Ainda a carta aberta
Óscar Mascarenhas respondeu. E explica por que é que entende não ser prioritária uma posição do Conselho Deontológico.
Recupero aqui o parágrafo que - penso - melhor retrata o seu pensamento:
"Nisto das palmas, agradecimentos e cachecóis, há o lado ritual e o lado ético. Quer-se um ritual de contenção e distância para garantir a veracidade e isenção do que se noticia. Então, deixa-me perguntar: os jornalistas das palmas, agradecimentos e cachecóis distorceram, mentiram ou sonegaram informação? Creio que posso afirmar que os jornalistas das conferências de imprensa foram, em regra, exactos no que ali se passou. Mas bateram palmas: não deviam, porém não mentiram. Mas agradeceram: não deviam tê-lo feito ali, deviam combinar um almoço de homenagem como fazem muitos jornalistas da política (e eu não vejo nisso nenhum mal), com políticos que se despedem ou no fim de viagens de Estado. Todavia, os que agradeceram não deturparam o que aconteceu. Usavam cachecóis: não deviam – tal como os cachecóis não deviam aparecer em mesas de pivots de telejornais – contudo não sonegaram informação."
Eu acho que o Óscar está a confundir as coisas, está a encontrar enquadramentos longínquos em coisas que deviam ser muito mais claras e próximas. Preocupam-me, por exemplo, os precedentes para o futuro - "está bem que me desfiz em elogios àquele político, ainda por cima em directo, mas depois fui rigoroso no relato dos factos..." - que resultarão de uma atitude tão compreensiva.
PS - A possibilidade de comentar - por exemplo anonimamente - é uma arma perigosa. Espero que o bom senso não se perca.