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Ainda sobre o relato de futebol

O comentário de Rogério Santos, no texto sobre o relato de futebol não jornalístico, merece algumas notas:
- a definição do acto jornalístico seria fundamental para balizar o que é e o que não é... jornalismo;
- essa definição não passaria tanto por um enquadramento dos conteúdos hipoteticamnente jornalísticos mas de regras que devem ser seguidas (as "notícias da quinta das celebridades" podem ser jornalismo se forem executadas de acordo com determinadas regras elementares);
- como se constata facilmente, as leis que nos regem estão desadequadas à realidade actual;
- a essência do jornalismo é fazer reportagem, como diz Rogério Santos, mas que reportagem? Com que qualidade? Misturando factos e opinião, como nesse caso do Artur Agostinho? É reportagem, mas não é jornalismo;
- o "Avante" (lá estou eu...) tem reportagens, mas não é jornalismo; reportagem é, portanto, um conceito/formato, não um sinónimo imediato e único de jornalismo;
- o relato de futebol não é jornalismo, mas no relato poderá haver momentos jornalísticos? Claro que sim; mas olhe que aquelas entrevistas televisivas (obrigatórias) no final dos jogos são tão condicionadas que dificilmente se podem considerar jornalismo...
- finalmente, é óbvio que não são apenas os relatadores de futebol que são - por regra - tendenciosos; a cobertura de Timor foi exactamente um desses caso - acho que a história registará esse momento como um dos mais felizes para a democracia do mundo mas um dos mais sombrios do moderno jornalismo português...

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