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maio 09, 2005

Notas sobre a entrevista de Magalhães Crespo

Cumpro a promessa e deixo ficar uma opinião mais definitiva sobre este caso:
Ouço todos os dias a Renascença, a diversas horas, e tenho do seu jornalismo uma ideia muito positiva. Não acho que, globalmente, se perceba o sujeitar a uma missão - considero-a isenta e na maior parte das vezes completa (só não o será mais por falta de tempo para desenvolver alguns temas).
Então qual é a "crise"?
Levadas à letra, as declarações de Magalhães Crespo seriam incoerentes: um jornalismo de "missão" não permite uma informação "isenta (...) e objectiva".
Eu não acho que a redacção da Renascença sinta que está sujeita a uma missão!

PS - Faço por vezes comparações de casos em concreto, mas nunca me atreveria a comparar o jornalismo da Renascença com o da TSF - os meus antigos camaradas que agora trabalham na Renascença continuam a ser os mesmos (bons) jornalistas.

maio 03, 2005

Agora, algo completamente diferente

Magalhães Crespo, gerente da RR, deu uma entrevista a O Independente de há duas semanas.
Durante este período de tempo, o recorte tem estado em cima da minha mesa. E não é tanto por ter medo de estar a fechar a porta da RR, é porque precisei de mais tempo para tentar formular algumas ideias de modo a que não haja más interpretações, sobretudo de quem lá trabalha.
O que diz Magalhães Crespo?
Basicamente isto:
(...)
"- A Renascença aceita um jornalista que seja ateu?
MC - Um jornalista ateu provavelmente viria enganado e não se sentiria bem aqui.
- Porquê?
MC - Porque estamos aqui a cumprir uma missão. Se alguém não estiver de acordo com a orientação geral da casa dificilmente se vai enquadrar. Mas tenho admitido pessoas que não são crentes.
- A missão da Renascença é fazer jornalismo ou passar a mensagem de Deus?
MC - A missão da Renascença é ser a emissora católica portuguesa antes de tudo o mais.
- Quem ouve a emissão da Renascença pode esperar uma informação isenta em aspectos religiosos?
MC - Isenta, completa e objectiva. É a norma que existe".
Algumas ideias:
- registo a honestidade de MM;
- mas fico com esta grande dúvida: como é que é possível conciliar uma informação isenta e objectiva com o cumprimento de uma missão?

PS - atenção a este jornalista de O Independente, autor da entrevista, José Eduardo Fialho Gouveia. Tem talento!

agosto 13, 2003

Ontem o nosso primeiro ministro agradeceu o envolvimento das rádios e das televisões na recolha de fundos para as vítimas dos incêndios.
Na verdade, da RTP à SIC, da RDP à RR, foram muitos os meios de comunicação que se envolveram em contas solidárias.
Percebo o agradecimento de Durão Barroso, mas já tenho muito mais dificuldades em entender o envolvimento das rádios e das televisões.
Felizmente a TSF manteve-se de fora, o que facilita a minha análise, mas a opinião seria sempre a mesma:
- estamos no domínio do chamado "jornalismo de causas", em que - quer queiram quer não - o órgão de comunicação e os seus repórteres perdem a independência para noticiar o que tiver a ver com essa situação;
- e se o "peditório" corre mal, acontecendo que o dinheiro acaba noutras mãos que não as previstas? seria a primeira vez? e se a angariação da concorrência corre mal, noticiamos?
- a TSF envolveu-se (e terá sido a primeira vez que o fez) demasiado no caso de Timor, promovendo campanhas e iniciativas completamente marginais às notícias. Não é a função de um órgão de comunicação social;
- e se relativamente a uma rádio de serviço público (ou uma televisão) se pode introduzir alguma excepção, isso será inaceitável num órgão exclusivamente noticioso como a TSF, o Público, o DN ou o Expresso (para dar alguns exemplos);
Já agora, é mesmo para ajudar alguém que se fazem as recolhas ou apenas como relações públicas (portanto, um interesse... interesseiro)?