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novembro 08, 2005

A rádio em directo

Sou dos que acreditam que a rádio portuguesa vai ganhar ouvintes, quando os iPods retirarem da antena a música a metro que hoje existe.
Substituída por mais voz, por mais pessoas, por mais conversa. Por mais directos.
O directo vai ser recuperado como elemento genético da rádio, quando ela se libertar da actual tralha musical - e não vai demorar muito...
Vem isto a propósito de quê?
Hoje de manhã, entre as nove e meia e as dez, Paulino Coelho protagonizou um momento especial na Renascença: em mais uma edição do passatempo "Jack do pote", ligaram para o número de uma senhora que se inscrevera previamente. A senhora é funcionária pública e deu o número geral da secretaria (de um ministério?); atendeu a telefonista que, depois do primeiro embaraço, explicou que a concorrente estava de atestado, mas que ia confirmar. Paulino Coelho aguentou-se como grande profissional que é, sem rede, dizendo apenas que nunca lhe acontecera uma coisa destas. A concorrente estava mesmo ausente.
Eu gostei de ouvir e fiquei aqueles minutos agarrado à rádio, apreciando a magia do directo!

maio 25, 2004

Os riscos do directo

O insólito aconteceu ontem à noite na Sic Notícias: o presidente do Benfica "invadiu" os estúdios e entrou no programa que decorria em directo.
Só que, na verdade, não se tratou de uma... invasão. E se muita gente comenta, hoje, a palhaçada de ontem foi porque a Sic quis/deixou. Deu audiências. Mas foi bom?
- em primeiro lugar, o presidente do Benfica só entrou no estúdio porque o deixaram entrar (até o maquilharam, provavelmente);
- depois nem se coloca a questão do "direito de resposta": aquele formato não o contempla (não costuma haver convidados); bastava argumentar isso e combinar uma alternativa;
- o presidente do Benfica deslocou-se ao estúdio e queria falar? A Sic Notícias tem noticiários hora a hora e poupava-se o espalhafato;
- a Sic Notícias até achou boa a presença do presidente do Benfica? Podia ter arranjado o cenário, evitando aquele caos;
Estas reflexões apontam para que a opção da Sic Notícias tenha sido pelas audiências/espalhafato; prefiro não pensar que a outra razão (não terem coragem de lhe recusar a entrada, por ser o presidente do Benfica) não faz sentido!

março 29, 2004

O directo - falar claro

Um caso muito interessante aconteceu na quinta-feira passada e vale a pena contá-lo aqui, porque tem tudo a ver com a dificuldade de fazer rádio... em directo.
No parlamento o primeiro-ministro falava sobre insegurança, Iraque e etc. quando afirma: "Temos excelentes relações com a República Popular da China (gerimos a transição de Macau), mas ninguém pretende que a China seja uma democracia pluralista. Alguém defende que vamos romper relações diplomáticos com a China?".
Poucos minutos depois, na antena da TSF, António José Teixeira falou em "gaffe" do primeiro-ministro, acrescentando que "a hipocrisia das relações internacionais tem limites". Para o comentador, DB "provavelmente não quereria dizer - mas disse".
Por uma questão de interesse pessoal, indaguei, a seguir, do alcance do discurso do primeiro-ministro. E de S. Bento explicaram-me que DB usou a palavra "pretender" no sentido inglês - ou seja, terá querido dizer "ninguém acha/entende que..." e não "ninguém deseja que...".
Conclusões:
- a rádio vive no momento, muito mais em directo, como era o caso;
- no jornal seria sempre possível, mais tarde, contactar o gabinete do primeiro-ministro e perceber o que estava em causa;
- a semântica plural de determinadas palavras acentua o grau de descodificação;
- os políticos (e os protagonistas em geral) devem preocupar-se não apenas com o que dizem mas também como dizem. Uma formulação "à inglesa" gera equívocos. Da próxima será assim tão simples?