As boas e as más notícias
O texto mais interessante do último Expresso é uma carta de um leitor, chamada "Jornalismo depressivo". Esse leitor diz que nos telejornais só há dois tipos de notícias: as más ("desastres, desemprego, crime, violência, etc.") e as idiotas. Boas notícias não há, ou então são muito discretas".
Esta é uma reflexão recorrente no jornalismo e leva a que alguns consumidores de informação cheguem a conclusões como esta: "nas redacções dos telejornais abundam pessoas depressivas, deprimidas (...); [ou] na referidas redacções ainda se sofre do síndroma 'quem falar bem da situação é fascista ou já foi comprado pelo Governo' muito em voga no período do PREC".
Se tivermos em conta os critérios clássicos que tranformam informação em jornalismo (os chamados "valores-notícia"), nada remete directamente para as más notícias; mas é claro que um prédio que cai, deixando pessoas sem casa, é notícia, ao contrário de um prédio que é construído, onde também vão viver pessoas. Os prédios não são feitos para cair, muito mais quando habitados. É uma má notícia? Mas se a Cãmara realojar essas famílias isso também será notícia.
O perigo - que tem contaminado algumas redacções - é de nos viciarmos apenas nas más (que infelizmente estão por todo o lado), esquecendo que há vida para além das desgraças de todos os dias. Não dão mais trabalho, as boas notícias, simplesmente obrigam a pensar de forma diferente (mais aberta, mais positiva).
Concluo acrescentando - para não ficarem dúvidas - que considero a função escrutinadora dos vários poderes essencial no jornalismo.