Atribuir o que se diz e deixar bem claro isso mesmo...
É um tema que tenho tratado com alguma regularidade nesta página, por isso fiquei satisfeito por ter merecido a atenção de Joaquim Furtado na crónica de ontem. É uma falha recorrente nos jornalistas mais novos e Furtado explica-o bem:
"Na notícia há ainda a considerar um outro aspecto que concorre na mesma direcção: a insuficiente distanciação do jornal, relativamente à informação que transmite. A começar pelo título (que não será da responsabilidade da autora da notícia), onde não é o ministro que diz ter poupado 8 milhões, mas sim o PÚBLICO que assume a informação como sua: "Portas poupou 8 milhões de euros com central de compras." E no próprio texto, nem sempre a escolha das palavras favorece essa distanciação.
Por exemplo: "O ministro destacou a 'eficiência' e a 'transparência'do modelo de gestão, e sublinhou a compatibilidade (...)."
Escrito assim, é como se a eficiência, a transparência e a compatibilidade fossem dados demonstrados e o ministro apenas os tivesse posto em relevo...
Muito diferente é escrever que o ministro considerou que o modelo de gestão é eficaz e transparente, ou que, na sua opinião existe determinada compatibilidade. "