Main

junho 08, 2005

Tem explicação?

O jornalismo português (sobretudo o impresso) viveu hoje mais um dos seus dias tristes, com a mistura entre expectativas, adivinhação e investigação. Falo, obviamente, das informações sobre o novo treinador do Benfica.
24 Horas: "Guy Lacombe é o homem";
Record: "Koeman é o eleito";
JN: "Le Guen ganha avanço";
O Jogo: "Koeman ou Le Guen";
A Bola: Paul Le Guen, Ronald Koeman, Alberto Zaccheroni - é um deles";
Ou seja, só o Record acertou inequivocamente, citando a televisão holandesa (o que os outros também podiam ter feito...).
Acho, relativamente à restante oferta, que aquilo que fizeram o Público e o DN foi o mais sensato: não sabiam e, como tal, nada disseram (o Correio da Manhã não inventa no título, mas no texto afirma que "Camacho e Ronald Koeman são os principais candidatos").

abril 19, 2005

Era uma vez um Papa - expectativas

E agora que Ratzinger acaba de ser escolhido Papa, a generalidade da comunicação social - que andou claramente a empolar as hipóteses dos dois cardeais portugueses - assobia para o ar!
Mais uma vez levou-se ao limite o exagero, com reportagens nos locais onde os dois nasceram, os seus amigos, os seus gostos ("gosta de bacalhau"), as suas hipóteses de serem escolhidos ("houve um jornalista que falou no nome de Policarpo"...).
Dir-se-á: nos últimos tempos, tem sido sempre assim. Mas contrariamente ao que aconteceu com a morte do Papa, por exemplo, agora tratou-se apenas de "jornalismo de expectativas"*. E o "jornalismo de expectativas" é das manifestações mais negativas do jornalismo (actual?)

*Várias vezes usei esta expressão neste blogue; mas pensando bem, expectativas e jornalismo são palavras contraditórias.

janeiro 03, 2005

A primeira página é apenas papel de embrulho...

No ano que passou, alguns recordam-se, por exemplo, da primeira página do Jornal de Notícias, na manhã do dia em que se disputava a final da Liga dos Campeões. "Sejam a nossa voz. Queremos esta vitória" era a manchete.
A coisa deu polémica, porque o jornal abriu uma excepção à equidistância perante factos e protagonistas e, como na altura explicou o director, deixou voar a emoção.
Vem isto a propósito de quê?
Da primeira página do DN de ontem: "Chega de depressão" é a manchete. Uma frase que não informa os leitores, a não ser que é esse o desejo dos responsáveis do jornal. E de (quase...) todos os portugueses. Como no caso do JN/FC Porto (não é uma citação de uma declaração nem um facto, apenas uma expectativa).
A primeira página dos jornais é, cada vez mais, sobretudo, um embrulho - por vezes bem bonito. E em que o marketing conta. O jornalismo começa a partir da página 2...

julho 21, 2004

Jornalismo de expectativas

Manuel Pinto chama a atenção para algo que se ouviu ontem durante a tarde (neste caso) nos noticiários da TSF: já a lista de secretários de Estado teria sido entregue a Jorge Sampaio e a rádio ainda elaborava uma lista de "POSSÍVEIS".
"É um refinamento da lógica do jornalismo de palpites. Porque não, a seguir, listas de possíveis medidas do novo executivo, listas de possíveis prioridades, listas de possíveis tensões entre ministros e secretários de Estado, etc?"

setembro 15, 2003

Ouve-se (por acaso numa televisão): "Este terceiro golo que veio matar o jogo". Acontece que o Belenenses empatou o jogo nos últimos instantes!
São vários erros ao mesmo tempo: engana-se o ouvinte (ou telespectador), dá-se uma informação falsa e cria-se "ruído". É o chamado jornalismo de expectativas, que só dá mau resultado.
Mesmo tratando-se de um comentário!