Main

abril 28, 2006

Por estas e por outras é que a rádio perde ouvintes

Ontem ouvi na TSF uma música que me entuasiasmou (os GNR numa versão do tema «Quero que vá tudo pró inferno», de Roberto e Erasmo Carlos).
Como conheço toda a obra dos GNR e não reconheci a música, tentei saber do que se tratava (novo disco? versão perdida?). Infelizmente, nenhuma informação foi dada e a música passou quase despercebida.
Hoje de manhã na Antena 1 a mesma coisa: a música passou mas fiquei sem saber mais. Que são os GNR percebe-se perfeitamente; que é uma versão do velhinho tema dos irmãos Carlos também. Mas essas eram as duas informações dispensáveis...

Mal pude tentei saber mais pelo google. E foi na página da RFM que encontrei (discretamente) a resposta: trata-se de um tema a incluir no novo disco, um best of dos GNR que assinala os 25 anos de carreira.

E, assim, a rádio voltou a desiludir-me: uma rádio que pensa pouco nos ouvintes, que é uma espécie de giradiscos automático, uma rádio que apenas diz o óbvio e já não gosta de surpreender, uma rádio em que - parece - quem nela trabalha perdeu o gosto (o gozo) de comunicar!

novembro 08, 2005

A rádio em directo

Sou dos que acreditam que a rádio portuguesa vai ganhar ouvintes, quando os iPods retirarem da antena a música a metro que hoje existe.
Substituída por mais voz, por mais pessoas, por mais conversa. Por mais directos.
O directo vai ser recuperado como elemento genético da rádio, quando ela se libertar da actual tralha musical - e não vai demorar muito...
Vem isto a propósito de quê?
Hoje de manhã, entre as nove e meia e as dez, Paulino Coelho protagonizou um momento especial na Renascença: em mais uma edição do passatempo "Jack do pote", ligaram para o número de uma senhora que se inscrevera previamente. A senhora é funcionária pública e deu o número geral da secretaria (de um ministério?); atendeu a telefonista que, depois do primeiro embaraço, explicou que a concorrente estava de atestado, mas que ia confirmar. Paulino Coelho aguentou-se como grande profissional que é, sem rede, dizendo apenas que nunca lhe acontecera uma coisa destas. A concorrente estava mesmo ausente.
Eu gostei de ouvir e fiquei aqueles minutos agarrado à rádio, apreciando a magia do directo!

agosto 29, 2005

Um apelo aos animadores da TSF

Se calhar é porque no Verão há mais música e, por isso, nota-se mais. E, provavelmente, este pedido não faz sentido: a TSF sempre foi uma rádio de notícias (de palavra, o seu melhor slogan) e a música tem um papel secundário.

Mas daí a ser mal tratada?
Sim, permitam-me esta nota (são quase 15 anos, porra!): não me lembro de a música na TSF ser tão desprezada como nos últimos tempos.
De que é que falo?
Das repetições sistemáticas de algumas músicas (o animador que entra não ouviu o que o outro passou?), do abuso daquelas promoções com excertos de músicas, que servem para tudo, até para destruir o prazer que algumas músicas nos dão*, das informações que são dadas em cima da letra (e valorizar uma música é respeitar tanto a letra como a própria música, por isso existem as "cortinas sonoras" de transição) e, o pior de tudo, das músicas que são cortadas um minuto depois de terem sido lançadas sem que nada de excepcional o justificasse (apenas desatenção).

Sei que alguns de vocês lêem este espaço. Por isso faço o apelo. A menorização(natural) da música na TSF tem a ver com o seu protagonismo e espaço na antena. Não com os maus tratos que tantas vezes se ouvem.

Um abraço deste vosso ouvinte fiel!

* A semana passada ouvi uma boa: o animador anunciou duas ou três músicas, mas pelo meio não resistiu a passar a promoção. Não percebo a finalidade? Ainda se fosse no final da sequência...

setembro 29, 2004

Treta de animador - os estereótipos

O animador, na rádio (portuguesa?), tem uma margem de manobra muito grande - pelo menos quando comparada com o jornalista.
Ao animador é permitida (é?) uma latitude muito maior. E tolera-se que diga coisas que a um jornalista seriam impensáveis.
(a questão não está tanto na hipotética formação de cada um mas na função que desempenha em cada momento).
Ouve-se (um animador de uma rádio nacional, esta manhã):
"Se há cidade hospitaleira é a cidade do Porto".
O que acharão os ouvintes das outras cidades? Não gostarão, certamente.
E como é que se habilita uma frase destas?
É um daqueles estereótipos, que podem ser ditos à mesa do café, mas repetidos na rádio?

setembro 06, 2004

O papel e a própria linguagem dos animadores de rádio sofreu uma grande evolução nos últimos anos. Uma evolução positiva, diga-se.
A linguagem dos animadores pode ser de proximidade, pode, até, procurar algum intimismo, mas não precisa de ser preenchida com disparates.
Felizmente perdeu-se aquela mania de falar enquanto o cursor da musica subia e descia, com o animador a interpelar permanentemente o ouvinte.
Mas alguns vícios ainda ficaram.
Ouve-se:
"Você que nos ouve não saia daí!".
O que é que significa uma frase destas? Estamos a pedir aos ouvintes para ficarem onde estão? Dentro do carro, à porta de casa? Na cozinha?
Ou não é para levar a sério? Então é treta...
Se, em alternativa, o que o animador quer é pedir para o ouvinte não mudar de estação (uma atitude que tem subjacente uma demonstração de fragilidade, o ouvinte é que se importa com esse pedidos...), não seria mais correcto dizer: "Não saia daqui"?
De qualquer forma, a regra deve ser não interpelar o ouvinte - uma das razões está bem à vista!