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fevereiro 24, 2005

O lado mais negro do jornalismo

O JN de hoje dá conta do início do julgamento que opõe Ferro Rodrigues, Paulo Pedroso e Vieira da Silva a O Independente - o jornal disse que estes dirigentes socialistas sabiam há muito dos abusos sexuais na Casa Pia.
Ontem, no tribunal, "os jornalistas assumiram que tinham sido enganados [pela fonte], que teria afirmado ter dado conhecimento às autoridades de uma série de provas, que afinal nunca juntara".
Há duas coisas a dizer, para já:
- em assuntos que envolvam gravemente a honra de alguém não basta uma denúncia (ainda que identificada) de alguém, é preciso que os jornalistas confirmem alguma das provas;
- depois do jornal ter percebido que se enganara, deveria ter feito - com o mesmo destaque da notícia original - um desmentido/explicação;

dezembro 29, 2004

Descubra as diferenças...

"Vítor Fernandes é um empresário natural de Bragança, sendo o responsável máximo da holding Finanzza Investiments, empresa sedeada em Washington (EUA) e presente em Portugal, onde detém o Grupo Norte Rádio e Televisão, estrutura que gere actualmente quatro rádios locais"
Diário de Notícias de hoje (via Lusa)

"Vítor Fernandes diz ser o responsável máximo da Finanzza Investiments, com sede em Washington. Em Portugal, afirma deter o Grupo Norte Rádio e Televisão, que gere quatro rádios locais. Ao que o JN apurou, uma das rádios funciona em Vinhais e é pouco activa, não tendo mantido emissões regulares. Além da estação de Sabrosa, terá ainda uma participação na Rádio Nova"
Jornal de Notícias de hoje

O texto de Dina Margato no JN é uma (boa) excepção no jornalismo português, caracterizado por uma fé (fascinante) dos jornalistas em tudo o que lhes dizem - a ponto de passarem para a sua própria voz ou escrita as informações que deveriam ser creditadas aos respectivos protagonistas!

agosto 07, 2003

Ouve-se em várias rádios: (a propósito de uma notícia da Indonésia) "o autor confesso". No livro diz-se "'O autor confesso'" é uma expressão que temos de recusar. E descrevem-se vários argumentos para isso. Mas falta acrescentar algo que legitima, como excepção, a expressão: se a confissão foi feita em tribunal, em sessão aberta, e perante um sistema judicial considerado independente, a frase tem sentido.
Admito, portanto, a hipótese de usar "autor confesso" quando isso acontece durante uma sessão pública de tribunal (caso contrário, se os jornalistas não estiveram presentes, já tem de ser citada uma fonte, garantindo que ocorreu uma confissão).

julho 07, 2003

A leitura de uma recente crónica sobre vinhos alertou-me para um caso. O jornalista (e é, neste caso, irrelevante se estamos perante um jornalista ou não) tomou como suas as informações que constam do rótulo e descreveu-as, sem qualquer citação, no texto. Acontece que é impossível - a menos que tenha assistido a todo o processo de vinificação - ele saber todos aqueles pormenores, típicos de um contra-rótulo (publicidade, portanto).
A confusão entre informações apuradas pelo jornalista (ou, genericamente, por quem trabalha no jornalismo) e informações oficiais tem de ficar clara, porque a credibilidade de uma e de outra variam fortemente.
Separar a opinião das notícias é fundamental. Mas mesmo num artigo de opinião é importante que se saiba o que é da responsabilidade de quem assina.
Na rádio esta separação ainda é mais dramática, porque, a partir do momento em que não há som, mesmo as aspas são difíceis de demarcar.