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Os inquéritos de rua ("o poder dos ouvintes")

Sou dos que recusa qualquer valor jornalístico aos inquéritos de rua, admitindo-os apenas em situações de ilustração - ou seja, sem qualquer carácter de amostra que tente suportar uma notícia. Difícil? É melhor não usar...
Infelizmente as televisões estão cheias desta (aparente) "vox populi", pelo que merece destaque o exemplo registado pelo jornalista do DN Miguel Gaspar.
Um excerto:
"(...) é a notícia sobre o pouco tempo que os pais passam com os filhos, que foi vista em todos os canais. Na RTP, Rosa Veloso introduziu uma singularidade. Primeiro ouviu a vox pop - o que os pais dizem sobre o tempo que passam com os filhos - e a seguir avançou com a realidade demonstrada pelas estatísticas oficiais. Referindo que desse confronto resultava o óbvio, ou seja, que os entrevistados não estavam a dizer a verdade. É uma estratégia que, diga-se, acentuava o lado culpabilizante que este tipo de notícias sempre arrasta - nunca se passa tempo suficiente com os filhos. Mas a voz popular, captada pelas câmaras dos telejornais, é elevada hoje em dia ao estatuto de voz suprema da verdade. Transmitindo (e, já agora, manipulando) o que diz o povo, a televisão torna-se portadora dessa «verdade», tantas vezes usada como se estivesse acima da própria lei. É o que acontece quando se entrevistam populares a seguir a um crime, como sabemos. Assim sendo, é positivo que uma jornalista tenha, por uma vez, desmontado essa falácia."

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