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maio 12, 2005

Última do caso para fazer jurisprudência

Lembram-se?

Este parece ser o derradeiro desenvolvimento: "A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) considera que o jornal Público «incorreu na prática de crime de desobediência qualificada previsto e punido nos termos da alínea a) do artigo 32.º da Lei de Imprensa», por não ter publicado a rectificação a um artigo inserido na edição de 15 de Dezembro de 2004, com o título Parecer - Ordem diz que aborto raramente se justifica por razões psíquicas"

abril 26, 2005

Credibilidade do JNegócios em causa?

No Expresso de sábado (última página do primeiro caderno) li uma breve que me deixou apreensivo: "Oliveira contra Fernandes"; a meio da notícia, que dá conta de uma queixa de Joaquim Oliveira contra o Jornal de Negócios, fala-se em "quebra de independência editorial e incumprimento das regras deontológicas" por parte do jornal.
Parece uma coisa grave. Ou será apenas fruta da época (a guerra é mais vasta e o jornal «apanha por tabela»)? O futuro o dirá. Mas parece-me que a credibilidade do Jornal de Negócios é atingida por esta acusação. E a credibilidade é o valor mais importante de cada meio de comunicação social. Esperei pela edição de hoje do JNegocios. Mas nada. Só no Diário Económico é que a questão é desenvolvida (e explicada).
Leitor irregular do JNegócios e admirador de Sérgio Figueiredo, não fico indiferente. E - devo confessar - não é a primeira vez que ouço, entre os jornalistas que fazem economia, acusações de alguma excessiva proximidade com o accionista. Também por isso gostava que isto se esclarecesse...

ACTUALIZAÇÃO a 27/4: o JNegócios refere-se hoje, pela primeira vez, ao caso (que a sua edição on line noticiou na sexta-feira e que deu origem a tudo isto!!!). Mas apenas com uma notícia, que, basicamente, repõe a que o Expresso trouxe no sábado e a do DE de ontem. DE que volta hoje ao assunto, com os mesmos argumentos de ontem, mais a confirmação da queixa entregue pela Controlinveste contra o JNegócios na AACS. Por mim, reafirmo o que escrevi ontem.

abril 21, 2005

Um caso para fazer jurisprudência

Chega ao fim (chega?) um caso que acompanhei aqui desde o princípio.
Os mais pacientes podem procurar o contexto aqui e aqui (há ligações perdidas, nomeadamente no Público).
De qualquer forma, a coisa resume-se assim: uma jornalista do Público pediu informações à Ordem dos Médicos e esta respondeu-lhe com um conjunto de informações que tinham sido solicitadas - e ainda não enviadas - pelo DN.
O Público publicou e o DN protestou.
Pareceu-me desde o princípio que a fonte foi distraída (no mínimo...) ou mal intencionada. Mas também me pareceu que estando a jornalista do Público consciente da situação poderia ter contactado a camarada do DN (sublinho a palavra camarada, a que me parece mais correcta nestes contexto).
Agora o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas veio dar razão ao protesto do DN. E temos aqui uma situação que pode fazer jurisprudência para o futuro.

PS - como leitor do Público, gostaria de ler neste jornal alguma coisa sobre isto. Na pág. 36 da edição de ontem, há um texto da jornalista em causa, Catarina Gomes, chamado "Um parecer da Ordem dos Médicos" (pena não estar disponível sem ser por assinatura). Mas penso que se justificaria uma posição da Direcção do jornal sobre o assunto.

O DN volta ao assunto, nas suas páginas de "Media & Televisão", com a resposta ao artigo de opinião da jornalista do Público e ainda uma carta que o Público se terá recusado a publicar, mesmo com uma indicação nesse sentido dada pela AACS (e era preciso?...)

janeiro 25, 2005

Esperteza saloia...

