Mais relatos de futebol
Um comentário ao texto de 16/7, sobre o voto de LCR em John Kerry, suscita-me esta história que partilho com os leitores: há uns anos, dava eu aulas na ESJ do Porto e logo numa das primeiras um dos alunos veio com a mesma teoria. "(qualquer coisa do género) nos relatos de futebol vê-se logo de que clube são os relatadores, pelo tempo de cada golo relatado".
Embora esteja no limite de considerar que relato de futebol não é jornalismo (voltarei a este tema oportunamente), mantenho uma grande admiração profissional pelos relatadores de futebol. E como, além de "Jornalismo Radiofónico, havia uma cadeira chamada "Relatório de Estágio" que eu também coordenava, "obriguei" esse aluno a fazer este trabalho: durante dois meses ouviria e gravaria todos os relatos de Benfica, Sporting e FC Porto e faria uma análise quantitativa e analítica dos tempos e dos golos. No final a amostra incluía mais de uma dezenas de jogos e o rapaz mudou de opinião.
Alguém acredita que um relatador - de uma rádio nacional - (consegue) cronometra(r) os segundos de relato quando há golo em função das suas paixões clubísticas? Eu não. E aquele pequeno estudo mostra-o.
Mas é, indiscutivelmente, um dos estereótipos à volta do jornalismo.
Combatê-lo só é possível com um comportamento editorial (rigoroso, equitativo/equilibrado, factual), que - infelizmente - nos relatos de futebol vamos vendo cada vez menos.