Os interesses do accionista
Em quase 20 anos de jornalismo devo confessar que apenas uma vez um político me pressionou (e conseguiu...) para obter uma entrevista, era Guterres primeiro-ministro, e que apenas me sinto constrangido quando tenho de noticiar assuntos do meu accionista (seja este, seja o anterior).
A minha experiência diz-me que os proprietários dos órgãos de comunicação social - genericamente - sabem da importância da independência editorial (porque isso se traduz em credibilidade e credibilidade vale dinheiro), mas quando se trata de noticiar os seus próprios assuntos já têm mais dificuldade em perceber: "então a nossa rádio não noticiou a nossa iniciativa?...".
Vem isto a propósito de algo que - se calhar - não tem nada a ver, mas... na última página do primeiro caderno do Expresso, coluna de "últimas" (edição de sábado), pode ler-se:
1) "A iniciativa é da revista «Cais», com o apoio de várias empresas, de uma instituição bancária e da Câmara...";
2)"A Impresa [não diz, mas é a empresa proprietária do Expresso] foi a única companhia que na sexta-feira registou uma subida no mercado de capitais..."
Ou seja, as várias empresas e a instituição bancária são suficientemente importantes para serem referenciadas mas não para serem nomeadas, já a Impresa...