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"Doença prolongada"

José Mário Costa suscita, no Clube de Jornalistas, uma questão recorrente no jornalismo, mas nem por isso menos interessante - o que significa que a discussão é velha e continua por aparecer uma solução melhor.
"Morreu de doença prolongada", ouve-se repetidamente. Diz JMC: "Afinal, o que é, hoje, morrer de «doença prolongada», senão tudo e nada?".
Em abstracto concordo plenamente.
Mas o caso é mais complexo:
- a causa da morte não é, na maior parte dos casos, matéria que deva interessar ao público, situando-se, antes, na esfera pessoal e íntima - do morto e da família; é notícia que morreu, que foi de doença (e não de acidente ou suicídio) e nada mais (mais pode ser voyeurismo);
- a causa da morte pode não ser divulgada pela família e portanto só com uma (pequena ou grande) investigação é que saberá a verdadeira razão (há um certo pudor, por exemplo, à volta da palavra cancro, para já não falar de sida...);
- "doença prolongada" é uma solução de compromisso encontrada empiricamente e que, podendo provavelmente ser substituída por outra (porquê o prolongada? já é um lugar-comum), resolve o direito do público a ser informado com o dever de reserva da vida íntima a que os jornalistas estão obrigados;

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