A presença de enviados especiais, numa reportagem (só há enviados especiais no estrangeiro), pode representar um ganho de qualidade informativa mas desempenha sobretudo um papel de alerta/reforço psicológico junto do ouvinte/leitor/telespectador - como se o órgão de comunicação social dissesse aos seus receptores: atenção que o que vão ouvir/ler/ver foi presenciado pelo nosso repórter (e se entendermos o repórter como o prolongamento dos ouvidos e dos olhos do ouvinte/leitor/telespectador...).
Não admira, por isso, que - em face da tragédia no sudeste (já ouvi várias vezes sudoeste...) asiático - a comunicação social portuguesa se mobilizasse. Mas surpreende que nem todos tenham optado pela aposta num enviado especial.
Aqui fica a lista:
Antena 1 - António Veladas (na Tailândia, jornalista em Timor)
RR - Catarina Neves (na Tailândia, jornalista da Sic, em "serviço especial")
TSF - Paulo Azevedo (na Tailândia, correspondente em Macau)
RTP - António Veladas e Pedro Lavrador (?) (ambos na Tailândia)
TVI - Alfredo Vaz (na Tailândia, jornalista free lancer em Macau, em "serviço especial")
SIC - Catarina Neves (na Tailândia, "enviada especial")
Correio da Manhã: Rui Frias (em Macau) e Alfredo Vaz (na Tailândia, "serviço especial")
JN - Nelson Mateus (em Macau)
DN - João Costeira Valeira (em Macau)
Público - Luísa Pinto (na Tailândia, "enviada especial") e Carlos Picassinos (em Macau)
A Capital e O Comércio fizeram pela Lusa (mas sendo do mesmo accionista, faria sentido uma "vaquinha" nos custos).
Notas a retirar:
1) O assunto é hoje, como foi ontem e será amanhã, abertura de todas as edições. Com vários minutos e páginas; a excepção - coincidência ou não - encontra-se em A Capital e em O Comercio do Porto, respectivamente com o desejo de Paulo Pedroso continuar como deputado e as batatas fritas perigosas!
2) Todos sentiram a necessidade de ter relatos de proximidade;
3) DN e JN atrasaram-se perante a concorrência;
4) No caso da concorrência com o JN, o Correio da Manhã trabalhou bem a contratação do jornalista "free lancer";
5) A Rádio Renascença, perante a sua concorrência mais directa, é a que terá mais dificuldades - a jornalista da SIC terá a disponibilidade desejada?
6) É duvidoso se os ouvintes/leitores/telespectadores diferenciam o "enviado especial" do "serviço especial"; mais importante é saber que o repórter está no local onde há a notícia;
7) Macau, afinal, foi importante - já o disse, é a terceira cidade do mundo, depois de Lisboa e Porto, onde há mais jornalistas portugueses!
ACTUALIZAÇÃO A 29/12: A Visão enviou Rosa Ruela para o Sri Lanka, onde a RTP já tem mais uma enviada; a TVI destacou hoje Vítor Pinto como enviado especial à Tailândia (mais vale tarde...); o resto do panorama mantém-se relativamente igual... com Alfredo Vaz a garantir a TVI (mas não o Correio da Manhã)
ACTUALIZAÇÂO a 3/1/05: o provedor do JN trata o assunto ontem ("Especialmente a partir de quarta-feira, um facto me chamou particularmente atenção: porque é que o JN ainda não tinha um ou mais enviados especiais na zona?"). O director, José Leite Pereira, tem uma resposta curiosa, pela sinceridade: "No início, terá havido, a esse respeito, uma má apreciação nossa". (não está on line)