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maio 27, 2005

A fonte (anónima) vai ser denunciada?

Li isto em O Jogo de hoje. E dá a ideia que alguém enganou o repórter da Rádio Renascença:

"Raul Peixoto foi demitido (ADRIANO PALHAU)

Raul Peixoto, director desportivo [do Penafiel], foi demitido em consequência dos últimos acontecimentos em redor da equipa profissional - rebelião de jogadores por alegados salários e prémios de jogo em atraso, situação desmentida desde a primeira hora pelo clube e, 24 horas depois, pelos próprios futebolistas. (...)
"É surrealista", foi desta forma que Raul Peixoto comentou a decisão de António Oliveira - tomada terça-feira à noite -, negando, veementemente, que tenha sido o informador do repórter da Rádio Renascença. "Quem me conhece sabe que só pode ser uma calúnia", frisou Raul Peixoto, fazendo questão de acrescentar que o jornalista da Rádio Renascença teve o cuidado de conversar e esclarecer o assunto com o assessor de António Oliveira, Simões Lopes, e com o próprio presidente do clube.
"Fiquei estupefacto pelo facto de António Oliveira, que conheço há cerca de 30 anos, ter acreditado numa história tão ignóbil", comentou Raul Peixoto
Admitindo saber quem montou a "armadilha", Raul Peixoto, embora não revele nomes, diz-se "amargurado e triste" pela forma como deixa o Penafiel. (...)"

setembro 08, 2004

Voyeurismo mas não privacidade... no banco de suplentes

O episódio da gravação e posterior transmissão de uma conversa entre o treinador do Benfica e o seu adjunto remete, aparentemente, para o domínio da privacidade.
Mas remete, mais, para a obtenção de informações por meios leais.
Ou seja, pessoalmente, e neste caso em concreto, não me importa tanto que seja "seja lamentável que num espaço reservado, não exista privacidade" (Álvaro Magalhães) mas já acho que o director de comunicação do Benfica, Cunha Vaz, tem razão quando diz que "O técnico e o técnico-adjunto do Benfica foram escutados sem que para tal tenha sido dada autorização".
Essa é que me parece ser a questão principal.
O banco de suplentes não é um local reservado, mas as conversas que lá decorrem só podem ser transmitidas se houver autorização prévia.
A gravação, como aconteceu, sem que soubessem que isso podia acontecer, foi obtida por meios desleais. E aqui não se pode invocar qualquer interesse público - que seria justificado no caso-Octávio Lopes (os dois casos têm semelhanças mas não ouvi nada nesse sentido).
No basquetebol é normal assistir às conversas dos treinadores com jogadores, nos intervalos, mas eles sabem que anda um microfone (e uma câmara) por lá.

agosto 17, 2004

As gravações sem autorização

É a opinião de Vital Moreira (não é bem a minha...), mas merece ser equacionada:
"O caso suscita pelo menos três questões cujo gravidade não pode ser escamoteada.
A primeira tem a ver com o triste estado da deontologia profissional do jornalismo em Portugal. A gravação de conversas mantidas por um jornalista sem informar os interlocutores do registo não é somente um crime punido pelo Código Penal, mas também uma infracção deontológica grave. Que agora se saiba que se trata de uma prática longe de ser rara só torna o episódio mais inquietante. A questão vem recolocar em causa a falta de instrumentos de responsabilização e de punição dos ilícitos disciplinares dos jornalistas. O actual estado de impunidade só pode ser fonte dos piores abusos. O ilícito criminal não pode suprir a ausência de mecanismos de autodisciplina profissional.
"

agosto 13, 2004

As gravações sem autorização

No Público de hoje "Directores de Informação Contra Uso de Gravações Não Autorizadas"
Algumas considerações:
- Apesar do que o título deixa perceber, a ideia geral do artigo não é essa: o interessa público pode levar a uma decisão em contrário (como já escrevi, só gravando é que posso avaliar, a posteriori, se há ou não interesse público...);
- Duas frases de José Manuel Fernandes que subscrevo:
- "há situações em que os jornais entendem que devem pisar o risco". "São situações limite, que implicam que os directores e os jornalistas assumam que poderão vir a ser julgados por isso." Mas o caso das cassetes roubadas não é, em sua opinião, uma situação limite.
- "Há pessoas que dizem coisas aos jornalistas que nunca deveriam dizer, escudando-se no sigilo profissional", e no facto de ser "o jornalista a dar a cara quando há violação do segredo de justiça".
- A fechar, já agora: JAS, do Expresso, diz que "não devemos publicar material obtido de forma ilícita". O Código de Conduta não admite o contrário?

agosto 09, 2004

Obter (boas) informação por meios desleais

A BBC mostrou (mais uma vez) como é possível conjugar serviço público, jornalismo e informações obtidas de forma desleal. Aparentemente este é um tríptico inconciliável, até porque, por exemplo, o Código Deontológico dos Jornalistas diz (ponto 4) que "o jornalista deve usar meios leais para obter informações, imagens e documentos".
Mas as excepções estão enquadradas em situações de "incontestável interesse público". Que, nomeadamente, o "Press Complaints Comission" tipifica em nome do "interesse público". E onde se enquadra o caso dos subornos olímpicos.
O problema não está em conciliar disfarces com jornalismo em situações destas, mas na sua banalização ou recurso sem razão plausível - lembram-se de quando uma jornalista entrou numa assembleia geral de uma empresa cotada, que era vedada a jornalistas, com o recurso ao estatuto de accionista, para depois poder escrever?