O valor do "exclusivo"
Há palavras no jornalismo que têm um valor muito particular, elementos de um código reservado, a que apenas se recorre em casos especiais.
"Exclusivo" é uma delas.
Quando dizemos que temos algo em exclusivo estamos a alertar o leitor/ouvinte/telespectador para uma realidade muito específica: só ali o pode ler/ouvir/ver.
Todos os dias há centenas de exclusivos, mas nem por isso os jornais/rádios/televisões o anunciam. Porque é fundamental evitar a banalização do termo e porque um exclusivo pressupõe mais duas condições: a novidade e o elevado impacto previsível.
Vem isto a propósito da manchete de A Capital da passada terça-feira: "No dia em que completa 80 anos, uma longa e exclusiva conversa com Mário Soares".
Só A Capital é que tinha uma entrevista com o antigo presidente? Não, pelo menos o DN e a TSF também.
Já não é um exclusivo, porque se o critério de avaliação for outro (por exemplo, a qualidade - por sinal óptima - da entrevista) então não temos critério...