Os famosos critérios de notícia
Pedro Santana Lopes contou, no seu discurso de abertura da pré-campanha eleitoral, na sexta-feira à noite, um caso que merece aqui uma pequena reflexão: a Lusa ("agência oficial do Estado", repetiu) ouviu Macário Correia, presidente da Câmara de Tavira, manifestar-se contra a liderança do actual presidente do PSD. A seguir outro autarca do Algarve terá contactado a Lusa para dar um depoimento em sentido contrário. Mas a Lusa recusou. E na linha ficou apenas a versão negativa.
O facto de, obviamente, desconhecer outros contornos desta história não me impede de deixar algumas notas:
1) Se todas as distritais apoiam PSL e também a esmagadora maioria dos presidentes de câmara, é óbvio que notícia é alguém não o apoiar; como seria o contrário...
2) O facto das distritais o apoiarem também é notícia. Outra. Noutro momento.
3) Não há qualquer obrigação jornalística de ouvir alguém apenas para compensar. O que não quer dizer que não se possa fazer se se entender que está em causa o equilíbrio necessário...
4) Na notícia em causa deveria ficar claro que Macário Correia é o primeiro ou o segundo a defender isto (se é o terceiro já não será notícia...) mas que a esmagadora maioria apoia PSL;
5) Já teria um entendimento diferente se o autarca que contactou a Lusa quisesse fazer declarações contra Macário Correia, contestando-o politicamente (por exemplo, denunciando eventuais incoerências ou revelando factos desconhecidos de carácter político, insisto); nesse caso poria as suas declarações no ar;
Percebeu-se?