quando dizemos que temos algo em exclusivo estamos a alertar o leitor/ouvinte/telespectador para uma realidade muito específica: só ali o pode ler/ouvir/ver.
Todos os dias há centenas de exclusivos, mas nem por isso os jornais/rádios/televisões o anunciam. Porque é fundamental evitar a banalização do termo e porque um exclusivo pressupõe mais duas condições: a novidade e o elevado impacto previsível.
Vem isto a propósito da manchete de A Capital da passada terça-feira: "No dia em que completa 80 anos, uma longa e exclusiva conversa com Mário Soares".
Só A Capital é que tinha uma entrevista com o antigo presidente? Não, pelo menos o DN e a TSF também.
Já não é um exclusivo, porque se o critério de avaliação for outro (por exemplo, a qualidade - por sinal óptima - da entrevista) então não temos critério...