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abril 28, 2006

Jornalismo e patriotismo: uma questão fracturante!

Lembram-se deste texto?
A Sonda Central de Informação (um barómetro que consulta mensalmente jornalistas portugueses sobre diversas questões) perguntou este mês se:
- "«Patriotismo» e «Jornalismo» são conceitos conciliáveis?" (sim 55%, não 45%);
- "As questões de «interesse nacional» devem sobrepor-se aos critérios editoriais?" (Sim, mas apenas em casos excepcionais - 42%; Não - 51%);
- Se «no caso da cobertura da Selecção Nacional de Futebol, os media nacionais ultrapassam a fronteira do «Jornalismo» rumo ao «Patriotismo»?"(Sim, cada vez mais - 38%; Sim - 53%; Não - 7%).
Sobre esta última resposta, ela é suficientemente elucidativa; sobre as duas primeiras, resta concluir que a profissão está dividida.

abril 17, 2006

Patriotismo e jornalismo

Nicolau Santos elogia, no Expresso do último sábado, «o posicionamento da imprensa e dos jornalistas espanhóis quando está em causa aquilo que é considerado o interesse nacional: um apoio sem reservas externamente, o que não invalida que tudo se discuta internamente», para criticar o artigo do Público sobre os direitos humanos em Angola durante a visita de Sócrates.

Não sei se a situação descrita no Público é ou não notícia (Nicolau diz que não, que está muito melhor do que antes, e José Manuel Fernandes não respondeu), mas discordo que o interesse nacional se possa sobrepor à possibilidade de escrever de acordo com critérios editoriais.

Por outras palavras, recuso que o patriotismo se sobreponha ao jornalismo. Se mesmo em casos de guerra ou desastres graves, esse patriotismo só serve para difundir a posição oficial e esconder outras realidades, num caso discordo que se diga que o artigo «é contrário ao interesse nacional».

(PS - por coincidência, o Clube de Jornalistas que vai para o ar esta semana é sobre jornalismo e patriotismo, a partir da adesão à selecção nacional, em véspera do Mundial de Futebol)

novembro 23, 2005

Uma pergunta (inocente?)

O Público divulgou na segunda-feira os alegados apoios de políticos a Pimenta Machado, com os respectivos nomes, mas a mesma notícia referia abundamentemente um "jornalista desportivo" com quem seriam combinadas notícias "de forma a ser defendida a imagem de Pimenta Machado" (citação do Público, que cita o despacho do Ministério Público).
Mais: "Relativamente ao jornalista desportivo são muitas as conversas transcritas no processo. O repórter combinava com Pimenta Machado qual a melhor abordagem das notícias que iria fazer e chegava mesmo ao ponto de se centrar, apenas, nos trabalhos de investigação feitos pelo Público e pelo Jornal de Notícias, para depois garantir que desmentiria todas as notícias então veiculadas".

Isto suscita uma pergunta:
- por que é que o Público poupou o nome do jornalista, se refere o dos dois políticos (pode haver alguma boa razão, mas sem uma explicação, parece corporativismo serôdio)?
Provavelmente até é alguém que conheço, que vai passar a olhar-me de lado, se chegar a ler este texto, mas será possível ficar indiferente, quando se lê uma coisa destas (a começar pelo Sindicato)?

dezembro 30, 2004

Antes que o novo ano apague a memória...

"Há informações que fazem mais mal do que bem e que põem em perigo os interesses comerciais do nosso país"
Serge Dassault, proprietário,entre muitos outros títulos, do "Le Figaro" ou do "L´Express" (e proprietário, também, de empresas de aeronáutica e de armamento).

outubro 15, 2004

Jornalismo patriótico

Do Editorial do Record de hoje:
"(...) a direcção do Record continuará apostada em defender a Selecção e os nossos jogadores. Viu-se ainda há poucos dias o pouco relevo que demos ao empate no Liechtenstein e a brandura das críticas que produzimos. Fizemo-lo porque acreditámos na Selecção. E fizemos bem".

junho 29, 2004

Sérgio Krithinas

é o nome do jornalista do 24 horas que hoje perguntou a Luís Figo aquilo que muitos portugueses gostariam de ter perguntado - a sua versão dos factos quando foi para o balneário (*).
O curioso é que, na conferência de imprensa da selecção dada esta manhã, essa foi apenas a sexta pergunta feita a Figo.
Seja porque os jornalistas em causa acharam que o assunto não era importante seja por estarem influenciados pelos pedidos patrióticos de Scolari, aqui ficam as cinco perguntas anteriores (por esta ordem):
1) Consegue identificar um sector mais fraco na Holanda, a defesa?
2) Sente mais cansaço nas pernas nesta altura (fim de uma época desgastante)?
3) Portugal está à porta de fazer história; o que é que diria aos portugueses?
4) Poder juntar mais um título para si tem algum significado especial?
5) Nota-se que a selecção tem vindo a subir; amanhã vai atingir o ponto alto?

Logicamente...

(*) A pergunta não foi exactamente assim ("falou-se muito quando não foi festejar com os seus colegas e isso motivou uma intervenção do seleccionador. Como é encarou essas palavras do seleccionador?"), mas abordou o assunto. Obrigado Sérgio!

Jornalismo patriótico e independência/imparcialidades

Não duvido do que escreve o editor de desporto do JN (domingo), mas custa-me a acreditar..
"Bem mais surpreendente é que parte dos jornalistas que acompanham o dia-a-dia da selecção em Alcochete voltasse ontem a aplaudir entrada do seleccionador na sala de imprensa. Apesar da entusiasmante carreira da selecção, dos jornalistas espera-se e exige-se sempre um mínimo de frieza, de racionalidade e de distanciamento. Um jornalista não deve oferecer, ou receber, prendas dos protagonistas das matérias que trata, como aconteceu com o triste episódio da camisola autografada por alguns e entregue a Scolari no dia anterior ao jogo com a Inglaterra. Até para que não se corra o risco de se levantarem suspeitas sobre promiscuidade entre ambas as partes."
Estou a beliscar-me sete vezes, nesta altura...
E ainda bem que há jornalistas sem receio de ideias corporativas e que não têm medo de o denunciar...

junho 28, 2004

Jornalismo patriótico

Muito interessante o artigo de Armando Rafael no DN de domingo sobre o jornalismo patriótico que vigora em grande força no futebol - lembram-se dos episódios com a selecção no Mundial da Coreia que, pelos vistos, todos conheciam e ninguém noticiou até a coisa rebentar?
Pois 24 horas após LF Scolari ter pedido aos jornalistas para não abordarem mais a questão de Figo (que segurava o sabonete do banho numa mão enquanto os colegas marcavam e defendiam penalties, mas com uma santinha na outra...), o jornalista do DN lembra os perigos desse jornalismo patriótico - com um exemplo bem elucidativo...
A chantagem do jornalismo patriótico - qualquer que ele seja - é uma forma de pressão externa sobre os jornalistas, que deve ser sempre recusada.