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janeiro 06, 2006

(ACT) O novo Expresso e a sua credibilidade

O novo Expresso está amanhã nas bancas e, entre os objectivos, Henrique Monteiro fala em reforçar a credibilidade informativa.
Como leitor semanal - dos que compram o saco - deixo alguns contributos, sendo que a credibilidade se ganha sobretudo com rigor, veracidade e equilíbrio.
Mas há algumas coisas que, do meu ponto de vista, podem ser feitas (sem qualquer ordem e como meras sugestões):
- um provedor dos leitores?
- mais respeito pelas cartas dos leitores e pelos pedidos de rectificação;
- menos arrogância quando o jornal é questionado (e tem ou não tem razão);
- mais cuidado nas notícias que vão à primeira página e que nem sempre merecem esse estatuto;
- institucionalização de uma coluna de rectificações (tipo "O Público errou");
- mais cuidado com alguns protagonistas que parecem ser sistematicamente protegidos (o MNE Freitas do Amaral parece ser o caso mais recente);

ACT:Do novo Expresso:
1) A credibilidade ganha-se respeitando/valorizando aqueles que compram o jornal. Ignorar a polémica (e as acusações) feitas à manchete da semana passada é assobiar para o ar; credibilidade?

2) O que faz a crónica de Pedro D'Anunciação na página 10 do suplemento de Economia (numa página que abre com as vendas da BMW)?

outubro 16, 2005

(act) Ainda Felgueiras

Já estive para escrever sobre o assunto, mas o facto de ter de fazer um debate com os candidatos à Câmara de Felgueiras, no penúltimo dia de campanha, inibiu-me.
Agora não sinto qualquer constrangimento e, depois do que li na primeira página do Expresso de ontem, não tenho dúvidas de que faz sentido chamar a atenção - penso não ser o primeiro a fazê-lo - para a excessiva exposição da jornalista da RTP Sandra Felgueiras na campanha da mãe (é raro deixar críticas personalizadas, mas neste contexto não há alternativa).

Desde logo, não é por ser jornalista, muito menos na RTP (ou noutro meio qualquer), que Sandra tem os direitos cívicos cortados.
Mas a imagem externa (a reputação...) de um jornalista é parte integrante do seu maior património, a credibilidade.
Sandra afastou-se da RTP durante a campanha? Nem podia ser de outra forma. Mas vai regressar, de imediato com o mesmo grau de exposição pública? Nesse caso, faz mal.

O que acabei de escrever era o que pretendia ter deixado durante a campanha eleitoral. Ontem, no Expresso, está escrito que Sandra "terá proposto a Joaquim Freitas, um dos denunciantes do «saco azul» uma entrevista televisiva em que este negaria tudo o que disse à PJ na investigação".
Sandra Felgueiras nega, mas a PJ diz ter o texto que terá sido entregue a Joaquim Freitas com as perguntas e respostas da tal entrevista televisiva.

No julgamento que começa em breve se saberá como é. Mas já não tenho dúvidas sobre a excessiva exposição da jornalista em todo este caso. Do meu ponto de vista, a sua credibilidade sai, muito ou pouco, abalada. Espero sinceramente que saiba fazer uma deontológica travessia do deserto quando voltar à RTP.

ACT a 17/10/05: via Ponto Media cheguei a desenvolvimentos. Nomeadamente à última página do DN de hoje, em que Sandra nega quaisquer pressões (não há ligação para o DN). Três notas rápidas: acho perfeitamente natural que a jornalista negue (o contrário é que seria estranho); como jornalista, desejo que ela esteja certa; a notícia cita Luís Marinho, com o director da RTP a dizer que Sandra está de baixa há duas semanas. Como tem sido vista na campanha de Felgueiras, só se pode concluir que a baixa médica serve para tudo. Até para fazer uma campanha eleitoral (será que Luís Marinho não a viu nas imagens da sua televisão???)

julho 04, 2005

O direito à última palavra?