Uma das matérias mais difíceis de consensualizar é a das citações dos outros órgãos de comunicação social - em que situações se deve citar?
Uma das situações que está consensualizada é citar na primeira edição após determinada notícia ter sido publicada e, ainda mais, quando não há outros avanços.
Uma das espertezas mais saloias é ouvir/ler/ver uma determinada notícia e falar logo a seguir com o(s) mesmo(s) protagonista(s), contornando a "necessidade" de creditar a informação à origem.
Alguns órgãos de comunicação são mais especialistas do que outros, mas os que se reclamam de "referência" devem evitar o golpe a todo o custo.
Espantou-me, por isso, ler no Público de hoje esta notícia "Faculdade de Medicina do Porto tem falta de cadáveres" que foi uma investigação de uma camarada meu, da redacção da TSF, e passou ontem. Com as mesmas informações e, mais curioso, com, exactamente, os mesmos protagonistas... Mas sem qualquer crédito à fonte que investigou, pensou e elaborou!
O jornalismo, assim, é fácil!

novembro 22, 2004

Do Público

Baptista Bastos dá conta de uma situação altamente conflituosa: ele escreveu no Jornal de Negócios um texto (muito crítico)sobre uma entrevista dada por um ex-membro do Comité Central do PCP a A Capital. Este não gostou mas em vez de escrever para o Jornal de Negócios dirigiu uma carta ao director do... Público. Que a publicou. Baptista Bastos responde agora no Público
Como diz o jornalista, "a esmagadora maioria dos leitores do "Público" desconhece, como é natural, o conteúdo da minha recatada coluna no "Jornal de Negócios"; e os leitores deste ficam, lamentavelmente, privados dos fulgores da inteligência do Domingos Lopes."
Fará algum sentido que o Público publique um texto a comentar uma entrevista noutro jornal? Estas coisas devem ser tratadas nos seus próprios espaços. E não na casa dos outros...

outubro 06, 2004

A metaformose de A Capital

Muito curiosa a forma como a generalidade da comunicação social matutina de ontem (rádios e televisões) desconfiou da manchete de A Capital - que anunciava a saída de Carlos Carvalhas.
Nas redacções terão pensado: "se isso fosse verdade não saía em A Capital?! Muito mais uma notícia com origem no PCP, que não permite fugas". E toda - ou quase toda - a gente se enganou...
O caminho de credibilização de A Capital faz-se mais lentamente do que os seus responsáveis desejariam (quem é que disse que cair é fácil, levantar-se é que custa?).
PS - Obviamente, hoje quase todos os jornais referem a "cacha" de A Capital.

setembro 27, 2004

Os critérios de notícia, a selecção/a omissão e as notícias do "nosso" accionista... Confuso?

Só aparentemente: é preciso ler "Como se escolhem as notícias", a crónica de Joaquim Furtado no Público de ontem!
Um excerto (até porque os textos do Público são retirados de circulação algum tempo depois):
"(...) embora tendo discursado "perto de uma hora", Acácio Barradas não se queixa de o PÚBLICO ter omitido uma parte do que ele disse, mas sim de ter omitido uma determinada parte: aquela em que se referiu ao PÚBLICO. Ou seja: a uma omissão, que noutras circunstâncias se aceitaria como critério jornalístico, atribui-se uma intenção deliberada na qual se envolve a própria noção de honestidade profissional."

outubro 09, 2003

Um considerando (mais ou menos) à margem do tom geral destes textos:
- quem ouviu a rádio ontem e viu as televisões (libertação do deputado Pedroso) não pode deixar de destacar a sobriedade dos repórteres da rádio em comparação com a excitação descontrolada de muitos dos repórteres das televisões.
A exacerbada concorrência é, talvez, a principal causa, mas não justifica um comportamento que, entre outros, podemos caracterizar desta forma:
- mistura de factos com opinião (“É incrível o que está a aqui a acontecer; isto precisa de ser denunciado”, dizia uma das melhores jornalistas…);
- incapacidade de esperar pelo fim das (breves…) respostas, sobrepondo sistematicamente as perguntas (e criando uma grande confusão sonora e, mesmo, visual), apenas para ter o “privilégio” da pergunta;
- “molhadas” consecutivas, com atropelos e empurrões. E mau aspecto!
- comportamento não-ético quando determinado acordo é pedido (e seguido apenas por alguns) ou quando vários repórteres de imagem (e fotográficos) se recusaram a sair do elevador, por onde o deputado pretendia seguir.
A televisão tem muito mais impacto do que a rádio?
Mas o custo é muito elevado!