Main

abril 03, 2006

Ainda (e sempre) os estagiários

O Sindicato dos Jornalistas descobriu que, um ano depois de ter assinado um protocolo com a Confederação de Meios, para evitar a utilização de estudantes de jornalismo substitutos de jornalistas, nada aconteceu. E volta a denunciar o problema.

A Inspecção Geral do Trabalho até pode aplicar algumas multas - não será difícil encontrar casos de estudantes a fazer de jornalistas - mas o problema não se resolve enquanto:
1) Não se definir o que é um estágio curricular (pós-curricular?) numa redacção;
2) Não ficar claro se podem ou não assinar textos/peças ou se o seu trabalho é apenas para avaliação/consumo interno;
3) Não houver uma prática consensual sobre o pagamento (ou não) dos estagiários;
4) As faculdades, institutos e escolas se continuarem a demitir das suas responsabilidades, muito mais quando esses estágios se realizam durante o plano curricular e os alunos pagam propinas (que belo negócio: os alunos pagam mas nem vão à escola...);

Enquanto isto não for claro para todos (para a maioria), cada um continuará a fazer o que bem entender...

janeiro 13, 2006

Sobre os estagiários

O artigo de José Vítor Malheiros (terça, 10/1/06) suscita uma série de questões muito importantes ("a designação de "estágio curricular" ter sido indevidamente apropriada por muitas empresas, que a utilizam apenas como uma ténue cobertura legal para explorar gratuitamente a mão-de-obra de recém-licenciados").
Algumas das propostas que apresenta não serão concretizáveis (apesar de bem intencionadas), como "obrigar as empresas que pretendem acolher estagiários a uma certificação, que exigiria o cumprimento de certos requisitos, e publicar a lista de empresas assim credenciadas", mas outras são muito pertinentes: contra a perpetuação de estágios curriculares, é preciso aumentar a fiscalização às empresas prevaricadoras*.

E - JVM não refere - faz falta maior intervenção do Sindicato dos Jornalistas sobre esta questão. Aliás, é impressão minha ou o Sindicato desapareceu de circulação nos últimos meses, para a além das questões obrigatórias?

* Já uma vez aqui escrevi: não há uma verdadeira entidade patronal, como parceiro social, do sector dos media, uma associação interveniente e activa, que, representando os principais grupos, pudesse negociar/impor alguns comportamentos

dezembro 26, 2004

"Copyright na Net"

O que fica deste caso?
«NO PASSADO DIA 19, o caderno Local Centro inclui um artigo sobre um edifício de Viseu. Expressões e um excerto do texto, constavam de um "post" antes publicado no blogue "Arqueoblogo"que, no entanto, não era citado. O facto foi reconhecido na rubrica "O PÚBLICO Errou" e, dois dias depois, assumido, em nota da Direcção Editorial, como "grave violação" do Livro de Estilo do jornal: "Por muito que o recurso a múltiplas fontes de informação, situação corrente na produção jornalística, possa, eventualmente, gerar omissões quanto às suas origens, a situação observada é, ainda assim, grave".Informando que, em consequência, fora decidido "suspender, com efeitos imediatos, a colaboração com a autora da notícia", pedia-se "desculpa ao autor das informações usadas sem a devida referência e aos leitores".
A autora do texto é estagiária de jornalismo. Depois de consultada sobre se pretendia intervir nesta coluna, aceitou e reconhece o erro: "Admito que é muito grave ter colocado duas frases retiradas de um blog sem ter referenciado o seu autor e, desde já apresento as minhas desculpas. O tema do artigo, já por si só exigia que me baseasse em meios de informação distintos (...) Consultei o maior número possível desses suportes para que o produto final que viesse a ser publicado fosse consistente e de total veracidade." Marta Rodrigues não é ainda profissional, como sublinha ao afirmar-se "jornalista, mas na condição de formanda"
.
Fica a recomendação de Joaquim Furtado:
«CONFORME O SUBDIRECTOR Amílcar Correia, editor desta peça, "o trabalho de um estagiário nas redacções ou delegações do jornal é devidamente enquadrado pelos respectivos editores das secções para as quais os textos são produzidos e pelos directores de fecho em funções".
Sendo natural que neste enquadramento não haja uma especial preocupação com a prevenção de situações como esta (aspectos primários na aprendizagem universitária) parece natural que, a partir de agora, passe a haver. Poderá, pelo menos, evitar casos de ingenuidade de que - como comenta o director do jornal - este parece ser um exemplo.
»

novembro 24, 2004

Há eleições para o Sindicato dos Jornalistas? Pensem nisto, por favor

"O escritor [João Aguiar] (...) lamentou ainda a situação em que se encontram muitos estagiários, que «trabalham como profissionais» mas sem vencimento"
João Aguiar in A Capital de hoje

outubro 20, 2004

Em vésperas do novo livro de Gabriel Garcia Marquez, uma citação:
"Talvez o infortúnio das faculdades de comunicação social seja que ensinam muitas coisas úteis para o ofício, mas muito pouco do próprio ofício"

outubro 07, 2004

A responsabilidade jornalística de um estagiário (mais...)

Dois jovens ex-estagiários comentaram o texto com este nome (de dia 4) e o Contrafactos pede uma discussão mais alargada.
Deixo ficar alguns esclarecimentos suplementares:
- o estagiário curricular deve fazer e deve ir para o terreno; mas por regra não deve publicar/emitir;
- os trabalhos que o estagiário faz por sistema em duplicado (na tal reportagem em que acompanhou o jornalista) devem ser corrigidos e estimulados por alguém na redacção;
- é a errar que se aprende, mas não publicando/emitindo;
- a excepção prende-se com situações, por exemplo, em que houver um conhecimento completo, por parte de um editor, de que aquele trabalho seguiu as regras jornalísticas (no caso em apreço, do Público, se só foi a estagiária à sessão que originou a polémica, como é que alguém pode dizer que ela seleccionou bem ou ignorou algum dado relevante? O editor só pode "chumbar" - como diz a Andreia - se tiver todos os dados);

outubro 04, 2004

A responsabilidade jornalística de um estagiário

Na semana passada deixei duas referências ao texto do provedor do Público. E mais uma poderia ter sido feita. O facto de Joaquim Furtado recuperar o assunto nesta semana empurra-me para essa terceira alternativa: a responsabilidade jornalística de um estagiário.
Resumidamente, o caso conta-se assim: em Lisboa realizou-se um colóquio sobre jornalismo; o Público destacou um dos seus estagiários curriculares, que assinou o respectivo texto (Interesses Económicos Influenciam Escolha das Notícias). Um dos intervenientes não gostou da selecção feita pela jornalista e protestou. Originou a crónica de Joaquim Furtado da semana passada.
Primeiro que tudo é preciso distinguir uma confusão semântica: quando falo em "estagiário pós-curricular" refiro-me aos que acabaram as licenciaturas em jornalismo e que procuram nas redacções o complemento formativo necessário (e não ao que, antigamente, se chamava de estagiário - dois anos antes de ser jornalista, mas já com vínculo).
Estes estagiários são obviamente inexperientes (estão a aprender a...) e não têm qualquer ligação à empresa. Poderão produzir textos/peças como produto final (assinados ou não)?
Do seu próprio ponto de vista essa possibilidade é óptima, para algumas empresas representa mais um texto/peça feito (à borla). Mas para o jornalismo?
Eu que também sofri nos estágios (e para os conseguir), que já acompanhei dezenas de recém-licenciados, acho que não é bom.