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outubro 21, 2005

(act) A paternidade das declarações colectivas

Os jornalistas não gostam de citar - é endógeno... - mas há muitos que apostam em melhorar o seu trabalho, mesmo que isso implique recorrer ao trabalho de outro.
Fruto de uma grande pressão (autoregulação) e vigilância mútuas, o crédito vai sendo atribuído quando não há alternativa (lamento dizer isto, desta maneira, mas é o que sinto).
O problema surge quando há declarações colectivas - aquelas em que há diversos órgãos de comunicação social - e que depois são usadas pelos que lá não estiveram.

De quem são essas declarações? Do domínio público?
É legítima a sua utilização sem atribuir?
Em caso de atribuição, a quem creditar (se há vários?)

Gostaria, se possível, de ouvir algumas opiniões.
Darei, também, depois a minha.

Act a 26/10:
"não há injustiça em citar um grupo de textos em que todos dizem o mesmo. O "mal menor" é assumir que se copiou de um sítio e não se deu o mesmo destaque aos outros - basta ler as colunas de citações dos jornais para perceber a perversidade deste sistema. Citam-se os amigos ou os que dão mais informação?
Por outro lado, para os que falam de reino do plágio, leia-se o Código do Direito de Autor, na parte sobre a "Exclusão de protecção" (artº 7):
1- Não constituem objecto de protecção:
a) As notícias do dia e os relatos de acontecimentos diversos com carácter de simples informações de qualquer modo divulgadas
"

setembro 13, 2004

Atribuir o que se diz e deixar bem claro isso mesmo...

É um tema que tenho tratado com alguma regularidade nesta página, por isso fiquei satisfeito por ter merecido a atenção de Joaquim Furtado na crónica de ontem. É uma falha recorrente nos jornalistas mais novos e Furtado explica-o bem:
"Na notícia há ainda a considerar um outro aspecto que concorre na mesma direcção: a insuficiente distanciação do jornal, relativamente à informação que transmite. A começar pelo título (que não será da responsabilidade da autora da notícia), onde não é o ministro que diz ter poupado 8 milhões, mas sim o PÚBLICO que assume a informação como sua: "Portas poupou 8 milhões de euros com central de compras." E no próprio texto, nem sempre a escolha das palavras favorece essa distanciação.
Por exemplo: "O ministro destacou a 'eficiência' e a 'transparência'do modelo de gestão, e sublinhou a compatibilidade (...)."
Escrito assim, é como se a eficiência, a transparência e a compatibilidade fossem dados demonstrados e o ministro apenas os tivesse posto em relevo...
Muito diferente é escrever que o ministro considerou que o modelo de gestão é eficaz e transparente, ou que, na sua opinião existe determinada compatibilidade.
"

julho 30, 2004

A força (excessiva...) do lead

Ouve-se:
"O novo Hospital de Cascais vai começar a funcionar no primeiro semestre de 2008. O concelho vai assim poder contar com..."
Uma coisa é um responsável político fazer esse anúncio, outra é o jornalista a dizê-lo (como acabou por acontecer). O jornalista quando o afirma - desta forma - introduz uma dose de credibilidade que provavelmente se vai virar contra ele: não será preciso ser muito visionário para apostar que esse novo hospital chegará atrasado. E contudo o jornalista garantiu (sem saber do que é que está a falar, limitou-se a ouvir dizer).
Diferente é se disser: "O ministério da Saúde garante que..." ou " o novo hospital começa a funcionar no primeiro semestre de 2008, garante o...".
É uma subtileza? É muito mais do que isso...

fevereiro 10, 2004

Mais sobre a "propriedade" das fontes

O Público de hoje recupera o caso contado no domingo no programa "Clube de Jornalistas" do canal 2 e que suscitou o texto de ontem.
Mas o texto do Público aborda mais a polémica de quem terá revelado a fonte do que, propriamente, a questão que ali ficou subjacente: a fonte é do jornalista ou do jornal para que ele trabalha?
Nesse texto, o antigo director-adjunto Ribeiro Ferreira lembra o Código Deontológico (ponto 6): "O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas".
As fontes são do jornalista; o órgão de comunicação social para que trabalha só as poderá revelar com o consentimento expresso daquele.
No caso em apreço, como foi explicado durante o programa, dos três jornalistas envolvidos, dois defendiam que a fonte é, em última instância, do jornal. Mas continua a dúvida sobre quem terá feito a revelação. Os dois jornalistas dizem que foi a direcção; esta nega, hoje, no Público.

fevereiro 09, 2004

A "propriedade" das fontes

O programa do Clube de Jornalistas, no canal 2, suscitou ontem uma questão tão interessante quanto inexplorada: as fontes são dos jornalistas ou dos órgãos de comunicação social para que estes trabalham?
O programa em causa tratava do sigilo das fontes e ouviu, a propósito, dois dos protagonistas do caso mais estranho que aconteceu, nesta matéria, em Portugal: a revelação da fonte de informação (Fernando Negrão) no caso Moderna, pelo Diário de Notícias, Margarida Maria e Rudolfo Rebelo.
Ao contrário do que pretendia a jornalista (que se despediu do DN por causa do caso), vingou a teoria que a fonte é do jornal, apesar da informação lhe ter sido dada a ela. E Negrão foi demitido pelo ministro da Justiça...
Presente no debate, o advogado Pinto Ribeiro argumentou, à luz de uma interpretação implícita do Estatuto do Jornalista, que a fonte é do jornalista e, portanto, intransmissivel.
Mas o caso não ficou esclarecido.
Gostaria de voltar a este assunto, com mais dados. Agora, fica um primeiro contributo.