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(ACT) Ainda o livro de MMCarrilho:

Sou dos que acham que o que Carrilho diz no livro é demasiado importante para se perder no esquecimento: porque acredito que Carrilho não tem razão em muitas coisas que diz (o aperto de mão, o vídeo, a conspiração envolvendo todos os que o criticaram) e porque há coisas que Carrilho diz que me parecem reais: a selva que é (ou pode ser) a actividade das agências de comunicação - sempre o defendi neste espaço.

Na última semana, no Público, Expresso e DN recolhi tudo (o que não me escapou...) o que sobre o livro disseram. Eis a minha análise:

[Esta segunda-feira, o assunto vai ser debatido no Prós e Contras da RTP]

Factos...
Destes dias, os factos que retive:
- Cunha Vaz diz que vai processar Carrilho (1);
- Francisco Almeida Leite, o único dos jornalistas visados que anunciou a intenção de processar Carrilho;
- Carrilho pede a intervenção da ERC;
- O silêncio do Sindicato dos Jornalistas;
- Cresce a opinião dos que - como eu - acham que a actividade das agências de comunicação precisa de ser regulada;

(1) E era muito importante que o fizesse, que este processo não fosse mais um dos muitos que são esgrimidos na comunicação social - como estratégia de marketing - e depois nem chegam a entrar no tribunal. Eu, se fosse Cunha Vaz, fazia-o!

... e opiniões
Obviamente que as opiniões dos acusados por Carrilho não podem ser comparadas com quem não é visado.
Mas enquanto Francisco Almeida Leite, do DN, diz que vai processar o ex-candidato (e faz muito bem), Pedro Rolo Duarte optou por mandar Carrilho à merda, Ana Sá Lopes foi mais suave e limitou-se a falar do livro do coitado do Carrilho, Pacheco Pereira fala na substância autista do livro, Marcelo garante que Carrilho não sabe perder, Fernando Madrinha diz que é «um pequeno exercício de vingança e ressentimento» e, finalmente, Vasco Pulido Valente fala num «livro ignóbil que não merece comentário».

Dos não visados, algumas opiniões que retenho (e que subscrevo):
Albano de Matos, no DN de 14/5/06: «Carrilho não tem razão em vários pontos e, noutros, usa um tom tão desbragado e leviano como aqueles que acusa. Mas tem o mérito (raro entre nós) de denunciar situações e levantar questões fundamentais para o exercício do jornalismo. Despachá-lo com um rápido insulto é perder uma soberana oportunidade para as discutir»;

Medeiros Ferreira, no DN de 16/5/06: «Depois de se ler o livro de Carrilho é impossível continuar a ignorar, por exemplo, a existência e o papel das chamadas "agências de comunicação", um bom tema para a recém-empossada entidade reguladora da comunicação social iniciar as suas ansiadas actividades».

Miguel Gaspar, no DN de 15/5/06: «Carrilho prolonga a ilusão de ter ganho o debate com Carmona na SIC Notícias. Mas o aperto de mão negado foi sobretudo chocante por ter sido o prolongamento de um debate em que a postura do candidato socialista foi mais arrogante e agressiva do que dada ao esclarecimento de propostas.Há mais para ler do que a questão dos jornalistas neste livro, cuja tese central é a de que um conluio entre lóbis da construção, uma agência de comunicação e jornalistas travaram a vitória de Carrilho»;

Mário Bettecourt Resendes, no DN de 18/5/06: «As vestes angelicais não servem, obviamente, a Carrilho, mas é pena se se perder uma oportunidade singular para debater, em profundidade, alguns dos problemas que deveriam preocupar os jornalistas portugueses»;

PS - Opinião só no DN; repito, foi a que li. Mas isto pode querer dizer alguma coisa (pelo ao nível do impacto na internet).

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