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fevereiro 01, 2006

Chama-se a isto enviesamento (e é grave!)

Luís Paixão Martins não tem dúvidas em afirmá-lo. E se ele o diz, desta forma, vale a pena contestá-lo? Será mais interessante perceber porquê. Porque os jornalistas são, sociologicamente, de esquerda (são mesmo, ou é um lugar comum?)?

"a comunicação social penaliza mais as candidaturas de direita (...) Outro exemplo é Jerónimo de Sousa, que fez um grande evento no Pavilhão Atlântico com dezenas de autocarros alugados. Isso era uma coisa impensável numa candidatura de direita, pois os jornalistas não chegariam a entrar no pavilhão, ficavam à porta a mostrar os autocarros e a fazer contas ao dinheiro gasto. Numa candidatura de direita temos de ser ainda mais rigorosos do ponto de vista mediático do que numa candidatura de esquerda

novembro 22, 2004

Do Público

Há coisas que, por vezes (mais vezes do que seria desejável...), nos passam despercebidas. Ainda bem que há quem esteja atento...
«O JN e o DN traziam (na quinta-feira) fotos quase idênticas da Assembleia da República: aperto de mão solidário, na bancada do Governo, entre o primeiro-ministro e o ministro das Finanças, enquanto Paulo Portas apadrinha, enlevado, a cena. A diferença cifra-se em alguns segundos de diferença entre os instantâneos: o do diário de Lisboa apanha o sorriso de Santana Lopes em todo o seu esplendor, o do Porto capta o capta em expressão menos efusiva (em dissolução ou em formação?). A imagem do DN traduz a transitória euforia, a do JN reflecte a monotonia do trivial.
Não seria legítimo transpor esta análise para o território da intencionalidade, ou seja sustentar que num dos casos se pretenderia empolar os sucessos governamentais e no outro diminuí-los. O mesmo não se pode dizer da comparação dos títulos. O DN inscrevia na foto, sob fundo branco e em letras garrafais, a palavra "Optimistas". O JN estabelecia maior distância em face do Governo: " 'Acabaram os sacrifícios', dizem eles". Ora, este "dizem eles" é temível...
Por seu lado, o Público traz, igualmente, na primeira, a bancada do Governo, mas com o responsável pelo Executivo e dois membros do Governo de semblante cerrado e mão a apoiar o rosto. São os ministros Gomes da Silva e Morais Sarmento, com o discreto título: "Alta-Autoridade confirma que o Governo tentou pressionar a TVI a afastar Marcelo". O tema é outro. Mas a tendência dos três diários é diferente. A análise das imagens é um indicador precioso, mesmo no jornalismo impropriamente dito escrito
».
Mário Mesquita in "Cenas, Incidentes e Profecias"
(sublinhados meus)

novembro 01, 2004

Auto-censura?

«(...) Moniz foi entrevistado por Pedro Pinto em directo. Na noite anterior o Jornal Nacional apresentara uma entrevista gravada do mesmo jornalista com Paes do Amaral. A abundante sinalética do Jornal Nacional não indicou o diferido. A atitude do jornalista foi totalmente diversa consoante entrevistou o patrão ou o chefe directo dos jornalistas. No caso de Amaral o entrevistador manteve um registo correctíssimo e fez-lhe perguntas adequadas. No caso de Moniz, Pinto adoptou uma atitude emocional, simpática e declarativa, do tipo estamos do teu lado, estamos contigo, queremos que fiques, etc. Esta atitude é totalmente desadequada e desnecessária e a duplicidade de comportamentos é pouco profissional.»
Eduardo Cintra Torres, no Público,

outubro 25, 2004

Coisas que fascinam

Ouve-se:
"... Fernando Santos, um treinador fadado para ter sucesso nas equipas gregas".
Pode ser distracção, pode ser ignorância (não acredito, vindo de jornalistas especializados...) ou pode ser propositado (fascinante...). Mas não é preciso ter uma memória muito boa para saber que Fernando Santos só teve sucesso no AEK; no Panathihaikos foi despedido poucas semanas depois.
Sucesso para quem treinou duas equipas e falhou numa?

