O apagamento dos jornalistas
O jornal Público dava conta, na semana passada, de algumas declarações bem curiosas de Marcelo Rebelo de Sousa, no lançamento de um livro de um deputado do PSD.
Curiosas porque Marcelo critica o apagamento dos jornalistas, no caso concreto da televisão, mas também porque o seu espaço televisivo na TVI é um caso sério de apagamento editorial (mesmo tratando-se de uma zona de comentários - está um jornalista à sua frente, quase sempre calado).
Mas esquecendo o pormenor, relaciono a frase de Marcelo (nas grelhas das estações televisivas "o tempo que corresponde à intervenção jornalística corresponde a não mais de três, quatro horas") com algo que tem suscitado alguns textos nesta página: a suavização do jornalismo.
Esse apagamento dos jornalistas - que não se verifica apenas na TV, mas também na rádio e, em menor grau, na imprensa - é sinónimo de passividade, de desconhecimento, de falta de ousadia e de coragem para, por exemplo, fazer as perguntas que importa fazer.
Esta suavização relaciona-se, por contração, com o excesso de agressividade, mais no tom do que nos conteúdos.
Mas ambos são um erro.