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dezembro 12, 2005

Esta notícia cheira-me a esturro...

"Grupo que matou agente da PSP poderá ser detido esta noite"

Até pode acontecer que a previsão se confirme - que haja detenções esta noite - mas qual é a necessidade de divulgar detenções com pré-aviso? Além dos riscos quanto à sua confirmação, a notícia em causa parece fazer parte de uma estratégia de comunicação (da polícia? do MAI?) para sossegar alguns espíritos mais inquietos (os próprios polícias...).

Eu só escreveria uma notícia como esta se tivesse uma declaração devidamente identificada ("Segundo a mesma fonte, que não foi identificada") ou, no limite, a fonte - embora anónima - fosse daquelas que...

novembro 14, 2005

Sócrates controla!

Eis uma estratégia de comunicação perfeita:
Sócrates e o governo explicaram, durante uma semana, em "on" ou "off", que o aumento do ordenado mínimo não poderia ser muito mais do que 2,3%, o que motivou críticas dos sindicatos.
Nos últimos dias os jornalistas dividiram-se entre os que falavam claramente entre os 2,3 por cento e os que iam um pouco mais longe, 2,5%.
Hoje Sócrates chegou à reunião da concertação e anunciou 3%.
Surpreendeu tudo e todos e conseguiu, até, uma coisa insólita, o aplauso de algumas confederações patronais!
Dá ideia que a polémica morreu à nascença e o assunto, amanhã, já não será notícia.
(O que fez Sócrates? Manteve a expectativa muito baixa, resistiu a qualquer tentação de dar um sinal sobre o que ia fazer, foi disciplinado, e quando chegou o momento deu a estocada - nem mesmo os sindicalistas estariam à espera de um aumento de 3 por cento)

(obrigado Pedro)

julho 11, 2005

(sint) O arrastão - fim

Muito já se escreveu sobre o pseudo-arrastão e nem é possível deixar ligações para alguns das páginas que sobre ele se pronunciaram. Não seria justo, são, mesmo, muitos.
Penso que, também por isso, se justifica uma síntese, a partir deste texto:

- No ano passado houve a cobertura do Euro 2004 que envergonhou o jornalismo; em 2005 o pseudo-arrastão candidata-se à mesma distinção;
- As últimas informações dadas pelo comandante da PSP de Lisboa demonstram por um lado a fragilidade da nossa polícia, mas igualmente a fragilidade da nossa produção editorial (nem que seja por uma questão de marketing, reconhecer o erro seria positivo);
- Diana Andringa tem o GRANDE mérito de ter mostrado o embuste jornalístico. Mas não se livrou de acusações desnecessárias de aproveitamento político (é candidata do BE à Câmara da Amadora) nem esclareceu o que é que entende por manipulação (eu continuo a pensar que se tratou principalmente de incompetência e precipitação);
- Como dizia ontem no JN o provedor Manuel Pinto, este caso foi discutido sobretudo à margem dos "grandes medias". O título, aliás, diz tudo: "Vozes que não se ouvem nem lêem nos media".
- Os leitores deste blogue deram o seu contributo: penso não estar enganado (não tenho nem faço estatísticas de nenhuma espécie), mas não me lembro de um tema suscitar tantos comentários úteis.

julho 04, 2005

(3 act) Ainda o "arrastão"

Através de dois comentários deste texto do Jornalismo e Comunicação, cheguei ao endereço da página criada por Diana Andringa, sobre o pseudo-arrastão (ela diz que é preciso inscrever este caso na história da manipulação de massas em Portugal).
Deixo-o ficar na esperança de que tenham mais sorte do que eu (que não consegui abrir): http://www.eraumavezumarrastao.net/

Fica, em alternativa, via irreal tv, o texto de Adelino Gomes, no Público de ontem.

Act a 5/7/05 (15h35): estou com azar, continuo sem conseguir abrir.

Act a 5/7/05 (19h34): Finalmente! E, depois de ver, deixo algumas (primeiras) ideias:
- Diana Andringa fala em manipulação. Mas, da mesma forma que não é possível conceber corrupção sem corruptor, quem é que manipulou? O empregado do bar que é entrevistado nos três canais e fala em arrastão ou a extrema-direita, para pretextualizar a manifestação racista? Francamente...
- Não há dúvida que a generalidade da comunicação social meteu água. Foi uma conjugação de sensacionalismo e de tabloidismo (e quando os dois se conjugam estamos no pior do jornalismo);
- Mas uma coisa é azelhice, falta de maturidade ou, mesmo, mau profissionalismo (que se manifesta na aceitação cega da ideia de "crime"), outra, bem diferente, manipulação! Eu vou mais pela primeira hipótese (nas três versões...)

PS - Obrigado a Diana Andringa, que dinamizou este exercício de jornalismo cívico. A SIC Notícias não organiza um debate sobre isto? (tem de ser um canal de televisão...)

Act a 7/7: Sugiro este texto de Joaquim Fidalgo no Indústrias Culturais: "(...) Modifica-se o trabalho dos jornalistas - e alarga-se esse tipo de trabalho a outros modos de fazer, digamos, não-jornalísticos. Não é preciso que tudo seja "jornalístico" para que seja "bom", no que respeita ao trabalho da informação no espaço público".