Idiossincrasias
A rádio e a televisão têm, provavelmente, mais diferenças do que semelhanças - daí que Eduardo Meditsch recuse a ideia de que a rádio é um meio audiovisual.
Mas uma coisa é a afirmação académica de respeito pelas características individualizadoras, outra a prática.
Vem isto a propósito de uma experiência vivida ontem: entrei no carro cerca das 11.30 e comecei a ouvir uma entrevista interessante, que passava naquela altura na TSF (conduzida por Margarida Marante).
Percebi que era um advogado, de sucesso, com interesses em Angola, mas até ao fim do programa não foi repetido o seu nome. Tive de comprar hoje o JN (que publica uma versão editada da entrevista ao domingo) para saber que se chamava Agostinho Pereira de Miranda.
Na televisão, um oráculo pode periodicamente sinalizar o nome do entrevistado e o jornalista não precisa de ter essa preocupação presente. Na rádio só há uma forma de o conseguir: dizer, de vez em quando, o nome de quem fala. É essa a gramática da rádio.