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junho 27, 2005

Tabloidismo 2 – Só no Brasil?

... Em contrapartida, e apesar das preocupações, o tabloidismo aparece quando menos se espera…
Os jornais portugueses respeitam – regra geral – a presunção de inocência. E isso manifesta-se no que dizem e no que mostram. As fotos dos detidos, a menos que sejam figuras públicas (porque há uma correspondência entre o nome e a imagem, que não faz sentido esconder), devem ser preservadas. O mesmo não se passa, por exemplo, no Brasil – lembram-se do Militão? – em que as fotos são divulgadas pela própria polícia e o detido exposto ao limite.
Qual é a relevância disto? No sábado, o DN publicou uma notícia que dá conta da detenção de mais um português no Brasil, alegadamente por posse de droga. A foto do detido é publicada (e está na versão da internet), a legenda diz “Hugo levava cocaína” e a notícia acrescenta que “O jovem, de 22 anos, confessou o crime”.
Três magníficos exemplos de tabloidismo, sem dúvida, num jornal que tem todas as razões para o combater!

janeiro 05, 2004

Provedores

Boas notícias: Joaquim Furtado já começou a trabalhar como provedor do Público e (diz o Público de hoje), Manuel Pinto sucede a Fernando Martins, em idênticas funções no JN, a partir de Fevereiro.
Óptimas notícias, por sinal - o que intriga é que só haja três jornais com provedores (DN, JN, Público, uma vez que o Record apenas parece...).
E se Joaquim Furtado já está em funções, já tem com que se entreter: da edição de ontem uma notícia em tudo contrária ao que diz o livro de estilo do Público:
O antetítulo assusta logo: "A confissão";
depois o título: "Homicida de Maiorca em prisão preventiva"
Primeiras linhas:
"O motorista da Câmara da Figueira da Foz que anteontem à noite matou a esposa e a sogra a tiros de caçadeira (...) onde assumiu a autoria dos crimes. O detido entregou-se no posto da GNR de Maiorca, afirmando ter morto a esposa...".
Ou seja, está julgado e condenado.
E quanto à confissão, cito do próprio livro de estilo:
"A palavra "confissão" só pode ser utilizada se resultar de um depoimento prestado em audiência formal do tribunal pelo réu ou pelo seu defensor; nada do que vem da polícia, da acusação ou recolhido pelo próprio jornalista constitui "confissão". As pessoas na condição de acusados "relatam", "declaram", "contam" ou "explicam". Deve evitar-se expressões como "admitem" ou "reconhecem", assim como "diz-se" ou "sabe-se".