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agosto 08, 2005

Ser correspondente, hoje

Luis Costa Ribas, ex-correspondente da SIC e da TSF nos EUA, diz hoje isto ao JN: "Hoje em dia é muito mais difícil ser correspondente. Antigamente tínhamos que fazer o noticiário do país. Mas agora há muitas outras cadeias de televisão a dar notícias do país onde estamos como correspondente. Sem contar com as agências. O noticiário chega pela CNN, SkyNews, Reuters ou pela CBS. Só a televisão da Reuters distribui para mais de 500 televisões em todo o mundo. Em qualquer lado há estas agências, todas com serviço de imagem, que produzem diariamente toneladas de vídeos e "directos", muito mais barato do aquilo que nós podemos fazer. Não consigo fazer uma reportagem para a SIC nos Estados Unidos sem gastar pelo menos 200 contos. E estamos a falar de uma coisa de nada. Quando cheguei aos Estados Unidos a realidade era outra. Não havia nada e era preciso fazer a notícia de raíz, a não ser que se quisesse ficar pelo "telex" básico".

A frase merece um comentário: LCR tem razão em dois pontos: 1) antes, para obter as imagens institucionais, tinha de ir aos locais (hoje as agências internacionais fazem-no); 2) fazem-no muito mais barato.
Mas - digo eu que nunca trabalhei como correspondente - nunca foi, ao mesmo tempo, tão estimulante ser correspondente. Sobretudo nos EUA. Os correspondentes do Público naquele país(só para manter o paralelismo) provam-no - longe da agenda institucional, ficam soltos para produzir outras peças, investigar outras matérias, criar outras estórias. "Hoje em dia é muito mais difícil ser correspondente"? Acho que nunca foi tão aliciante ser correspondente. Por exemplo nos EUA.

janeiro 12, 2004

Os correspondentes e o português

Os correspondentes internacionais das rádios (ou das televisões) têm um problema acrescido com o português.
Tratando-se de pessoas que vivem há vários anos longe do país, é provável que, aqui e ali, apareçam dificuldades com determinadas palavras (por que não nos jornais? Porque é função dos editores reverem os textos).
Em directo não há nada a fazer, mas gravado justifica-se uma atenção especial.
Vem a isto a propósito de algo que se ouviu ontem:
"Para combater a piratagem..."
Trata-se de um neologismo sem lógica, porque pirataria existe e desempenha a função. Mas na altura de escrever o correspondente apenas se lembrou dessa palavra.
A falha não é tanto dele, mas de quem não ouviu, primeiro, a peça no estúdio e a deixou rolar nas notícias.