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Perplexo e indignado, escrevo às...

jornalistas da Notícias Magazine,

Este postal é sobretudo um exercício retórico e pessoal – não tenho a pretensão de uma resposta.
Mas este postal é também uma forma de tentar partilhar, com quem se interessar, uma enorme perplexidade: por que é que continuam em insistir em identificar a bebé de Viseu que terá sido maltratada pelos pais?
O mais fácil é criticar-vos, mas não acredito que seja comodismo, distracção ou inconsciência.
Então é o quê?

A minha indignação não resulta tanto de ter lido, na última Notícias Magazine, mais uma vez o nome da bebé. Antes, de ser na Notícias Magazine: o órgão de comunicação que mais tem acompanhado o caso e uma revista que persegue objectivos digamos sociais, mais apurados do que, por exemplo, a imprensa diária.

A insistência na revelação do nome, sempre que se fala no caso, é incompreensível, inqualificável e inadmissível – recém-nascida quando foi maltratada, não sei se ficarão sequelas no seu amadurecimento. Mas sei que basta ir à Internet, escrever o nome dela e, no google, aparecem milhares de referências (sim, vocês não são as únicas que a identificaram; provavelmente serão as únicas que ainda o fazem/farão).

Têm a noção de que a identificação pública de vítimas de abusos sexuais é uma espécie de anátema social que irá prejudicar essa criança? Que todos os manuais de jornalismo «proíbem» essa identificação, baseada sobretudo no bom-senso?

Durante quanto tempo o continuarão a fazer? Sempre que escreverem sobre ela?

Que utilidade tem o nome de uma bebé para a reportagem? Não poderia ser identificada com as iniciais, como a «bebé de Viseu» ou até com um nome fictício? Perdia-se interesse? Não acredito. E se se perdesse?
Já imaginaram que a podem vir a prejudicar, quando o vosso objectivo é o oposto?

Fica a minha perplexidade!

PS – leitor regular da NM, pode-me ter escapado alguma nota na revista sobre isto em concreto. Um caso que abordei varias vezes.

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