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Opinião/factos/imparcialidade

De acordo com vários relatos (aqui), o correspondente da SIC nos Estados Unidos, ao responder a uma pergunta, terá dito, num destes dias: "se me perguntas a minha opinião, preciso de dizer primeiro que vou votar John Kerry".
LCRibas sentiu que, para dar a sua opinião, devia mostrar o jogo aos telespectadores. Foi honesto.
E isso não deve ser contestado.
Contesto, isso sim, a mistura entre comentário/opinião e factos/repórter.
LCRibas não tem, como a esmagadora maioria dos jornalistas, de emitir juizos de valor sobre os factos que noticia. Tem, obviamente, as suas opiniões, mas não precisa/não deve partilhá-las. Para tratar dos factos com rigor e equidade os ouvintes não precisam delas para nada.
Os telespectadores da SIC que o ouviram olharão para ele, a partir de agora, da mesma forma? Não irão misturar as coisas? Não irão dizer "é normal que ele não goste do Bush, ele é do Kerry!".
É muito perigosa esta mistura.
A um repórter não deve ser pedido que emita opinião sobre matérias que trata quotidianamente - e ele próprio deve recusá-lo. Pode e deve interpretar, explicar, contextualizar (naquilo a que o Público chama de "análise"), mas nunca opinar.
Já agora: qual a diferença entre este "eu vou votar John Kerry" e os cachecóis ao pescoço de alguns jornalistas portugueses durante o Euro 2004?

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