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novembro 23, 2005

Uma pergunta (inocente?)

O Público divulgou na segunda-feira os alegados apoios de políticos a Pimenta Machado, com os respectivos nomes, mas a mesma notícia referia abundamentemente um "jornalista desportivo" com quem seriam combinadas notícias "de forma a ser defendida a imagem de Pimenta Machado" (citação do Público, que cita o despacho do Ministério Público).
Mais: "Relativamente ao jornalista desportivo são muitas as conversas transcritas no processo. O repórter combinava com Pimenta Machado qual a melhor abordagem das notícias que iria fazer e chegava mesmo ao ponto de se centrar, apenas, nos trabalhos de investigação feitos pelo Público e pelo Jornal de Notícias, para depois garantir que desmentiria todas as notícias então veiculadas".

Isto suscita uma pergunta:
- por que é que o Público poupou o nome do jornalista, se refere o dos dois políticos (pode haver alguma boa razão, mas sem uma explicação, parece corporativismo serôdio)?
Provavelmente até é alguém que conheço, que vai passar a olhar-me de lado, se chegar a ler este texto, mas será possível ficar indiferente, quando se lê uma coisa destas (a começar pelo Sindicato)?

agosto 02, 2005

Carmona vai ganhar!

Pelo menos, se depender do Expresso!
Em duas semanas seguidas, duas fotos altamente moralizadoras para Carmona Rodrigues no Expresso, sem que houvesse qualquer critério visível de notícia:
Numa, "Carmona acelera até Faro", vê-se o candidato do PSD a atestar a sua BMW 650 rumo à concentração motard. Na última página.
Noutra, na revista Única, secção "Protagonistas", Carmona joga futebol em grande estilo, num jogo de que não há qualquer indicação. Título "Carmona ao ataque. O candidato desportista".
Ao menos que o "apoio" esteja suportado com critérios de notícia. Agora assim?! Carrilho está feito!

junho 02, 2005

Por outro lado, um leitão?

Não vi (daí o atraso), mas ouvi esta manhã Eduardo Cintra Torres referir-se ao caso na manhã da Renascença. Posteriormente confirmei com diversos camaradas de redacção que terá sido mesmo assim e encontrei este texto de Miguel Gaspar: Ana Sousa Dias no domingo em que o Benfica foi campeão apareceu (o programa todo? Só um bocado? não é relevante) com um cachecol do Benfica no programa de entrevista a Marcelo Rebelo de Sousa!
Considero isso tão grave como o juiz que esteve na sede do PS com um cachecol deste Partido ou os jornalistas que no Euro 2004 mostraram parcialidade – e que tanto critiquei!
Ou Ana Sousa Dias deixou de se considerar jornalista (e era bom que o soubéssemos o mais cedo possível), ou considera que o futebol é um caso à parte/menor (e isso é grave, pelos precedentes que abre) ou, finalmente, não se importa – e vamos vê-la, numa das próxima emissões com a bandeira do PS (ou de outro partido qualquer) pelos ombros! Ainda por cima no serviço público de televisão?
Sinceramente, já tenho saudades dos leitões do Juca Magalhães! Também faziam mal, mas eram mais saborosos!!!

PS - Declaração de interesses: sou adepto do Sporting (mas reagiria da mesma forma se o cachecol tivesse sido verde!)

maio 10, 2004

O directo/a emoção/"ruído"

Um dos relatadores do jogo Corunha-FC Porto chorou nos últimos minutos desse relato, tendo sido o comentador a "salvar" a situação, quando a emoção tomou conta do relatador e se sucederam as interrupções.
O que dizer de um caso como este?
- que o jornalista deve/tem de estar vacinado para este tipo de situações? Isso já se sabe!
- que, antes de ser jornalista, é uma pessoa, e como tal também é feito de emoção? É um lugar-comum!
Eu gostava de deixar algumas notas, numa avaliação pessoal:
- chorar é uma expressão radical dos nossos sentimentos e exprimi-los não é a função dos jornalistas;
- chorar, quando isso interrompe o fluxo informativo e "assusta" o ouvinte, desviando-o do essencial, é muito negativo;
- ninguém está livre de - numa situação-limite - cometer esse erro. Mas tem de ser uma situação-limite: não pode ser num jogo de futebol, em que nada de especial aconteceu, a não ser a "vitória" da equipa portuguesa, que, à partida, já tinha 50 por cento de hipóteses;
- aconteceu e depois?! Resta pedir desculpa. O relatador pediu!

agosto 17, 2003

A Volta a Portugal em bicicleta que hoje terminou foi mais um exemplo das perversidades dos exclusivos e, principalmente, do estatuto de (neste caso) "televisão oficial".
Tem alguma lógica que para a RTP este tenha sido um acontecimento que ocupou horas e horas diárias e para a concorrência televisiva às vezes nem 1 minuto?
Não estamos a falar de uma mesma coisa?
Os critérios jornalísticos não são - com subtilezas - universalmente aceites?
A própria TSF também esteve mal; como não tinha o estatuto de "rádio oficial" optou por uma cobertura minimalista (quando, em anos anteriores, sendo "rádio oficial" até a helicópteros recorreu...).
Todos estão de acordo que esta foi a melhor volta dos últimos anos. A nível de organização, competição e emoção. Com os portugueses a ganharem tudo.
Pois não foi isso que terão pensado os telespectadores da SIC ou da TVI ou, mesmo, os ouvintes da TSF (ainda bem que não há espectadores ou ouvintes puros).
Admito que a organização precise de disciplinar o acesso às imagens, porque não pode haver três helicópteros nem três motos por cada estação.
Mas a opção vigente, a de dar tudo à estação oficial, é altamente perversa, porque faz com que a concorrência (para não ser obrigada a reconhecer que não tem) desvalorize. Até para quem organiza é mau...
Considero esta questão dos estatutos negociados uma forma de pressão interna, uma vez que cada jornalista, ou cada editor, fica impedido, por acordos anteriores (à sua margem), de apostar na cobertura que melhor entender, no momento que melhor entender.
Um jornal, uma rádio ou uma televisão nunca deveriam ser oficiais de coisa nenhuma. É anti-jornalístico...