O direito à última palavra?
O provedor dos leitores do DN aborda hoje, por conta de outro assunto, uma questão muito interessante: José Carlos Abrantes aplaude "o jornalista que não se arroga o direito à última palavra".
Estamos a falar das cartas ao director, em que - diz JCA - o jornalista está "sempre pronto para fechar as polémicas com uma última resposta".
A posição do provedor é, portanto, clara. No Livro de Estilo do Público defende-se uma opinião parecida.
A minha é diferente.
Há dois valores no jornalismo que prezo acima de muitos outros: a credibilidade e o respeito/compromisso pelos ouvintes.
Nesse sentido, a minha credibilidade como jornalista e a obrigação de prestar contas aos ouvintes fazem com que me sinta obrigado a responder, quando o texto de direito de resposta (ou outro) puser em causa a minha credibilidade junto dos ouvintes. Mesmo que isso signifique contestar todos os argumentos do queixoso. E que digam que quero ter a última palavra.
PS - Nesse sentido, acho limitadora a posição constante no artigo 26º da Lei de Imprensa (ponto 6): "No mesmo número em que for publicada a resposta ou a rectificação só é permitido à direcção do periódico fazer inserir uma breve anotação à mesma, da sua autoria, com o estrito fim de apontar qualquer inexactidão ou erro de facto contidos na resposta ou na rectificação, a qual pode originar nova resposta ou rectificação, nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 24.º"