Marketing/pressões internas
Acontece noutros jornais, mas no Público tem assumido uma especial dimensão: os livros, os discos e os dvds promovidos com o jornal são tratados editorialmente, com textos por vezes assinados, obviamente sempre positivos, o que me parece pôr em causa a independência/isenção do jornal.
No último domingo o provedor chamou a atenção para o problema, prometendo voltar a ele proximamente. Faz muito bem, porque este é um problema grave no Público.
Uma citação: "(...) é natural que, para os leitores, os livros, os DVD's e os CD's lançados e promovidos pelo PÚBLICO (frequentemente através de textos escritos pelos seus jornalistas, o que suscita outra questão que não trataremos agora) surjam como extensões do jornal. E desse modo sujeitas às mesmas exigências de qualidade. Pelo que, frustrar essas expectativas pode atingir a relação de confiança com os leitores e a própria credibilidade do jornal."
Esta é uma realidade nova na comunicação social portuguesa, sobretudo na imprensa. Mas que poderá chegar a outros meios.
Aguardam-se esses comentários de Joaquim Furtado, que poderão ajudar a corrigir algo, no mínimo, suspeito (e seria interessante, também, ouvir o Conselho de Redacção do jornal).
PS - o resto do texto do provedor fala da publicidade como elemento pressionante junto dos conteúdos editoriais, com uma óptima citação de Claude-Jean Bertrand: "[os anunciantes] exercem pressão sobre os media (..) para que estes apaguem a fronteira entre publicidade e informação".