O provedor dos leitores do DN aborda hoje, por conta de outro assunto, uma questão muito interessante: José Carlos Abrantes aplaude "o jornalista que não se arroga o direito à última palavra".
Estamos a falar das cartas ao director, em que - diz JCA - o jornalista está "sempre pronto para fechar as polémicas com uma última resposta".
A posição do provedor é, portanto, clara. No Livro de Estilo do Público defende-se uma opinião parecida.
A minha é diferente.
Há dois valores no jornalismo que prezo acima de muitos outros: a credibilidade e o respeito/compromisso pelos ouvintes.
Nesse sentido, a minha credibilidade como jornalista e a obrigação de prestar contas aos ouvintes fazem com que me sinta obrigado a responder, quando o texto de direito de resposta (ou outro) puser em causa a minha credibilidade junto dos ouvintes. Mesmo que isso signifique contestar todos os argumentos do queixoso. E que digam que quero ter a última palavra.

PS - Nesse sentido, acho limitadora a posição constante no artigo 26º da Lei de Imprensa (ponto 6): "No mesmo número em que for publicada a resposta ou a rectificação só é permitido à direcção do periódico fazer inserir uma breve anotação à mesma, da sua autoria, com o estrito fim de apontar qualquer inexactidão ou erro de facto contidos na resposta ou na rectificação, a qual pode originar nova resposta ou rectificação, nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 24.º"

maio 24, 2005

(act) Uma estória triste...

e conta-se assim:
1) no dia 17 de Maio o Público, na abertura da secção de Cultura, publicava uma notícia de 17 linhas com o seguinte título: "Novo livro de García Marquez em português" (confesso que estranhei haver um novo livro de GGM, sempre tão raros, no mesmo ano de «Memórias das Minhas Putas Tristes» e a merecer 17 linhas, mas...)

2) dois dias depois, na rubrica «O Público errou», escreve-se que "o livro é da autoria do diplomata e amigo do Nobel colombiano, Plinio Apuleyo Mendoza, actual embaixador daquele país em Lisboa, e regista conversas entre ambos. Pelo erro pedimos desculpa aos leitores, ao autor e ao editor do livro".

3) mas nessa mesma quinta-feira, a Visão, na sua página «Em foco», escreve (com foto de GGM): "Lançamento do novo livro do escritor colombiano GGM, O aroma da goiaba, que surgirá nas livrarias até ao final do mês (...)"

Amanhã a Visão pedirá desculpa por ter sido ingénua?
ACTUALIZAÇÃO a 25/5: Não.

maio 16, 2005

Viajar a convite...

Começou por ser um acto isolado do Público, mas hoje há outros jornais a seguir a regra de identificar as viagens ao estrangeiro quando são feitas/pagas a convite da entidade que se quer promover: o Diário de Notícias, o Diário Económico* e o Jornal de Negócios, por exemplo já o fazem.
O processo está ainda muito no início e ainda não é coerente (nos suplementos de economia do DN e JN há hoje, por exemplo, reportagens feitas na Coreia do Sul, sobre a chegada da empresa LG a Portugal, mas não aparecem identificadas como tal), mas parece irreversível. E vai ter consequências. Os que não se identificarem correm o risco de perder (um traço de) credibilidade - sobretudo quando o mesmo assunto está na concorrência assinalado como tal!

* A maioria diz qualquer coisa como "o jornal ou o jornalista viajou a convite de..."; o DE é menos firme: "Esta é uma viagem da Jerónimo Martins com um grupo de jornalistas para conhecer as operações do grupo na Polónia"

fevereiro 13, 2005

Um Expresso de erros!

