Última(s) dos vícios privados e das Públicas vergonhas
Joaquim Furtado cumpre exemplarmente o seu papel de provedor dos leitores do Público e não enfia a cabeça na areia, na edição de hoje.
Por isso aborda sem equívocos a questão que várias vezes aqui tratei esta semana - um tema claramente incómodo, porque representa um momento infeliz para a (excelente) redacção do Público.
Joaquim Furtado por ele próprio:
«O surgimento de dois textos e o facto de eles defenderem pontos de vista opostos. Embora possam ajudar a compreender o que se passou, as justificações de José António Cerejo - para não ouvir PSP e para escrever que não tinha "nada que ouvir" - são insuficientes. Se o princípio não se aplica em situações que envolvem valores como o bom nome, então quando se aplica? José António Cerejo teve, por isso, razão quando equacionou a necessidade de contactar Silva Pereira, mas não quando desistiu de o fazer.
A "lamentável posição por ele assumida" não seria uma boa razão para ouvir PSP?
O relevo que ganha um assunto de primeira página não torna "mais obrigatório" o cumprimento do princípio. E ainda que prevalecesse o argumento contrário, porque não desistir então da capa ?
Por seu lado, ao escrever o seu "post scriptum" - embora para reiterar o princípio correcto - o director do jornal escolheu uma via pouco ortodoxa que só um pronto esclarecimento nas páginas do próprio jornal evitaria que produzisse efeitos na imagem da vida interna da redacção. Permitindo, ao mesmo tempo, remeter o episódio para a matriz plural do PÚBLICO.»