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Eu, até por falta de informação (sobretudo interna) não faço o mesmo balanço [da Capital com Luis Osório]. Algumas notas: - A Capital conseguiu uma agenda própria (o que não é fácil com tão poucos meios), mas muitas vezes demasiado alternativa (oito páginas sobre José Castelo-Branco!) ou basicamente à custa de ser diferente (contra Bush nas últimas eleições norte-americanas); - A Capital conseguiu alguma opinião com mais-valia (Daniel Sampaio, Luis Filipe Borges, por exemplo), mas banalizou-a, por excesso de textos – muitos dos que opinavam, sobretudo os mais jovens, do quadro redactorial, (compreensivelmente) não tinham nada de relevante para nos contar; - Conjugando falta de meios com a necessidade de ter uma agenda própria (um alinhamento noticioso alternativo), o resultado foi – muitas vezes – o sensacionalismo (títulos inchados quando comparados com os textos e os factos); - Muitas vezes as manchetes ou os destaques eram notícias já antigas, recuperadas pelo próprio jornal sem um critério válido (dois dias depois de ter sido noticiado que o PS não se fizera representar no congresso da UGT, A Capital noticiava “PS não marcou presença no congresso da UGT); outras resultaram de pura intriga política, baseada em fontes anónimas (lembro-me de “Santana Lopes teme ser traído por Morais Sarmento mas receia retirá-lo do Governo”!) Tudo negativo? Não! O jornal ganhou notoriedade, conseguiu algumas manchetes de grande impacto (a saída de Carvalhas, por exemplo), ouviu novos protagonistas, permitiu a reflexão e, como um dia escreveu Luis Osório, conseguiu fazer um jornal sem depender da Lusa. E fez edições de extraordinária qualidade, como a de 24/12.
Posted by joão paulo meneses on junho 30, 2005 03:40 AM | Permalink
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