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maio 30, 2005

"Palavras vazias"

Um dos hábitos mais negativos do jornalismo actual é - nos momentos de festa (por exemplo) - ocupar o espaço de emissão com perguntas ao "povo". Perguntas inúteis, a maior parte das vezes, sempre as mesmas - "como se sente?", "satisfeita?", "Acha que o Benfica vai ganhar?".
Perguntas que empobrecem os repórteres e embrutecem os ouvintes/telespectadores (felizmente, o jornalismo impresso, por não ter directos, está livre deste cancro!).

Hoje, na sua crónica habitual, Eduardo Prado Coelho fala sobre isto. Podia chamar-se "Palavras vazias"...

abril 12, 2004

Perguntas estúpidas ou perguntas inúteis?

Na sua obrigatória coluna semanal no Expresso, Pedro D'Anunciação escreve, na última edição, sobre as perguntas estúpidas.
É um tema a que sou muito sensível, tendo escrito sobre ele no livro e neste blogue, por diversas vezes.
Recapitulo: não há perguntas estúpidas, como, aliás, se percebe pelo exemplo citado (uma jornalista da RTP perguntou a José Saramago aquilo que muitos portugueses também se perguntaram - como comentava a contradição entre o voto em branco e a sua candidatura ao Parlamento Europeu; o nobel respondeu: "a senhora só faz perguntas estúpidas").
Daquilo que, sobretudo na opinião do interlocutor, pode ser uma pergunta estúpida pode surgir uma resposta muito... interessante.
O que há são perguntas inúteis, aquelas que têm a resposta implícita, e por isso desnecessárias.

dezembro 31, 2003

A entrevista e a "pergunta estúpida"

O presidente do Futebol Clube do Porto, ontem, perante uma pergunta de actualidade (relacionada com o facto do presidente da Câmara do Porto estar a seu lado), reagiu assim: "essa é uma pergunta estúpida".
Não há perguntas estúpidas - excepto aquelas cujas respostas (quase) todos já sabem. Mas aí não é a pergunta que é estúpida...
No caso em concreto, a pergunta impunha-se, mesmo que - ou sobretudo se... - o entrevistado não a desejasse!
Imagine-se - e não seria nada de original - que aproveitando a presença dos dois arqui-inimigos, alguém tinha ensaiado uma conciliação. Só perguntando se obteria essa informação.
Perguntar é fundamental. Mesmo sujeitando-se ao mau génio do entrevistado. O repórter esteve bem...
PS - já não tenho a mesma opinião sobre o "rodapé" do repórter, depois da resposta "torta": "a má disposição do presidente do FC Porto". Reconheço que não é fácil rematar uma situação destas, mas devemos evitar uma classificação daquilo que nos disseram.

outubro 12, 2003

Chamo "a pergunta inútil" às questões postas por muitos repórteres (do tipo "satisfeito com esta vitória?"), quando não, mesmo, opiniões ("uma grande exibição! Contente?").
Não se pense que é um exclusivo do desporto (e do futebol), este povo apenas faz mais directos, está mais tempo em directo!
A saída da prisão do deputado Pedroso e a consequente (e lógica) chusma de jornalistas à porta do EPL suscitou esta interrogação? "O que é que eu lhe perguntaria primeiro?"
- se estaria satisfeito? Já se sabe que sim?
- qualquer coisa relacionada com o processo judicial? Pareceria deslocado e até justificaria uma resposta "torta" do deputado;
Pensando bem, a primeira pergunta - para evitar ser uma "pergunta inútil" mas ao mesmo tempo razoável - teria de ser sempre em aberto:
- "como é que foram estes dias detido?" (bons não foram, mas ele é que sabe como os descreveria) ou "e agora o que pretende fazer?" parecem-me hipóteses razoáveis para conciliar bom senso e sensibilidade, em circunstâncias sempre difíceis!