Carta aberta ao presidente
do Conselho Deontológico
do Sindicato dos Jornalistas
Caro Óscar,
Penso que ainda és tu o presidente, embora o teu órgão ande desaparecido e o sítio do Sindicato fale no biénio 2002/2003 (já se sabe como os jornalistas são os piores a comunicar...).
Provavelmente tens outras coisas para fazer, é o normal, embora quem ocupa esse lugar – enquanto o ocupa – tenha de fazer mais do que um esforço.
Mas, pronto, imagino que não possas mesmo.
Só que, desta vez, peço a tua intervenção – a sério!
Se não estiveste fora de Portugal durante o último mês acompanhaste o envolvimento de alguns dos teus camaradas de profissão na cobertura do Euro-2004.
E certamente não gostaste. Mas não disseste nada? Ou gostaste?
Ouviste os teus camaradas a bater palmas em conferências de imprensa, ouviste jornalistas a agradecer no lugar de fazer perguntas, viste – certamente – jornalistas de cachecol (como já tinhas visto nas vitórias do FC Porto).
Mas não disseste nada? O que se passa com o teu órgão?
Caro Óscar,
Sou sindicalizado desde que tenho carteira profissional, o que não me dá direitos especiais mas alicerça o que vou dizer a seguir: nunca tive em muito boa conta o Conselho Deontológico do nosso Sindicato, por ausência, sobretudo. Mas não há outro. E isso é que é chato.
Por isso, sem alternativa, peço-te que intervenhas. Com dois objectivos: deixar claro, para gerações futuras, que aquilo não foi um comportamento deontologicamente correcto (ou foi?) e ajudar os mais jovens a orientarem-se. Ainda vão pensar que afinal aquilo que aprenderam estava errado.
Faz um esforço, Óscar!
Depois voltas a desaparecer.
Eu e certamente mais alguns ficamos-te agradecidos.
João Paulo Meneses
Sócio 1811
PS – Esperei alguns dias, mas o campeonato acabou há quase uma semana. Está na hora, não?