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março 21, 2006

ACT«É lamentável ainda não existir uma Ordem dos Jornalistas»

defendeu ontem Emídio Rangel (conta hoje o Jornal de Negócios).

Falta o quê?

ACT a 24/3: «Foi há 20 anos e discutia-se, tal como ainda hoje, o abstracto e o óbvio: a ética e a estética, a independência e a liberdade de expressão, o problema dos estagiários desamparados e explorados, os efeitos da concentração dos meios em grandes grupos e, finalmente, a ameaça, sempre presente, de "meter os jornalistas na ordem". Não se discutiam os malefícios da televisão privada porque na altura só havia uma e pública.Eram poucas as mentes que tentavam desalinhar o discurso. As questões sindicais apareciam sempre misturadas com as questões deontológicas e qualquer tentativa para discutir as vantagens de uma eventual separação, através de organismos autónomos, era vista como algo amaldiçoado. O jornalismo perdia assim a oportunidade de caminhar no sentido da auto-regulação. A recém-criada Entidade Reguladora para a Comunicação Social não deixa de ser uma derrota dos próprios jornalistas, que, pelos vistos, acordaram tarde» (Alcides Vieira no DN de hoje)

março 10, 2006

Um parecer politicamente correcto

- Terá a ERC pensado no sinal que estaria a dar ao elaborar o seu primeiro parecer?
- Será possível à ERC fazer melhor do que isto, nomeadamente avaliar questões relacionadas com a prática e a técnica jornalística?
- Uma coisa parece-me certa: dizer que «Terem existido, no plano profissional interno, discordâncias relevantes entre as jornalistas envolvidas e as suas hierarquias, relativamente a critérios jornalísticos aplicáveis à cobertura deste caso (com claro prejuízo do ambiente de trabalho e consequentes reflexos na situação jurídico-laboral) e traduzidas, nomeadamente, em intervenções jornalísticas paralelas e concorrentes por vezes contraditórias, pouco credibilizadoras da Agência e prejudiciais, em última instância, ao rigor da informação» é tudo e nada (parece um daqueles discursos do último Presidente da República que todos os partidos políticos, do BE ao CDS, elogiavam...);

janeiro 03, 2006

O que está a fazer Mário Soares

Mário Soares não tem - acho - qualquer razão. E os únicos dados disponíveis mostram exactamente isso mesmo (aliás, se Mário Soares quiser ser levado a sério tem de mostrar números que o comprovem...).

Mas percebo que o antigo presidente o faça. É duplamente inteligente:
- lança a suspeita sobre um eventual favorecimento a Cavaco Silva, o que se transforma num argumento de discussão política (justificando, até, uma hipotética derrota);
- obriga - pela dimensão da afirmação - a comunicação social a estar mais atenta e, se calhar, a dar-lhe a ele próprio mais cobertura;

PS - um caso como este alerta para a inexistência em Portugal - penso que é caso único - de uma entidade patronal do sector dos media, uma associação com intervenção cívica e com posições regulares sobre os assuntos que lhe dizem respeito. Como este (acabo de ouvir Pinto Balsemão falar pela Impresa).