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janeiro 18, 2005

Tratar por tu - um caso pessoal

Em 2002, quando estive a escrever aquele que veio a ser chamado "Para um livro de livro estilo da TSF", tentei compatibilizar uma impossibilidade mais ou menos óbvia: evitar o tom dogmático e impositivo das regras com a necessidade de uniformizar, sugerir e corrigir práticas. E um livro de estilo só o pode ser se for seguido. Custe o que custar...
Vem isto a propósito de um caso que se passou comigo esta semana: propus-me entrevistar um viajante/aventureiro que escreve semanalmente uma crónica no Público e a quem mandei um e-mail, pedindo um contacto.
Quando começámos a gravação da entrevista, e nos primeiros instantes da conversa, descobrimos que afinal nos conhecíamos e que havia várias coisas em comum. Ele começou de imediato a tratar-me por tu e eu segui o mesmo registo - foi inconsciente.
E isso acabou por ficar na gravação.
No livro, o que escrevi contraria essa possibilidade (e não aceito a ideia de que em certos assuntos mais "light" isso se aceite), e eu tinha isso presente. Mas aconteceu. E - mais - foi assim para o ar!
Conclusão: as regras têm excepções mas, mais do que isso, em certos momentos podem ser fortemente condicionadas. Foi o que aconteceu com aquela situação: Filipe Morato Gomes, perdido no norte da Birmânia, satisfeito por me reconhecer; não fui capaz de o contrariar!

maio 14, 2004

A identificação de quem fala - no directo

Eduardo Cintra Torres é uma leitura obrigatória porque se trata de alguém que estimula o pensamento de todos os que interferem no sistema mediático - nem que seja para discordar (mas com argumentos, claro).
ECT, na crónica da passada segunda-feira no Público, questiona o facto de José Alberto carvalho (JAC) ter tratado a mulher de Carlos Cruz pelo nome próprio, em directo, portanto.
ECT não desenvolve o pormenor, mas percebe-se que considera isso um sinal de excessiva proximidade.
E esse tal pormenor é suficiente para estimular aqui uma reflexão.
Será esse tratamento mais próximo sinal da suavização a que se assiste hoje no jornalismo português?
JAC trataria pelo nome próprio um convidado (por telefone ou no estúdio) se a entrevista tivesse um sentido mais escrutinador?
Não (ou)vi a referida entrevista, mas também não é esse o objectivo.
O tratamento/identificação de quem fala, sobretudo em directo, é muitas vezes um momento de desordem no normal funcionamento das coisas...
Como é que JAC deveria ter tratado Raquel Cruz? Por Raquel Cruz, assim mesmo? Não será excessivamente distante e frio?
Faltava ali um "dr" ou uma "professora" (não tanto por deferência mas pelo sinónimo de qualquer função - Raquel Cruz falava na qualidade de Raquel Cruz e de mulher de Carlos Cruz)?
Foi por falta dessa muleta que se optou pelo primeiro nome?
Durão Barroso nunca seria tratado por José Manuel sem que isso fosse entendido como excessiva proximidade?
Se alguém quiser contribuir, a gerência agradece...