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Não concordo!

Do Público de hoje (rubrica "Visto"):
"Já o que se viu e ouviu do dirigente socialista António Vitorino no início da folia vitoriosa do PS na noite de domingo é outra coisa. Perante a (natural) curiosidade dos jornalistas sobre se já haveria algum nome "ministeriável" na sua mente, o antigo comissário Europeu quis desde logo definir a relação entre jornalistas e o futuro Executivo, afirmando, num tom de papá que ameaça "tau-tau" a um filho rebelde: "O Governo do PS não será escolhido pela comunicação social nem na comunicação social!"
O que se compreende. Menos compreensível é o tom de voz irado, colérico, arrogante, já vociferado do alto do palanque do poder como quem não está para aturar "perguntazinhas idiotas", especialmente numa hora daquelas, em que António Vitorino saboreava a vitória. E depois a cereja em cima do bolo: "Isso é uma crítica?", atira uma jornalista. "Habituem-se!", respondeu Vitorino com uma frieza muito determinada. Cuidado!
"

E não concordo porque:
1) não acho nada... natural aquilo que o jornalista do Público diz ser «a (natural) curiosidade dos jornalistas sobre se já haveria algum nome "ministeriável" na sua mente». Na noite da vitória? Já se viu em algum sítio? Uma coisa é a curiosidade outra o trabalho jornalístico!
2) Acho muito bem que alguém com responsabilidades diga que "O Governo do PS não será escolhido pela comunicação social nem na comunicação social!" Há espectáculos recentes deprimentes. Assim, Vitorino consiga cumprir...
3) Finalmente, porque combato o falso corporativismo e recuso as promiscuidades, saúdo o "habituem-se" se ele representar uma forma mais saudável de estar no jornalismo.
O que um texto como este mostra é que os jornalistas-calimeros ficam eriçados quando alguém lhes faz frente (mesmo num caso simbólico como este)...

ACTUALIZAÇÃO a 24/2/05: vale a pena complementar com esta leitura.

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