As manchetes dos dois cadernos do Expresso desta semana já foram, de alguma forma, desmentidas. A da Economia ("Cadilhe desmente Santana") formalmente; a do "corpo principal" por Santana Lopes.
Dir-se-á que desmentir é um acto normal por parte dos políticos visados. Mas as coisas não são tão simples. E, tal como aconteceu com o Público e Cavaco, o Expresso sai mal do caso com Cadilhe. Estavam à espera que ele ficasse calado? Porque também ficou no caso da notícia da Visão? Quem é que disse que a credibilidade é o valor mais importante do jornalismo (e portanto de um jornal?).
No caso da "Armadilha a Cavaco" há outras coisas a dizer: trata-se de mais uma notícia construída apenas com fontes anónimas e sem um único facto concreto e relatável. Mas somando uma série de coincidências mais ou menos razoáveis. É muito mau quando um jornal como o Expresso publica, como manchete, uma notícia que, tecnicamente, não o é! Só porque não havia outra forma de a contar?
Então não se contava!

(leituras complementares: aqui e aqui)

fevereiro 04, 2005

Televotos na SIC Notícias...

A emissão da SIC Notícias de ontem à noite foi estragada pela leitura (ainda por cima sistemática) dos resultados de um televoto a decorrer. O que é que a SIC ganhou com isso?
Por mim, desisti quando os resultados iam em 15 mil chamadas e 70% para Santana e 30% para Sócrates (e obviamente que esse ou qualquer outro resultado é irrelevante para esta análise)!
Um debate político, ainda por cima com esta importância, não pode ser alvo de uma votação como a dos Ídolos (para expulsar o cantor/político mais fraco). Isto é jornalismo, porra!
Em devido tempo, o Conselho Deontológico emitiu um parecer "impedindo" os jornalistas de lerem estas fantochadas (e vale a pena recordá-lo, aqui). Mas ninguém leva a sério. Nem o próprio Sindicato...
E ontem, pelo menos António José Teixeira alertou para os perigos destas votações on line.
O que mais me intriga é como é que pessoas tão preocupadas com a qualidade do que fazem (os jornalistas da SIC, obviamente), aceitam participar. É porque a SIC também ganha com as chamadas telefónicas?
Já agora, a sondagem do Correio da Manhã é boa para mostrar como os 70-30 só podiam ser um resultado manipulado!

Actualização:
1) Dois textos no Margens de erro:
http://margensdeerro.blogspot.com/2005/02/120.html
e
http://margensdeerro.blogspot.com/2005/02/amostras-voluntrias.html

março 02, 2004

A credibilidade da rádio

Na primeira página do Jornal de Negócios podem ler-se, hoje, as conclusões de mais um estudo das Selecções do Reader's Digest sobre a confiança dos consumidores portugueses nas marcas, instituições, profissões, etc.
Mais uma vez a rádio aparece como segunda instituição mais credível (só atrás dos correios)!
Isto significa que os portugueses que responderam a este inquérito consideram que a rádio é, entre a concorrência, a mais credível.
Rádio com 73 por cento, televisão 48 por cento e imprensa 38. Significativo, não?
Há muito que venho escrevendo sobre esta mais-valia da rádio, que a própria não explora bem, quer em termos de imagem junto dos anunciantes.
A que se deve? Entre outras razões, à não existência de tabloidização, ao raro sensacionalismo, ao papel do som como elemento credibilizador, à não existência de uma concorrência desenfreada (que até colabora, muita vezes) e aos raros desmentidos (visíveis nos raros problemas com a justiça).

julho 07, 2003

A leitura de uma recente crónica sobre vinhos alertou-me para um caso. O jornalista (e é, neste caso, irrelevante se estamos perante um jornalista ou não) tomou como suas as informações que constam do rótulo e descreveu-as, sem qualquer citação, no texto. Acontece que é impossível - a menos que tenha assistido a todo o processo de vinificação - ele saber todos aqueles pormenores, típicos de um contra-rótulo (publicidade, portanto).
A confusão entre informações apuradas pelo jornalista (ou, genericamente, por quem trabalha no jornalismo) e informações oficiais tem de ficar clara, porque a credibilidade de uma e de outra variam fortemente.
Separar a opinião das notícias é fundamental. Mas mesmo num artigo de opinião é importante que se saiba o que é da responsabilidade de quem assina.
Na rádio esta separação ainda é mais dramática, porque, a partir do momento em que não há som, mesmo as aspas são difíceis de demarcar.