outubro 20, 2004

Mistura de factos e opinião

Não é a primeira que aqui se escreve sobre os perigos de misturar factos com opinião.
Mas o texto do Público de hoje justifica a insistência:
"Pode ser coincidência, mas a tendência parece notar-se desde o chamado caso "Marcelo". Manuela Moura Guedes faz verdadeiros editoriais quando apresenta as peças ou faz os remates no final das reportagens. Não só pelo que diz, mas também pela sua expressão facial. E às vezes pelo seu riso. O tom varia entre o género "vamos lá pôr a nu as trapalhadas dos ministros", a resignação "enfim, caros telespectadores, é o governo que temos..." e o tipo "ainda bem que a TVI existe para desmascarar tudo isto."

setembro 22, 2004

A metaformose de A Capital

Dizer isto (na primeira página) é uma irresponsabilidade muito grande!
"O ex-ministro da Educação, David Justino, abriu um concurso público para empresas informáticas com o objectivo de modernizar as tabelas de colocação de professores. Surpreendentemente, esse concurso foi ganho pela Compta, organização que tem como presidente da assembleia geral o ex-militante do PSD Rui Machete e como ex-administrador executivo Couto dos Santos, antigo ministro da Educação de Cavaco Silva. Um e o outro não estiveram entre os que apoiaram Santana Lopes. Talvez por isso, a ministra exige que a empresa seja responsabilizada. Esta aparente promiscuidade é mais um episódio negro na política feita em Portugal."
(sublinhado meu)

outubro 30, 2003

Ouve-se uma promoção do relato/jogo Académica-Benfica, com texto e sons. Estes (dois) remetem para um golo de Miguel e outro do Benfica.
É, ainda que de uma forma muito simbólica, uma expressão de parcialidade.
É uma forma da rádio dizer que acredita na vitória do Benfica, antes dela acontecer (ou de outro clube qualquer, claro). Isso já uma forma de tomar partido. Mas pode facilmente ser interpretado como um desejo: a rádio espera que o Benfica ganhe!
A inclusão de sons nas promoções traz dinamismo à antena e ao próprio formato. Mas devem ser sons submetidos a critérios de equidade/distância.
Como? Colocando sons neutros (que não referiram nenhum clube em particular) ou dos dois clubes, que ficariam em plano de igualdade.
Se fosse a promoção de um Sporting-Benfica também haveria apenas golos de um dos lados?
Nota final: estas promoções, por regra, não são executadas por jornalistas; ou seja, os seus autores não dominam plenamente as técnicas editoriais. Mas este é mais um exemplo a favor do conceito de jornalista-operador e do operador-jornalista.

outubro 29, 2003

É estranhíssimo o caso de ligação afectiva entre o povo jornalístico português e o amnésico-pedófilo Carlos Silvino!
Mais do que o nome, impera o diminutivo pelo qual era conhecido na Casa Pia, o tal Bibi.
Que os alunos da Casa Pia o tratem por Bibi é problema deles, mas os jornalistas também?
Desde logo o problema dos diminutivos, sempre de evitar (porque podem pressupor problemas de descodificação e, mais importante, afectividade, parcialidade); mas o caso - em particular - é ainda mais rançoso: um diminutivo tão querido e pequerrucho como Bibi para aquele que ameaça tornar-se o "homus horribilis" desta década em Portugal!
PS - Eduardo Cintra Torres diria que é mais um exemplo da antropormofização psquiátrica do drama, prática habitual das televisões portuguesas: chama-se-lhe Bibi para, pelo paradoxo, acentuar como é horrível! Mas, infelizmente, não é apenas nas televisões. É em todo o lado.