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fevereiro 20, 2006

Tablóide ou de referência?

"(...) o tablóide que desafia os critérios da imprensa séria, no qual o capricho da pseudo- -estrela de televisão frívola merece toda a primeira página, faz-se paladino da liberdade de imprensa. Ironia, a sua redacção mostra as suas mãos limpas ao procurador.Onde estão, então, as fronteiras da imprensa? (...) O lugar comum consiste em dizer que a imprensa de referência vive uma crise e que a imprensa popular floresce. As fronteiras entre tablóide e referência não são vãs e continuam a fazer sentido. Mas o mundo dos jornais não é estanque (...) As fronteiras na imprensa mudam, muitas vezes por factores exteriores ao próprio meio. Consequência desta mudança complexa é que o exercício do poder político e económico tornou-se menos público, ou quase clandestino. É por isso que as fronteiras entre tablóide e referência permanecem válidas. Mas continuam confusas."
Miguel Gaspar, no DN de hoje.

junho 14, 2005

(jc) Cunhal e Eugénio; os elos (com correcções)

As duas mortes, ontem, de Cunhal e Eugénio de Andrade, provocaram dores de cabeça nas direcções dos diários jornais: que espaço para cada uma? que destaques? Aqui vai mais um exercício de jornalismo comparado...

As respostas são curiosas (as contas não são ao milímetro) :
Público: 17 páginas (descontando a pub) para AC; 5 para EA
Diário de Notícias: 15 AC*; 6 e meia para EA
Jornal de Notícias: 6 AC + 20 paginas de um suplemento; 8 EA
Correio da Manhã: 4 AC; 1 EA
A Capital: 19 AC; 7 EA
24 Horas: 16 AC; 1 EA

Algumas notas:
- surpreendentes as 19 páginas de A Capital, até por ser o jornal com menos recursos;
- Público e DN muito próximos (a marca dos jornais de referência?), se excluirmos o suplemento;
- o JN e o DN são os único que têm um suplemento;
- o JN é o que dedica mais páginas quer a um quer a outro;
- mas o que dizer das 16 página do 24 Horas (o jornal que habitualmente menos atenção dá à política em Portugal)?
- o 24 Horas foi o jornal mais desequilibrado entre as duas mortes;
- curiosa a coincidência na página dedicada a Eugénio de Andrade por 24 Horas e Correio da Manhã (a marca dos jornais populares?);

* O DN reeditou o magistral (50 páginas...) suplemento do DNA; e tem duas primeiras páginas, uma com Cunhal e outra com Eugénio

abril 15, 2004

Jornalismo de referência - responsabilidade

Não conheço nenhuma obra que sistematize aquilo que é o chamado jornalismo de referência, mas qualquer um de nós conseguirá juntar meia dúzia de características que o distinguem do tabloidismo.
Uma delas é - na minha opinião - evitar referências familiares ou pessoais, quando são irrelevantes para a essência dos factos ("irmão de ministro preso", se o ministro não tem qualquer relação com a notícia?).
Vem isto a propósito de uma notícia do Público de hoje, na insuspeita página de Cultura, onde se relata um caso judicial envolvendo o arquitecto Taveira.
Quando a jornalista se refere ao advogado de Tomás Taveira escreve:
"Ontem, em tribunal, o seu advogado Luiz Francisco Rebello, que em Maio de 2003 se demitiu de presidente da direcção da Sociedade Portuguesa de Autores na sequência de acusações de fraude, corrupção e gestão danosa, insistiu que Taveira "não quis diminuir a figura de Conceição Silva"...".
O que é que justifica esta referência passada a LFR, irrelevante para os factos em questão, uma vez que nem se relaciona com a sua actividade como advogado?
Não sei se a intenção era essa, e se havia mesmo alguma intenção, mas acho que a tal referência diminui o advogado em causa.
E acho que no jornalismo de referência uma associação tão despropositada não teria lugar.